Laboratório de Carpeggiani começa a dar resultados na Ponte Preta
Treinador testou vários opções na vitória sobre o Criciúma
Há treinadores de futebol que fecham portões de centros de treinamentos com a falsa impressão de fazer coisas diferentes nos ensaios de bola parada, que no frigir dos ovos não passa da mesmice irritante.
Paulo César Carpeggiani, treinador da Ponte Preta, escondeu o time no pré-jogo contra o Criciúma porque teorizou e testou na prática coisas fora do trivial e longe dos censores.
Não duvidem que entre os milhares de torcedores pontepretanos muitos o chamaram de professor Pardal quando montou as laterais com Artur na direita e o deslocamento de Régis à esquerda, o que implicou na passagem de Uendel como segundo volante.
E não é que ausências de titulares possibilitaram ao treinador fazer deste time da Ponte um laboratório. Das mexidas, duas foram bem sucedidas na vitória sobre o Criciúma por 3 a 1 na noite deste domingo, em Campinas.
Diferentemente das concepções defensivistas de seus antecessores, Carpeggini privilegia o futebol ofensivo, repete a todo instante que joga sempre pra vencer, e por isso escolheu Uendel como volante para dar qualidade na saída de bola da defesa.
No primeiro tempo o objetivo foi atingido em cheio. Além do desarme convencional, Uendel qualificou a saída de bola. E Artur, antes com lavagem cerebral para ser um terceiro zagueiro, desta vez assumiu a função cobrada de um lateral-direito e se encorajou descer ao ataque.
Como a Ponte foi escalada com três atacantes e o meia Chiquinho tinha incumbência de se soltar, o que se viu durante o primeiro tempo foi o time pontepretano envolvente, fazendo dois gols e desperdiçando outros dois.
Foi o período em que o Criciúma, encurralado em seu campo defensivo, só tinha a lamentar ausências de nove jogadores, cinco deles titulares.
TEMPOS DISTINTOS
Elogios de Carpeggiani à produção de seu time no intervalo parece que não fizerem bem aos seus comandados.
O time voltou para o segundo tempo sem a intensidade então demonstrada, e disso se aproveitou o adversário para adiantar a marcação, rondar a meta pontepretana, e chegar ao gol aos 10 minutos através do atacante Lins.
O gol despertou o time pontepretano, que passou a equilibrar a partida, com alternância das equipes no ataque.
O Criciúma passou a usar mais o lado esquerdo do campo, a cobertura do volante Magal já não era a mesma e Artur ficou sobrecarregado, até porque o zagueiro César joga basicamente na sobra – e não na caça – e seu especializou na interceptação da bola aérea.
Intriga a insistência de Carpeggiani com o instável Everton Santos. Há, entretanto, duas explicações provavelmente justificáveis para a postura: taticamente o jogador tem recomposto o setor de meio de campo para fechar espaços do adversário e a interpretação de que é possível recuperar um bom jogador devolvendo-lhe a confiança com sequência de jogos.





































































































































