Blog do Ari: Ponte foi dominada, rebaixada e escapou de derrota

Queda acontece a duas rodadas do final do Brasileirão

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Aqueles cálculos para sobrevivência da Ponte Preta no Campeonato Brasileiro, que pareciam infinitos, chegaram ao final após o empate com o Grêmio por 1 a 1 na tarde deste domingo, em Campinas. Esta antepenúltima rodada da competição serviu para que desligassem os aparelhos que a mantiveram na UTI até então.

Em um parágrafo é possível resumir o histórico de chances criadas pela Ponte ao longo da partida. Primeiro o contra-ataque mortal em que o meia Adrianinho serviu o atacante Adaílton na velocidade, e na saquência saiu o chute rasteiro sem chances para a defesa de Dida. Depois uma falta sofrida por Willliam nas imediações da área e desperdiçada por Adrianinho, e só no primeiro tempo. Na outra etapa, o desatento Ratão cabeceou por cima do gol, e antes disso William ajeitou para Felipe Bastos, travado no momento do chute pelo zagueiro Bressan.

Um time que criou tão pouco objetiva o que no Campeonato Brasileiro? Teve razão, sim, o treinador Renato Gaúcho lamentar o seu Grêmio não ter vencido a partida. O time foi melhor nos dois tempos, criou várias oportunidades e não soube aproveitá-las.

JOGADORES POUPADOS

Evidente que a Ponte ficou ainda mais fragilizada com a natural estratégia de poupar alguns jogadores mais desgastados, casos de Fernando Bob, Elias, Rildo e Leonardo. Claro que o Grêmio dispõe de jogadores de maior envergadura técnica em seu elenco.

Convenhamos que a leitura tática do jogo no primeiro tempo recomendava que o treinador Jorginho Campos, da Ponte Preta, voltasse com o volante Fernando Bob após o intervalo.

É que a Ponte passou só a se defender após sair na frente do placar. E quando recuperava a posse de bola, não havia continuidade nas jogadas, de forma que ela pudesse chegar com qualidade ao ataque.

Por que isso? Ora o quarteto defensivo rebatia de qualquer forma, ora Adrianinho não conseguia fazer a ligação e era totalmente absorvido pela marcação. Portanto, poderia ter saído no intervalo e Bob, que tem mostrado bom passe, teoricamente teria mais chances de dinamizar o setor.

Sem mudança no panorama da partida no início do segundo tempo, era natural de se esperar que a manutenção do volume de jogo do Grêmio trouxesse embaraço à Ponte Preta, até porque ela havia escapado de sofrer o empate em três oportunidades durante o primeiro tempo.

Primeiro foi uma boa defesa do goleiro Edson Bastos num chute rasteiro do atacante Kléber. Depois a finalização do meia Vargas em que a bola chocou-se contra o poste esquerdo. E o chute torto do atacante Barcos, já dentro da área.

Assim, com a manutenção do predomínio, o Grêmio chegou ao gol em bola cruzada que percorreu toda extensão da pequena área, sem que houvesse interceptação do lateral-esquerdo Uendel. Aí, Vargas só escorou de cabeça empatando a partida.

A rigor, sem atribuir culpa ao goleiro Edson Bastos, o certo é que o ágil titular Roberto chegaria a tempo para socar aquela bola cruzada por Zé Roberto, que subiu bastante e demorou pra cair aos nove minutos do segundo tempo.

O Grêmio ainda desperdiçou chance com Max Rodriguez e Elano, porque na cabeçada de Bressan o goleiro Edson Bastos deu um salto típico de tentativa de valorização da defesa.

ELIAS

Por duas razões a Ponte equilibrou a partida a partir dos 17 minutos do segundo tempo. Teria que partir para o tudo ou nada e já contava em campo com o meia Elias, que qualificou o time no trato à bola.

As entradas de Chiquinho e Ratão foram infrutíferas. Pior foi a escolha por Ratão pela displicência na partida. Inadmissível um rapaz de 17 anos que ganha preciosa oportunidade na equipe principal entrar tão desligado diante de um adversário cuja principal virtude é a forte marcação.

Questiona-se também quando o atacante William passará a se movimentar mais em campo? Ele continua sem mobilidade e uma presa fácil aos marcadores. E Adaílton se resumiu ao lance de gol e nada mais. Só esforço e trombada não resolve. Perdeu a maioria das jogadas. Ou melhor: ‘trupicou’ na bola.