São Paulo x Ponte Preta - Guerra nos bastidores... e também em campo?

Título da Sul-Americana ajudaria pontepretanos a superarem iminente rebaixamento no Brasleirão

A batalha travada pelos dois clubes nos bastidores, por conta do local do jogo de volta, só acirrou ainda mais ânimos da decisão que envolve o jogo desta quarta-feira, às 21h50, no Morumbi, pela rodada de ida.

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São Paulo, SP, 19 (AFI) – A semifinal da Copa Sul-Americana entre São Paulo e Ponte Preta começou antes mesmo de a bola começar a rolar. A batalha travada pelos dois clubes nos bastidores, por conta do local do jogo de volta, só acirrou ainda mais ânimos da decisão que envolve o jogo desta quarta-feira, às 21h50, no Morumbi, pela rodada de ida. O vencedor do duelo encara Lanús-ARG ou Libertad-PAR na final.

Um bom resultado no Morumbi daria mais tranquilidade à Macaca para o confronto de volta, que acontecerá no próximo dia 27, a princípio no Estádio Romildo Ferreira, em Mogi Mirim. Isso porque o Estádio Moisés Lucarelli comporta apenas 18.682 torcedores, sendo que a exigência da Conmebol para uma semifinal são 20 mil lugares.

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“É trocar o chip, porque temos uma decisão e temos de ir com tudo”. A frase do atacante Leonardo é um reflexo fiel do ambiente do elenco da Macaca para a primeira semifinal. O iminente rebaixamento no Campeonato Brasileiro não parece abalar os jogadores. Pelo menos este é o discurso.

Se escapar do rebaixamento parece cada vez mais difícil, o título da Sul-Americana poderia salvar a temporada do time campineiro. Afinal, seria o primeiro título relevante na história do clube. E os jogadores têm consciência disso. “Podemos entrar para história da Ponte Preta”, ressaltou Leonardo.

Tricolor focado
Sem grandes aspirações no Brasileirão, o São Paulo está totalmente focado na Sul-Americana. Afinal, é a chance de o Tricolor encerrar uma das piores temporadas de sua história com uma taça. E o clube ainda poderia tripudiar os rivais por ser o único paulista na Libertadores 2014.

O torneio continental virou prioridade total desde a semana passada. Tanto que o técnico Muricy Ramalho até poupou seus principais jogadores na derrota para o Fluminense, por 2 a 1. Tudo para que o time titular entre descansado e voando baixo contra a Ponte.

Asa negra
Não bastasse a melhor fase do adversário, a Macaca terá de superar uma velha “asa negra”. No retrospecto entre ambos, a vantagem tricolor é enorme. Em 131 partidas, o Sampa possui 70 vitórias, enquanto a Ponte venceu apenas 20 vezes. Ainda aconteceram 41 empates. São 233 gols tricolores e 123 alvinegros.

No ano passado, os dois times chegaram a se enfrentar no mata-mata da Copa do Brasil. E mais uma vez o São Paulo levou a melhor. Na ida, a Macaca venceu, por 1 a 0, no Estádio Moisés Lucarelli, mas na volta deu São Paulo, por 3 a 1, no Morumbi.

Em 1999, os dois times também se enfrentaram no playoff do Brasileirão, com nova vitória tricolor em uma melhor de três. No primeiro jogo, no Morumbi, deu Sampa, por 3 a 2, de virada. Nas outras duas partidas, no Majestoso, a Ponte venceu o segundo jogo, por 2 a 1, mas perdeu o terceiro, por 3 a 2, e foi eliminada.

Em 1981, os dois rivais também disputaram o título paulista. Na oportunidade, o Tricolor acabou levantando a taça em dois jogos Morumbi. No primeiro, houve empate, por 1 a 1. No segundo, deu São Paulo, por 2 a 0.

Marca histórica
Maior ídolo do São Paulo em todos os tempos, o goleiro Rogério Ceni está prestes a escrever ainda mais seu nome na história do futebol brasileiro. Nesta quarta, o capitão são-paulino fará sua 1116.ª partida pelo clube, igualando o número de jogos de Pelé pelo Santos e se tornando o atleta com mais partidas por um time brasileiro.

Apesar da marca, Rogério não quer saber de comparações com o maior jogador da história do futebol mundial. “Pelé é inigualável, não tem comparação”, comentou o goleiro são-paulino, que, no entanto, viu semelhanças com o ex-jogador em sua dedicação ao longo desta trajetória pelo clube.
O outro ídolo do clube, o atacante Luís Fabiano, não vive uma fase tão festiva. Tanto que o jogador ainda nem sabe se começará jogando contra o time que o revelou. A principal dúvida de Muricy está no ataque. Ele não definiu se colocará Luís Fabiano na vaga de Ademilson ou até mesmo lugar de Aloísio.

O restante do time será o mesmo que tem formado a base dos últimos jogos. O zagueiro Paulo Miranda fará um misto de lateral-direito e terceiro zagueiro. Tudo para liberar Dougla, que tem jogada como um ponta direita. O volante Rodrigo Caio também continuará na defesa, mas ajudando a saída de bola com os volante Denilson e Maicon.

Azarão outra vez?
Para surpreender o São Paulo, os jogadores se apoiam na classificação épica diante do Vélez Sarsfield-ARG, pelas quartas-de-final. Após um empate sem gols em casa, o time do interior paulista foi até Buenos Aires e bateu o campeão mundial de 1994, por 2 a 0. “Aquele jogo mostrou o que este grupo é capaz”, frisou o técnico Jorginho Campos.

Se fora de campo São Paulo e Ponte travaram uma batalha nos bastidores para a definição do local da volta, dentro das quatro linhas os jogadores se esquivam da polêmica. “Isso não vai tirar em nada nossa motivação, o espírito vai ser o mesmo”, prometeu o meia Adrianinho.

O meio-campista, aliás, será o principal desfalque, já que foi expulso na Argentina, durante a comemoração do segundo contra o Vélez. Por conta disso, mesmo que Jorginho tenha fechado o treinamento desta terça, o meia Elias já está confirmado para o jogo.

O treinador pontepretano não revelou os titulares. A grande dúvida está na defesa, mas a tendência é que Jorginho mantenha a formação que empatou com o Cruzeiro, por 2 a 2, no domingo. Com isso, o lateral Artur deve ser mantido n direita, enquanto César e Ferrón devem formar a zaga. Com isso, o lateral Régis e o zagueiro Diego Sacomán devem ficar apenas no banco.