Blog do Ari: Pontepretano, curta a sua insônia numa boa

Como pegar no sono após fantástica vitória sobre o Vélez, na Argentina

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Que insônia gostosa, hein torcedor pontepretano! Como pegar no sono após um jogo tenso como este contra o Vélez na Argentina. E naquele bate-rebate dos argentinos na sua grande área você suava frio com receio de que a vantagem não fosse sustentada, mas um pé salvador de algum boleiro o deixava aliviado.

Pois é pontepretano, como pegar no sono se o volante Fernando Bob o levou ao delírio ao aplicar o chapéu no goleiro Sebastian Sosa, em lance que resultou no segundo gol da mais imprevisível vitória da Ponte Preta na temporada, naquele placar por 2 a 0 em Buenos Aires, na Argentina, nesta quinta-feira.

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Esta singularidade da Ponte evoca vozes do além. De certo o saudoso repórter Renato Silva, o Bico Fino, numa improvisada transmissão deste jogo, no céu, reviveu o tão repetido bordão após o gol de Bob: “Quem beijou, beijou; quem não beijou não beija mais; feche o caixão e siga o enterro”.

E participando da mesma transmissão, o comentarista Sérgio Salvucci só não recomendaria aquelas centenas de torcedores pontepretanos presentes no estádio José Amalfitani para que saíssem e comprassem outro ingresso nas bilheterias porque faltavam dois minutos para terminar a partida.

O lance foi de uma plasticidade até pra hermano algum botar defeito. Eis aí um dos paradoxos da Ponte na partida. Bob entrou pra ajudar a defender e de repente marcou um golaço com jeito de atacante nato.

O meia Elias, antes criticado pela instabilidade, amplia os paradoxos. Quem poderia supor que tivesse uma bárbara atuação, coroada com o gol que abriu o caminho da vitória pontepretana, em jogada concatenada com o atacante Rildo?

Rildo, um nome que os torcedores do Vélez jamais esquecerão. Foi ele o ponto de desafogo da Ponte quando os argentinos começavam a intensificar a pressão. Como correu demais, cansou.

Num todo, apenas Leonardo destoou no time pontepretano. De certo não foi substituído porque sabia-se das limitações físicas de Chiquinho, Artur e Elias, que não suportariam terminar a partida.

Até Magal, sem a devida sintonia no primeiro tempo, se superou na segunda fase. Os demais jogadores pontepretanos priorizaram a garra, falharam pouco e por isso saíram aplaudidos pela torcida após a maiúscula vitória.

Evidente que a forma de atuar do Vélez também facilitou a proposta de marcação da Ponte. Se os argentinos tocam muito bem a bola, sabem ocupar sabiamente os espaços do campo, pecam pela lentidão. Assim, propiciaram a chance de reposição aos jogadores da Ponte, a exemplo daquilo que já havia ocorrido em Campinas.

Apesar disso, o Vélez criou várias situações não só para empatar como também para vencer a partida. Por sorte da Ponte, os argentinos cometeram erros de finalização. E quando acertaram, Uendel, César e Sacoman salvaram. E a trave também salvou a Macaca numa bola rebatida por César.

ESTADO DE ESPÍRITO

Outro dia um torcedor da Ponte Preta postou mensagem de que ‘pontepretano é muito mais do que torcer; é um estado de espírito’.

Os fatos evidenciam que ele tem razão. A Ponte Preta é tão singular que calou a entusiasmada torcida do Vélez na Argentina nos minutos finais desta partida pela Copa Sul-Americana na noite desta quinta-feira.

E os caprichos do futebol provocam o reencontro dela contra o São Paulo na fase semifinal da competição, justamente duas equipes que capengaram ao longo do Campeonato Brasileiro e iniciaram processo de recuperação. O diferencial é que o Tricolor paulistano começou a reagir bem antes, com a chegada do treinador Murici Ramalho.

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