Blog do Ari: Decretem a falência do modelo de campeonatos de pontos corridos

Trapalhadas de clubes que poupam titulares desconfiguram competições

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Convenhamos que o ciclo de fórmula de campeonatos pelo sistema de pontos corridos para se apurar campeão e rebaixados à divisão inferior deveria estar com os dias contados. Se até então o modelo foi tido como o mais justo, infelizmente por ‘ene’ motivos deixou de ser. Avacalharam com ele.

Exemplo da podridão do sistema pode ser mirado no Náutico. Clubes que o enfrentaram quando ele ainda respirava por aparelhos ainda encontraram um mínimo de resistência. Depois que a vaca foi pro brejo com cifre e tudo, aí os pernambucanos se transformaram em saco de pancada. A desmotivação da boleirada foi natural.

No outro extremo da classificação, depois que conquistou o título com bastante antecedência, o Cruzeiro deu refresco para parte significativa de seus heróis nas partidas contra Ponte Preta e Vasco, transformando em desigual a concorrência na ponta de baixo.

Se a Macaca patinou diante da chance de vencê-lo e avançar, o Vasco tirou proveito e somou três preciosos pontos.

Agora observa-se que a Ponte Preta repassa à Portuguesa a benevolência oferecida pelo Cruzeiro, ao escalar um time inteiramente reserva para o confronto com os lusos neste domingo, em Campinas.

PONTE PRETA

Se a postura da Ponte é compreensiva e justificável diante de sua coletividade – pelo natural envolvimento na finalíssima da Copa Sul-Americana -, evidente que é repudiada pelos desesperados na pontuação.

Se para a Ponte o Campeonato Brasileiro já foi, é lógico o raciocínio dos ameaçados que seria bem-vinda uma ajuda para que ela também empurrasse a Portuguesa para o buraco.

Pra completar, que desculpa esfarrapada foi dada pelo Bragantino para poupar meio time titular na partida diante do Figueirense, que ainda luta pelo acesso à Série A do Campeonato Brasileiro!

A justificativa de antecipação de férias à boleirada foi recebida com desconfiança na Série B, em geral.

Como se vê, o esculacho de escalação de time misto aqui e acolá resultou em perda de pontos preciosos para quem adotou esta postura forçadamente ou aleatoriamente.

Há casos em que circunstâncias outras forçaram equipes a pouparem titulares e deveriam ser compreensivos. O problema é que no ‘balaio de gato’ a maioria não os distingue daqueles casos injustificáveis.

Por isso, senhores mandatários de federações e CBF (Confederação Brasileira de Futebol), não adiem mais o sepultamento deste modelo que a maioria já aplaudiu, de pontos corridos.

MILTON NEVES

Cabe, no mínimo, reflexão sobre a proposta divulgada pelo jornalista Milton Neves, do Grupo Bandeirantes de Comunicação, que prevê quadrangulares para se apurar campeão, vagas à Libertadores, Copa Sul-Americana e até um suposto Torneio da Morte, com dois quadrangulares. Evidente que os quatro piores seriam naturalmente rebaixados.

Assim, com amarradura em todo eixo do campeonato, cada clube dependeria exclusivamente de suas forças para que o objetivo traçado se torne realidade.