Blog do Ari: Adeus Mandela, 95 anos de história da valorização do ser humano

Após 27 anos de cárcere ele estendeu a mão ao inimigo

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A coluna é de futebol, mas Mandela é Mandela. A morte dele nesta quinta-feira derruba qualquer disciplina protocolar do espaço. Por isso recapitulo o texto publicado no dia 18 de julho, por ocasião de seu 95º aniversário.

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Por mais de trinta anos fui militante da mídia impressa e posso testemunhar que redações de jornais e revistas deixam cadernos prontos de personalidades de municípios, Estados, Brasil e mundo que estão com alguma enfermidade grave, para facilitar publicação logo após a morte.

Com certeza já editaram todo material sobre o sul-africano Nelson Mandela tão logo ele foi encaminhado à UTI de hospital de seu país, mas o bom Mandela resiste e o material desta gente continua no arquivo.

Mandela, história de um pacificador que circunstancialmente teria tudo para ser movido ao ódio. Afinal, quem suportaria 27 anos de cárcere – como ele – e estenderia a mão ao inimigo?

Colocado em liberdade, era natural se esperar postura rancorosa pelo período de humilhação, mas em momento algum ele se distanciou do objetivo capital de conciliação de raças: “Ninguém nasce odiando outra pessoa por conta de sua cor de pele, origem ou religião. As pessoas aprendem a odiar. E se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais fácil ao coração do que o ódio”.

RECONCILIADOR

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Mandela atua como reconciliador de oprimidos e opressores. E esta postura singular representou-lhe o Prêmio Nobel da Paz em 1993.

Lutou pela igualdade de brancos e negros na África do Sul. Travou enquanto pôde luta contra o regime de segregação racial na África do Sul, instalado no país em 1948.

A revolta contra o Apartheir aumentou com adoção de leis que tomavam terras de negros, desalojando-os.

E a resistência implicou em busca de aprendizagem para praticar luta armada, após a constatação que não prosperaria a resistência não violenta. Perseguido, teve que fugir de seu país e percorreu o continente africano e países europeus.

Na volta acabou capturado e condenado a prisão perpétua em 1964. Foi torturado, escravizado e informado de assassinato de companheiro de tentativa de organização de guerrilha.

Reflexões no cárcere levaram-no ao aprendizado que não se descarta a aproximação com o inimigo. “Se você quer fazer as pazes com o seu inimigo, então trabalhe junto dele e ele vai virar o seu parceiro”.

Eis aí um exemplo de como precisamos crescer enquanto seres humanos, de como devemos aprender ser tolerantes, perdoando malfeitores.