Blog do Ari: Cansaço de viagem? A Ponte correu mais nos 15 minutos finais

Vitória sobre o Vasco foi o exemplo de superação

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Quem diz que já viu tudo no futebol é um tremendo mentiroso. O duelo entre Ponte Preta e Vasco deste domingo, no Estádio Moisés Lucarelli, em Campinas, é um dos exemplos mais cristalinos de como uma situação totalmente adversa de uma equipe pode ser revertida nos 15 minutos finais de partida. Se até então a Ponte não jogava nada, arrumou um ‘gás’ a mais sabe lá aonde e virou um placar inimaginável para a maioria de seus torcedores: vitória por 2 a 1.

O Vasco estava com a faca e o queijo nas mãos, e administrava sem preocupação uma vitória aparentemente consolidada até os 34 minutos do segundo tempo. Foi quando teve chance de ampliá-la num chute de Francismar em que a bola tocou na trave, e quando o lateral-direito Nei foi travado por jogador pontepretano no momento do chute, em lance que o goleiro Roberto já estava batido.

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Até então, a Ponte só havia ameaçado o gol vascaíno num chute de fora da área de Leonardo, que o goleiro Alessandro havia rebatido para o interior de sua área e Rildo, de cabeça, não soube aproveitar.

O agravante para a Ponte é que o zagueiro Ferron havia sido expulso infantilmente, quando acertou uma peitada no vascaíno Yotún aos 20 minutos do segundo tempo.

Pra recompor o setor, o treinador Jorginho foi obrigado a recuar o volante Baraka, sacou o atacante Ratão, e colocou o volante Fernando Bob.

Se a Ponte não conseguia criar absolutamente nada e apelava para infrutíferos chuveirinhos, eis que o seu meia Adrianinho começou a virar a página do jogo em jogada pessoal, que culminou com finalização indefensável para o goleiro Alessandro aos 34 minutos do segundo tempo.

Este mesmo Adrianinho, até então absorvido pela marcação, incendiou o seu time e, por extensão, a torcida pontepretana. O gol de empate foi o divisor de águas da partida.

VIAGEM

Eis a questão: se a Ponte perdesse ou empatasse, o discurso decorado seria o cansaço da longa viagem até Pasto, na Colômbia, no meio de semana.

Pois bem, como explicar a correria que a Ponte aprontou pra cima do Vasco nos 15 minutos finais? A entrada de Adaílton, no lugar de Rildo, resultou em correria. Leonardo, preguiçoso, resolveu correr.

Portanto, está escrito no futebol mais uma página de superação, caracterizada por aquela energia transportada da arquibancada.

Aí, o lateral-esquerdo Uendel, da Ponte, arriscou um chute de fora da área e foi só pena que voou para o goleiro Alessandro.

Frangaço à parte, o pontepretano teve mais é que comemorar a virada, principalmente pela convicção de que o seu time não fez uma boa partida.

A rigor, o Vasco já havia sido melhor no primeiro tempo, quando chegou ao gol em lance irregular. Ao receber a bola, Yotún estava impedido. Aí, erroneamente o árbitro Sandro Meira Ricci deixou a jogada prosseguir.

Aí, houve falha do zagueiro pontepretano Diego Sacoman que desviou contra a sua própria meta, porém nem por isso se abateu e correspondeu na sequência da partida.

DORIVAL JÚNIOR

Por que o Vasco estava melhor? Porque o seu treinador Dorival Júnior montou bem o seu time. Exigiu forte marcação sobre Adrianinho. Programou a sobra com o seu zagueiro Jomar quando o lateral Nei fosse batido por Rildo. Contou com a criatividade de Marlone e a impetuosidade do atacante Reginaldo, aberto na ponta-direita, exatamente para evitar que Uendel apoiasse.

E Dorival fez questão de deixar livre o lateral Régis, da Ponte, apostando que no apoio ao ataque ocorreriam sucessivos erros de passes dele. E não deu outra.

O esquema de Dorival começou a se modificar quando substituiu Reginaldo por Willie, um atacante mais centralizado.

Aí Uendel, da Ponte, se encorajou para atacar e foi decisivo na vitória de sua equipe.

Jorginho arquitetou bem uma equipe ofensiva com três atacantes, mas na prática a estratégia não funcionou. É que Rildo e Ratão nem sempre acompanhavam as descidas dos laterais vascaínos, e não fechavam espaços no meio de campo. Assim, o Vasco trabalhou melhor no setor até a Ponte iniciar a virada.