ESPECIAL: 700 metros separam goleiro menos vazado do artilheiro do Brasil

O Bugre se apoia em seu paredão Juliano na Série C, enquanto a Macaca conta com os gols de William

Apenas 700 metros separam o goleiro menos vazado do artilheiro do Brasil. Esta é a distância entre os estádios de Guarani e Ponte Preta, na cidade de Campinas. Eternos rivais desde 1912, os dois clubes têm se destacado, mas por caminhos diferentes.

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Campinas, SP, 13 (AFI) – Apenas 700 metros separam o goleiro menos vazado do artilheiro do Brasil. Esta é a distância entre os estádios de Guarani e Ponte Preta, na cidade de Campinas. Eternos rivais desde 1912, os dois clubes têm se destacado, mas traçando caminhos diferentes. O Bugre se apoia em seu paredão Juliano, que tem segurado tudo na defesa menos vazada das quatro divisões nacionais. Já a Macaca é liderada pelo matador William Batoré, artilheiro máximo do país, com 24 gols no ano.

0002048095401 imgJuliano bate recordes no Bugre

Apesar das táticas diferentes, os técnicos Tarcísio Pugliese e Paulo César Carpegiani têm conseguido cumprir o objetivo neste segundo semestre. O comandante bugrino faz uma campanha quase perfeita pela Série C, onde o time é líder do Grupo B, com 19 pontos e ainda está invicta. Por outro lado, o treinador alvinegro perdeu apenas um em sete jogos pelo Brasileirão e já vê o clube se afastar da zona de rebaixamento, com 15 pontos, na 13ª posição.

Depois de um primeiro semestre terrível, que culminou no rebaixamento no Paulistão, o Guarani decidiu apostar em um elenco emergente e um técnico promissor, que começou seus trabalhos “arrumando a cozinha”. A estratégia surtiu efeito. Em nove jogos, a defesa bugrina não sofreu gol algum na Série C.

O resultado disso foi uma sucessiva quebra de recordes de jogos sem levar gols. O último deles aconteceu durante o empate sem gols com o Crac. Juliano chegou a incríveis 810 minutos sem sofrer gols e deixou para trás um dos maiores ídolos da história do clube, o campeão brasileiro de 1978 Neneca, que naquela oportunidade chegou a ficar 777 minutos sem ser vazado.

Apesar do feito histórico, o atual camisa 1 do Bugre evitou exaltar seu feito pessoal e comemorou o ponto somado em Catalão. “Lógico que é bacana atingir um recorde deste num grande clube como o Guarani, só que o mais importante neste momento foi o ponto que levamos para casa”, afirmou.

Entre 101 times nas quatro divisões, apenas mais um clube segue sem sofrer gols. Trata-se do Tiradentes-CE, que lidera o Grupo A3, da Série D, com 16 pontos. O goleiro do clube cearense Fábio Lima, contudo, está “apenas” 540 minutos sem sofrer gols.

0002048095403 imgWilliam tem o faro do golFoto: Rodrigo Villalba/Agência FI

Artilheiro do Brasil
Se o rival Guarani se gaba por sua defesa intransponível, a Ponte conta com artilharia pesada para fazer uma campanha de recuperação no Brasileirão. Até o momento, o atacante William já anotou nove gols na competição, onde é o artilheiro máximo. Foram cinco gols apenas nos últimos quatro jogos.

A boa fase vivida pelo matador garante ele também o status de maior artilheiro da temporada. São 24 gols anotados, até agora. Dois a mais que os vice-artilheiros Careca (Paysandu) e Rafael Costa (Figueirense). William ainda anotou 13 gols pelo Paulistão, onde também foi artilheiro, e dois pela Copa do Brasil, em apenas um jogo realizado.

Como um bom professor, o centroavante explicou como é estar sempre pronto para marcar. “Eu procuro ter calma e frieza porque tem momento em que se você se apavorar, acaba perdendo o gol. São frações de segundos de uma escolha e para definir a jogada. Tem que ter essa tranquilidade, pois você sabe que está chegando um zagueiro, a bola é rápida”, disse.

E o futuro?
Com suas armas escolhidas, os dois rivais esperam terminar 2013 de forma digna. Afundado em uma crise financeira sem precedentes, o Guarani necessita do acesso se quiser sonhar em começar a se reestruturar. Sem uma cotas de TV, a diretoria bugrina tem feito uma engenharia para manter o time com salários em dia na Série C. O acesso à Série B significaria o acréscimo de um cota que, hoje, é de R$ 300 mil mensais, além da maior visibilidade para patrocinadores.

Apesar de todas as dificuldades, o time alviverde tem cumprido seus objetivos para dar este primeiro passo rumo ao retorno à elite. Com uma defesa intransponível e um ataque que marca gols a conta gotas, Pugliese tem superar seus adversários, um a um. Agora, faltam um turno e um mata-mata para o início da redenção.

Enquanto isso, a Ponte Preta, que vive um momento menos turbulento nos bastidores, tenta dar um esperado “salto de qualidade” para finalmente conquistar o tão sonhado título. A primeira meta é a manutenção no Brasileirão. Afinal, isso significaria uma garantia de quase R$ 30 milhões em cotas de TV, além de todos os benefícios de se atuar na elite nacional.

Se garantida na Série A, o sonho passaria a ser mais alto. Pela primeira vez na disputa de um torneio internacional, a Macaca vislumbra, quem sabe, a taça da Sul-Americana. Afinal, o torneio não conta com os grandes do Brasil e também não possui clubes do peso da Libertadores. O desafio é gigante, mas não impossível para sua apaixonada e fiel torcida.