Nilson Ribeiro: Vovôs cheios de fôlego

Rogério Ceni, Alex, Elano, Seedorf, Paulo Baier.... tem veterano esbanjando saúde no Brasileirão

O novo “gênio” do “futebol eficiência” – que eu qualifico de “vai ser ruim de assistir lá em Honduras...”, Renato Portalupi (a versão bom menino reformado do ex-jogador indisciplinado Renato Gaúcho), tem deixado Zé Roberto no banco.

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O novo “gênio” do “futebol eficiência” – que eu qualifico de “vai ser ruim de assistir lá em Honduras…”, Renato Portalupi (a versão bom menino reformado do ex-jogador indisciplinado Renato Gaúcho), tem deixado Zé Roberto no banco. É claro que gosto e opção de treinador não se discutem. Mesmo que sejam obviamente equivocados. Mas o caso de Zé Roberto é no mínimo intrigante.

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Até ser enviado por Renato ao porão do esquecimento, Zé Roberto fazia o papel de centro pensante do time. Jogador de toque refinado e de posicionamento impecável dentro de campo, o meio-campista recebia todos os elogios da mídia esportiva. Mas Renato entende que Zé, aos 39 anos, não tem o preparo suficiente para exercer as múltiplas funções exigidas de um atleta que vista a camisa de seu time. Já deixou isso claro em suas entrevistas.

Mesmo Elano, que toda vez que entra dá um novo sopro de qualidade ao obtuso esquema de Gaúcho, também só é aproveitado depois da metade do segundo tempo. Gaúcho quer aposentar os vovôs do seu elenco. Uma pena.

O futebol brasileiro ainda tem bons vovôs em forma, mostrando o caminho das pedras dentro de campo, fazendo a bola correr redondinha. É o caso do meia Alex, do Coritiba. É impressionante a qualidade do toque de bola do moço de 36 anos. E também a precisão nas cobranças de faltas e escanteios. Sem Alex, o Coritiba certamente seria candidato a frequentar a zona de rebaixamento. Mas o meia corre como um garoto, pensa como um jogador experiente e toca a bola com a precisão de um neurocirurgião. Bom de ver.

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Outro vovô que carrega o time nas costas é Paulo Baier, do Atlético Paranaense. Tanto assim que a torcida fez campanha pela renovação do contrato do menino de 39 anos. Alí, no meio da garotada, Baier distribui as cartas, enxergando um futebol diferente do alto de seus mais de 20 anos como profissional. Jogador pacato e disciplinado, dono de um potente chute, Baier faz a diferença em seu time, e tem muita garrafa vazia pra vender ainda.

Ceni talvez já tenha tomado sua decisão. Pessoalmente acho que ele para no final do ano. Mas a torcida são-paulina pede a renovação de se seu contrato. E não é sem motivo. É líder do time em campo e tem jogado muito. Muito mesmo. É, na minha opinião, um dos cinco melhores goleiros do mundo na atualidade, apesar de seus 40 anos. Não gosto de suas posições políticas no clube e menos ainda de suas declarações nem sempre saudáveis para o grupo. Mas pega muito.

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O Botafogo do Rio tem Seedorf. Pode não ser uma unanimidade. Mas sua presença em campo é garantia de elegância, toque refinado, passes precisos e perigo constante para a meta adversária. Aos 37 anos, sabe conduzir a garotada dentro das quatro linhas. Cobra empenho mas não se omite em momento nenhum. Corre muito, grita muito, joga muito. Também é referência para o time e parece ser incansável. Ronaldinho Gaúcho (33 anos) também estava em ótima faze no Atlético Mineiro até se machucar.

Grandes jogadores transcendem o tempo. Puyol, Buffon, Pirlo, Xavi Hernandez, Pablo Aimar, Klose, Lampard… esses craques com idades acima dos 32 anos não me deixam mentir.
Gostaria de ver um dos nossos vovôs na Seleção Brasileira, dando equilíbrio no meio da garotada boa de bola. Sempre apostei em Kaká (31 anos), que agora está se recuperando de novo de lesão. Não sei se Robinho, que sequer completou 30 anos, seja capaz de preencher essa lacuna.

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Aquele jogador que pega a bola e chama a responsabilidade quando a coisa vai mal. Aquele para quem a garotada dirige um olhar de esperança e sente firmeza, sente que é possível virar um jogo, vencer uma fase difícil, superar as dificuldades. São jogadores que, em boa forma, não podem ser desprezados ou banidos à zona de esquecimento, como acontece com Zé Roberto no Grêmio.

A permanência de Renato no comando certamente simboliza a saída de Zé Roberto no final da temporada. E Zé tem futebol para provar a Gaúcho que bem mais velho que ele é o conceito de que jogador precisa correr mais que a própria bola.