Blog do Ari: Seis jogos por mês, número ideal para cada clube

Boleiros colocam as manguinhas de fora

O tema debatido no programa ‘Esporte em Discussão’ da Rádio Jovem Pan desta terça-feira foi a manifestação de repúdio assinada por cerca de 75 jogadores do futebol brasileiro, exigindo canal de comunicação com o presidente da CBF, José Maria Marins, para enxugamento de jogos no calendário do futebol brasileiro de 2014, férias de 30 dias e período regulamentar para realização da pré-temporada.

Oportuna a fala do narrador Nilson César quando lembrou que a televisão – uma das principais envolvidas na questão – sequer tenha sido mencionada.

Hoje, qualquer discussão sobre enxugamento de calendário passa necessariamente pela anuência da televisão, até porque ela garante a subsistência dos clubes.

Ela vende pacotes do circuito fechado e aí a rentabilidade é significativa. O próprio anunciante de rádio firma contrato com base no número de transmissões de jogos, cuja audiência é infinitamente maior comparada a programas esportivos semanais.

No manifesto, a boleirada desconsiderou isso. Ela deveria ter citado que com a redução do número de jogos também admitiria redução de salário. Por que não falou isso?

De mais a mais, tem muita gente falando ou reportando de orelhada. Boleiro, no geral, prefere o jogo ao treino. Ou preferia no meu tempo de repórter.

No jogo valem três pontos, tem participação de torcida e premiação por vitória, o conhecido ‘bicho’.

Semana inteira apenas de treinos, se repetida de forma contínua, fica enjoativa, desmotivante.

PAUTA

Vejo o pessoal da mídia contestando a maratona de jogos, mas a maioria destes profissionais sequer tem criatividade para pautas alternativas, diferenciadas, de interesse geral na abordagem de programas esportivos ou em espaços da mídia impressa durante as chamadas semanas longas.

Logo o homem chega ao planeta Marte e a gente ainda é obrigado a ouvir aquele ‘batidão’ de reapresentação de jogadores, programação de treino físico, dúvida do treinador é fulano ou sicrano, beltrano faz tratamento no Departamento Médico, como se a saída de um e entrada de outro tivesse significativa importância, guardadas as devidas e raríssimas exceções.

Claro que o ideal seria um calendário balanceado, de forma que cada clube pudesse realizar em média seis jogos por mês. Assim, se durante uma semana o time tiver que cumprir dois jogos, na subseqüente o racional seria uma partida. E assim sucessivamente.

Se tiver que haver enxugamento, o sangramento deveria ser nos campeonatos regionais, com os chamados grandes clubes participando a partir de uma segunda fase.

No próprio Campeonato Brasileiro não seria desproporcional uma poda de 20 para 18 clubes nas séries A, B e C. É por aí.