Nilson Ribeiro: Felipão e a bola de cristal - Confiança versus Arrogância
Técnico esquece do Sobrenatural de Almeida quando crava “Brasil Campeão”
Dá pra entender a filosofia de Felipe Scolari ao anunciar aos quatro ventos, em todas as entrevistas, que a Seleção Brasileira será campeã no mundial do ano que vem aqui em terras tupiniquins.
Dá pra entender a filosofia de Felipe Scolari ao anunciar aos quatro ventos, em todas as entrevistas, que a Seleção Brasileira será campeã no mundial do ano que vem aqui em terras tupiniquins. É uma forma de tentar semear a confiança entre seus comandados e chamar a torcida para cumprir seu papel nos estádios e empurrar o time dentro de campo. Mas Scolari está brincando com fogo.

Ao assumir a postura de principal favorito ao título, o técnico da seleção também compra um título intransferível de responsabilidade por tudo que vier a acontecer daqui até o apito final do jogo decisivo da Copa do Mundo. E muita coisa pode acontecer nesse período. Outra consequência do otimismo exacerbado de Scolari é imputar aos jovens jogadores uma sobrecarga desnecessária, uma vez que o próprio objetivo lógico de buscar o título já pesa o suficiente.
Não acredito que Scolari desconheça a força e a tradição de grandes seleções já classificadas como Argentina, Alemanha, Itália, Espanha e Holanda, apenas para citar algumas. Nem tenha esquecida que o futebol africano sempre incomoda nessas competições de tiro curto. E nem deixamos nós, como torcedores e profissionais ligado ao futebol, de admitir que nossa seleção integra o seleto grupo das favoritas ao título.
O Brasil provou isso ao vencer de forma irretorquível a Copa das Confederações. Mas uma coisa é você reconhecer o próprio real favoritismo e outra é prever o triunfo numa competição tão acirrada e repleta de variáveis incontroláveis como a Copa do Mundo.
OS ACASOS DO FUTEBOL
Teria o Brasil melhor sorte contra a França em 98 se Ronaldinho não tivesse passado mal na noite anterior? Seria o Brasil desclassificado em 82 se Paolo Rossi não tivesse feito a melhor partida de sua vida em pleno Sarriá? Ou, Seria o Brasil Tetra em 94 se Baggio, então um dos melhores do mundo, não isolasse a bola diante de Taffarel na cobrança de pênaltis?

A bola de cristal de Scolari parece ignorar que o “Sobrenatural de Almeida” costuma comparecer aos estádios, principalmente quando não é convidado. Nelson Rodrigues, criador do célebre personagem, logo se tocou que, em se tratando de futebol, não dá para confiar apenas no que é palpável, como os números ou o bom momento de um time.
Tite disse que a Bola pune. Mas não é só a bola que pune. A arrogância costuma ser severamente punida por pequeninos contratempos, como um dia ruim de um grande goleiro (que me diga Júlio César contra a Holanda na última copa), ou do melhor cobrador de pênalti do mundo (foi assim com Zico em 86).
Definitivamente, não há nada de errado em semear confiança no grupo que vai defender as cores brasileiras na copa dentro de casa. Somos sim um dos favoritos, dentro desse grupo seleto de times fortes e preparados para as grandes competições. A confiança é fator preponderante para uma campanha vitoriosa.
Mas é preciso juntar a ela a humildade de reconhecer que existem adversários fortíssimos e, mais, e além disso, existem os pequenos detalhes, a interferência do Sobrenatural de Almeida, as incontroláveis molecagens dos debochados deuses de futebol, que adoram punir a petulância dos que entram em campo de salto alto.





































































































































