Blog do Ari: Troca de treinador, o caminho lógico para o Guarani

Pugliese mostrou que é treinador fraco na derrota para o Betim

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Depois de 14 anos estive lá. Sim, retornei ao Estádio Brinco de Ouro neste domingo à tarde. Portanto vi tudo com a visão panorâmica do Tobogã a derrota do Guarani para o Betim por 2 a 1, e ao longo da partida fui mostrando em detalhes para a minha filha como o treinador Tarcísio Pugliese é fraco.

Não chegaria ao extremo do saudoso parceiro Brasil de Oliveira que, nesta circunstância, falava que o profissional não sabe nada. Mas de bola rolando cito sem medo de errar que Pugliese é muito fraco.

Antes do jogo, dei uma passadinha nas imediações do antigo portão dos vestiários do Guarani e lá vi o presidente Álvaro Negrão e pouquímissos conhecidos de minha época.

Já que não nos conhecemos pessoalmente, presidente Negrão, a comunicação é direta e reta neste espaço. Não passe vontade, meu caro. Demita sumariamente o seu treinador se quiser aumentar a perspectiva de ainda conquistar vaga à segunda fase da Série C do Campeonato Brasileiro.

O amigo e comentarista Carlos Eduardo de Freitas, da Rádio Central de Campinas, disse que não se surpreenderia caso os dirigentes optassem por uma sacudida na roseira, com mudança de treinador.

Meu caro Carlão, eu, com mais tempo na estrada, não vou medir palavras. O Guarani deveria demitir o treinador já. Imediatamente.

Por que? O time é mal treinado, mal distribuído, há erros crassos em substituições, pra não dizer falta de visão estratégia do jogo da bola.

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Se o Betim tem dois zagueiros rebatedores, cintura dura, lentos e apenas vigorosos, a lógica seria contar com dois jogadores leves pra partirem com bola dominada sobre eles. Na prática seriam jogadores adaptados como meias insinuantes, com capacidade de drible e arranque sobre adversários.

Quem poderia exercer o papel? Laionel e Macena. A rigor, o esperto Macena percebeu que a bola não chegava com qualidade ao ataque e tentou buscá-la para fazer a função, porém isolado, visto que Laionel jogava pelos lados do campo.

Se tudo tivesse sido planificado como manda o figurino, aquela zagueirada que lembrava o desafinado Beto Fuscão passaria apertada.

Nada disso foi feito. Ficou o Guarani com o estilo tradicional dos meias Fumagalli e Fernandinho com toques miúdos ou lançamentos longos improdutivos nesta partida. E sem que ambos ajudassem na recomposição do meio-de-campo pra marcação.

Assim, o Guarani ficou com dois meias improdutivos na suposta criação, e que não marcavam. Como o volante Elyeser não toma a bola de ninguém e ainda lembra jogadores ‘enceradeiras’ que dão volta em torno da bola, ficou basicamente o volante Edmilson com a atribuição de cobrir a cabeça da área.

Por isso que o Betim ganhava a maioria dos rebotes e teve espaço e chance de se organizar durante o primeiro tempo, quando chegou a virar o placar.

Claro que a torcida protestou com razão contra o goleiro Juliano, que falhou barbaramente no lance que originou o segundo gol do time mineiro e mostrou indecisão no primeiro gol.

TROCA ERRADA

Além de desconhecer melhor estratégia para colocar em prática, Pugliese cometeu um equivoco bárbaro no intervalo. Sacou o lateral-esquerdo Léo Costa para colocar o atacante Roninho no setor.

Léo Costa não atacava com a constância cobrada porque tinha que vigiar o setor, explorado pelo adversário.

O planejamento com a entrada de Roninho foi um tiro no pé. Se o atleta mostrou atrevimento nas primeiras duas descidas, incontinenti tomou duas bolas nas costas e se assustou. E a partir disso priorizou a marcação, que não é a sua praia, e o setor ficou vulnerável.

O esperto treinador Moacir Júnior, do Betim, percebeu que a marcação de Roninho era deficiente e exigiu que seu time jogasse por ali.

Assim, o Guarani também ficou sem a objetividade ofensiva de Roninho. Perceberam a lambança feita por Pugliese?

Assim, pra quem precisava virar o placar no segundo tempo, caso do Guarani, foi muito pouco o time viver apenas da cabeçada do volante Edmilson e bem defendida pelo goleiro Felipe Sanches do Betim, que em contra-ataques também ameaçou.

Era natural que o time mineiro tivesse espaço para trabalhar a bola no meio de campo, porque ali a marcação bugrina era afrouxada. Questionável também a marcação à distância da zaga bugrina, com limitações claras do zagueiro Paulão.

Assim, durante quase todo o segundo tempo o Guarani repetiu o expediente de alçar bola contra a área do Betim, na vã tentativa de que em um lance ocasional os zagueiros falhassem, e assim o time pudesse chegar ao gol de empate.

Pugliese pode ser um bom comandante de grupo, trabalhador e ter incrível vontade de acertar. Mas futebol se faz através de aprendizado. E com o tempo, estudioso como é, de certo vai aprender os atalhos da bola e aí sim postular carreira vitoriosa.