Nilson Ribeiro: Futebol fora do eixo Rio-São Paulo
Paulistas e cariocas descem do salto e amargam temporada frustrante no Brasileirão
Salva-se o Botafogo. E olhe lá! Porque, se bobear, até o time de Seedorf também deixa a zona de classificação para a Libertadores. Arre! Que os dirigentes paulistas e cariocas aprendam de uma vez por todas a lição.
Salva-se o Botafogo. E olhe lá! Porque, se bobear, até o time de Seedorf também deixa a zona de classificação para a Libertadores. Arre! Que os dirigentes paulistas e cariocas aprendam de uma vez por todas a lição. Campeonato não se ganha no nome e na camisa. É preciso algum senso de organização, planejamento, investimento bem feito e…. muito suor em campo.

Não lembro de, no começo da temporada, ver algum analista esportivo apostar no Cruzeiro como um dos favoritos deste ano. Muito menos alguém indicar o Atlético Paranaense como um dos destaques. O Goiás, então, era cotado como candidato ao descenso. As escolhas dos entendidos apontavam sempre o óbvio: o campeão mundial, Corínthians, e o campeão da Libertadores, Atlético Mineiro. De resto, falava-se em Flamengo, Inter, Santos.
Ah, o futebol! Dribla com muita facilidade as bolas de cristais. Mas o observador mais atento poderia ter identificado algo de podre no reino do eixo Rio-São Paulo. Há muito que os dirigentes das federações de futebol os dois estados com maior número de representantes no Brasileirão vêm atropelando a administração em nome da escalada política. Era, de certa forma, previsível que, em algum momento, a coisa toda iria parar no ventilador.

Deu no que deu. Vasco e Fluminense, entre os cariocas, Portuguesa e a amada Ponte Preta, entre os paulistas, agarram-se no fio de luz de esperança da lanterna dos afogados. Estão a um último escorregão para encarar a gloriosa, difícil e estafante série B. Disputam com o Criciúma as três últimas vagas para o inferno. Uma pena.
Entre os grandes paulistas, quem melhor respira no momento é o São Paulo, que com a chegada do milagreiro e bom de papo Muricy Ramalho, escalou a tabela e hoje ocupa uma digna oitava posição. Santos, Corinthians, Flamengo, esses estacionaram no purgatório, nem lá nem cá, e estão rezando pra ninguém fazer muita marola, porque a água continua muito perto do nariz.
De certa forma, é muito interessante ver os grandes paulistas e cariocas descerem do salto alto e encararem a realidade de uma temporada frustrante e tensa. Talvez – mas só talvez, porque, como diz meu velho amigo Marco Capitão, matar um leão por dia é fácil, duro é desviar das antas – talvez os dirigentes aprendam que é preciso dedicar um pouco de respeito e carinho aos clubes e seus jogadores, porque quando a bola rola, a política não entra em campo, mas, em 90 minutos, pode afundar muito barco bom no mar revolto da falta de organização e planejamento.
E quem paga o pato é torcedor.





































































































































