Blog do Ari: Sem perda na marcação, a nova Ponte ainda ganhou mais força no ataque

Mudanças táticas foram preponderantes na vitória sobre o Corinthians

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Da vitória da Ponte Preta sobre o Corinthians por 2 a 1, na tarde deste domingo no Estádio Moisés Lucarelli, a maior constatação é que a treinadorzada, recém contratada por um clube, tem que acabar de vez com a desculpa esfarrapada de que precisa analisar o comportamento de seu novo time de um camarote de estádio para posteriormente assumir o comando de fato.

O treinador Osvaldo Alvarez, o Vadão, mostrou que nesta circunstância o novo comandante será consideravelmente mais útil ao grupo de jogadores indo pra relva e interagindo antes e durante a partida com os seus comandados.

Ao não se acovardar – como faz a maioria – Vadão procurou extrair o melhor para a Ponte Preta, considerando-se o estágio de seu elenco e após prévio estudo do instável Corinthians.

Tempo pra trabalhar não houve. Assim, o primordial seria os atletas assimilarem no ‘blá-blá-blá’ aquilo que havia sido traçado.

Bom, o time precisava ganhar força ofensiva, sem que com isso oferecesse generosos espaços ao adversário. O que fazer? Simples. O treinador trocar um brucutu que estorvava o time, como Gabriel, e escalou o garoto e atacante Ademir para jogar pelas beiradas do campo.

O que fez Ademir? Aquilo que fazia principalmente Ricardinho na Ponte Preta em 2011. Foi um segundo lateral-esquerdo e ainda apareceu no ataque com mais velocidade e agilidade, embora ainda precisa ser canchado.

E Ademir fez a bola chegar com qualidade ao atacante Alemão, que enfim foi abastecido conforme se recomenda a quem atua na função, e aí saiu o gol.

Houve correção também do posicionamento de Silvinho, que desta vez fechou bem em diagonal, inverteu de lado com Ademir, e ainda voltou parcialmente para ajudar na marcação.

FERNANDO BOB

O principal acerto de Vadão foi proceder a volta ao time do volante Fernando Bob no lugar de Alef. Bob dinamizou o time, trabalhou a bola com qualidade, e se esforçou na marcação.

Se a Ponte continuasse dependendo de Adrianinho para este dinamismo não teria êxito. Mais uma vez ele ficou devendo melhor rendimento.

O crescimento de produção do time da Ponte se deu também pela desenvoltura do polivalente Ferrugem, que em boa parte do segundo tempo inverteu de posição com o volante Bruno Silva, e apareceu até como fator surpresa no comando do ataque, como no lance que originou o gol da vitória pontepretana, em que ele aplicou drible seco no bom zagueiro Gil.

Desde o início, o raciocínio lógico de Vadão foi fechar os lados do campo, para evitar penetração do time corintiano por ali. Assim, coube ao Timão trabalhar mais a bola por dentro, e lentamente, o que de certa forma facilitou o trabalho de destruição do time pontepretano.

Apesar disso, considere claras vaciladas da zaga da Ponte Preta. É inadmissível que o lateral-esquerdo Uendel seja marcado por Ademir em jogada pelo alto, no lance em que surgiu a cabeçada e consequentemente o gol de empate do Corinthians.

No caso, o tempo de bola seria do zagueiro César, que ainda precisa ser trabalhado sobre posicionamento.

Igualmente inadmissível é o atacante corintiano Emerson, que não é cabeceador, ter liberdade para cabeçada que só não resultou em gol porque o goleiro Roberto mostrou elasticidade e espalmou. E quem deveria vigiá-lo? Foi no setor de Diego Sacoman, que marcou o adversário com os olhos.

Convenhamos também que o atacante Guerrero, do Corinthians, não está com a bola toda pra aplicar dribles consecutivos sobre Sacoman e César dentro da área. No lance, a Ponte foi salva novamente por duas consecutivas e decisivas defesas de Roberto.

Portanto, a Ponte vai depender de muita arrumação, e uma delas passa pela contratação de um zagueiro experiente para formar dupla com um dos titulares. E que seja um zagueiro que não se desfaça da bola dando chutões desnecessários, porque a valorização deve começar de trás.

BRUNO SILVA

Claro que hoje o pontepretano se apega mais aos pontos positivos, um deles a extrema aplicação do volante Bruno Silva e decisões corretas do banco na troca de jogadores.

Se Ademir, extenuado, pediu substituição, numa situação convencional pensa-se na hipótese da entrada de um volante pra fechar espaços.

Vadão, no caso, raciocinou que a sistemática não seria alterada com a entrada de Rossi, desde que ele se incumbisse de também voltar pra marcar.

Assim, o setor não sentiu perda na marcação e Rossi preocupou o lado direito defensivo do Corinthians com jogadas de velocidade, embora ainda seja afoito.

A vitória traz confiança ao elenco e melhora o ambiente de trabalho na Ponte Preta.

A derrota do Corinthians implica em duas reflexões: além da sabida falta explosão do ataque, raciocine se vale a pena o time se expor e deixar a defesa desguarnecida.

Os ‘clarões’ tem sido aproveitados pelo adversário.