Blog do Ari: Será que o Linense também reclama de cansaço?

É questionável esta justificativa para a partida irreconhecível da Ponte

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Cansaço. Ah como este substantivo masculino correu de boca em boca na coletividade pontepretana e mídia em geral! E ninguém o repetiu mais do que o treinador Jorginho, e com isso persuadiu a maioria como a principal justificativa para o tropeço diante do Vitória por 3 a 0, domingo, em Campinas.

Nesta linha de raciocínio de cansaço, responda a pergunta quem puder: como o Linense suporta seguidas viagens de quatro horas e meia de Lins a São Paulo, nos 432 quilômetros de vôo rasteiro?

Cabe a mesma pergunta ao rebaixado Mirassol, cidade que dista 453 quilômetros de São Paulo e a duração da viagem de ônibus beira cinco horas.

E quando o deslocamento deste interiorzão é até a cidade de Santos, claro está que a distância é ainda maior. Nem por isso você ouve a boleirada e treineiros justificarem tropeços deles por causa de cansaço.

Gente, a Ponte jogou na quinta-feira à noite na Argentina e iniciou a viagem de volta às 17h da sexta-feira, chegando a Campinas por volta das 22h. Esta maratona equivale a uma das inúmeras viagens do Linense durante o Campeonato Paulista. Perceberam?

CORRER SEM A BOLA

Não bastasse tudo isso, é conceituação primária no futebol que o time capaz de valorizar a posse de bola corre menos, faz o adversário cansar, e coloca-o na roda, como se diz na gíria da bola.

Como valorizar a posse de bola com a grossura de Régis, que abusa de erros de passes, perda de bola na tentativa de drible e cruzamentos equivocados?

Como valorizar a posse de bola se Jorginho insiste em escalar o meio-campista Felipe Bastos, em má fase? Aí ele tenta o passe, erra. Tenta o drible, perde a bola e volta andando, esquecendo-se que foi escalado de volante e não de meia.

Por causa dos erros do seu Felipe Bastos, o adversário também aproveita o presente, vem tocando a bola e faz a Ponte cansar correndo atrás dela, na tentativa do desarme.

Aí Jorginho se precipita ao programar o retorno do atacante William, mal fisicamente e sem ritmo de jogo. Se William era um paredão no ataque, perdia todas para os zagueiros, claro que o adversário recuperava a bola, tocava-a de pé em pé, e com isso exigia desgaste dos jogadores pontepretanos que corriam pra lá e pra cá na tentativa de desarme.

Se o meia Adrianinho errava até passes curtos e não valorizava a bola, evidente que a correria de seus companheiros de equipe teria que ser intensificada. E não se esqueçam que Adrianinho estava descansado. Não jogou na Argentina.

Portanto, meus caros, esta justificativa de cansaço é relativa. Claro está que o erro de escalação do time provocou desgaste ainda maior do que o permitido para o time da Ponte.

Por outro lado, é admissível que um ou outro jogador de fato estivesse desgastado. Mas daí a atribuir cansaço geral do time para a humilhante derrota sofrida para o Vitória, convenhamos que não dá pra engolir.