Ponte entra na lista de 'caloteiros' do Banco Central, mas garante estar em dia

De acordo com a lista divulgada pelo próprio Banco Central, a Ponte possui uma dívida de R$ 1,355 milhão

Nesta semana, puma notícia veiculada pelo jornal O Estado de S. Paulo de que a Macaca está em uma lista de devedores do Banco Central (BC) causou estranheza. Nesta quarta-feira, porém, o clube garante que não há nada pendente.

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Campinas, SP, 06 (AFI) – A diretoria da Ponte Preta sempre se gabou de ter sob controle todos os débitos com a União. Nesta semana, porém, uma notícia veiculada pelo jornal O Estado de S. Paulo de que a Macaca está em uma lista de devedores do Banco Central (BC) causou estranheza. Nesta quarta-feira, porém, o clube divulgou uma nota esclarecendo o fato e garante que não há nada pendente.

0002048155627 imgUm dos débitos é da época de Régis Pitbull

De acordo com a lista divulgada pelo próprio Banco Central, a Ponte possui uma dívida de R$ 1,355 milhão referentes a multas por ilícitos cambiais. O valor, segundo o clube, é fruto de taxas cambiais que não foram recolhidas ao BCa, nas negociações do ex-zagueiro André Cruz e do ex-atacante Régis Pitbull.

“A Ponte Preta já negociou o pagamento destas dívidas judicialmente (foi o primeiro time do Brasil a aderir aos pagamentos em parcelas, em dezembro do ano passado), em parcelamentos de 180 meses e já pagou, inclusive, a primeira parcela de ambas”, garantiu a nota oficial.

Processo referente à dívida na negociação de André Cruz, que se transferiu para o Standard Liège-BEL, em 1990, teve dois alvos: a Macaca e o então presidente Lauro Moraes Filho. O clube teve de arcar com 50% do débito e fez um acordo para pagar 180 parcelas de R$ 10.780,00, o que dá um total de R$ 1.940.400,00.

No caso de Régis Pitbull, negociado com o Purple Sanga-JAP, em 1999, os valores são mais modestos. O time alvinegro também realizou um parcelamento da dívida com o Banco Central e começou a pagar, desde dezembro, 180 parcelas de R$ 2.760,00, ou seja, um montante de R$ 496.800,00.

“Com os parcelamentos feitos ocorre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, por força de lei, e assim a Ponte Preta tem, enquanto adimplente, obrigatoriamente a situação positiva perante o BC. O clube não possui outras pendências senão estas duas”, explicou a nota.

Dívidas controladas?
De fato, a Ponte Preta é um dos poucos clubes que não possuem impostos pendentes com a União. As que não estão quitadas foram negociadas através do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) do Governo Federal, criado para que clubes renegociassem suas dívidas com INSS, Receita Federal, FGTS e Procuradoria Geral da Fazenda Nacional.

“Com isso é inclusive um dos poucos times de futebol do País aptos a apresentar (e ter aprovados) projetos nas leis de incentivo ao esporte. A administração da instituição é reconhecida na esfera judicial como séria e cumpridora de suas obrigações”, escreveu a nota.

Contraponto
O contraponto da regularização da situação com a União é a dívida crescente com o presidente de honra Sérgio Carnielli. Embora tenha as dívidas com a União e as trabalhistas controladas, a Ponte tem uma dívida de cerca de R$ 100 milhões com seu ex-mandatário. Afinal, por muitas vezes ele colocou dinheiro do próprio bolso para que o clube quitasse suas obrigações.

Na prática, as dívidas foram transferidas de uma mão para outra. Por enquanto, o Carnielli não tem demonstrado a intenção de que cobrará a “conta”. Contudo, qualquer sinal de vitória da oposição nas próximas eleições ou até mesmo um “racha” com o atual presidente Márcio Della Volpe – há quem diga que a relação entre ambos já não é a mesmo – pode fazer o presidente mudar de ideia.

Lista de devedores
A lista de devedores por multa de ilícitos cambiais com o BC é grande. Dois dos grandes de São Paulo estão presentes: o Santos, com um débito de R$ 6,2 milhões, e o Corinthians, com R$ 2,6 milhões. O maior devedor disparado é o Paraná, com R$ 30,9 milhões. Em seguida, aparecem Internacional (R$ 19,3 milhões), Vasco (R$ 11,4 mi), Vitória (R$ 9,6 mi), Goiás (R$ 7,6 mi), Atlético-MG (R$ 6,7 mi), Coritiba (R$ 5,2 mi), Santa Cruz (R$ 4,7 mi) e Fluminense (R$ 3,6 mi).