As lições de Vadão, bom de papo. Dentro e fora dos vestiários..

Com três vitórias em três jogos, o técnico da Ponte Preta mostra que é craque de bom senso

Acossado pelos repórteres que tentam, de alguma maneira, jogar pó no trabalho do ex-técnico da Ponte, Sidney Moraes, Vadão consegue, com muita elegância, dividir o sucesso imediato com os jogadores de seu elenco.

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.Não sei o que o técnico Vadão, técnico recém contratado pela Ponte Preta, tem falado aos jogadores nos treinamentos e dentro dos vestiários. Mas tenho acompanhado as entrevistas do treinador após os jogos. A se considerar o jeito ponderado e despojado de arrogância de Vadão nas coletivas, dá muito bem para imaginar porque o time mudou tanto a cara nas últimas três rodadas.

Acossado pelos repórteres que tentam, de alguma maneira, jogar pó no trabalho do ex-técnico da Ponte, Sidney Moraes, Vadão consegue, com muita elegância, dividir o sucesso imediato com os jogadores de seu elenco, ao mesmo tempo que exime de qualquer culpa seu antecessor, a quem considera amigo pessoal.

Ouvi, mais de uma vez, Vadão alertar que o time ainda não está pronto, não está jogando seu melhor futebol. O técnico explica que tem conversado muito e apenas mudou alguns posicionamentos dentro de campo, citando, inclusive nominalmente, o blog do nosso colega jornalista Ariovaldo Isaac como referência para suas decisões. E afirma que são os jogadores os maiores responsáveis pelas vitórias. Vadão possui na essência aquela coisa tão esquecida chamada ética.

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Num mundo onde todo mundo quer levar vantagem, dentro de um mercado de trabalho altamente competitivo e quase canibal, Vadão dá um exemplo a ser seguido. Suas palavras não me soam falsas, uma modéstia meramente oportunista, midiática. Seu discurso em nenhum momento me parece apenas uma maneira de angariar a confiança de seu elenco. Vadão é transparente. Conhece muito bem as idas e vindas do futebol, os altos e baixos, a montanha russa definida nos detalhes. Uma vitória, e você é gênio. Uma derrota e você não serve mais.

Fico pensando em quantas vezes, por conta daquilo que fazemos, pensamos ou somos, as pessoas à nossa volta nos brindam com seus elogios, suas críticas ácidas ou sua indiferença felina. E quantas vezes damos um imenso valor a esses julgamentos externos, como se representassem uma verdade.

Passamos numa prova difícil, ganhamos uma promoção, fechamos um bom negócio e somos um sucesso. Na semana seguinte cometemos um equívoco, perdemos o bom emprego, erramos as alternativas, e somos imprestáveis. A pior parte disso tudo é quanto de importância damos a esses julgamentos, como se realmente tivessem algum valor.

Me ocorre que Vadão se conhece. Muito bem. Sabe suas virtudes, seus tantos pontos positivos. Mas também reconhece suas próprias limitações e as limitações do elenco que dirige. Me ocorre que Vadão tem os pés no chão. Sabe que pode fazer um bom trabalho na Ponte (ou em qualquer clube), desde que tenha tempo e condições de trabalho. Sabe que não fará milagres. Sabe capitalizar o bom momento do time sem exibicionismos baratos.

Vadão nos ensina algumas coisas neste momento: modéstia, mesmo no bom momento; ética com os colegas de trabalho; bom senso e humildade para reconhecer que não é autor de nenhum milagre. Mas principalmente nos ensina a reconhecer o próprio valor, sem nos exaltarmos com os elogios e ou nos afundarmos com as críticas. Quando reconhecemos o próprio valor, críticas e elogios não deverem interferir na nossa confiança.

Boa sorte, Vadão!