Antônio Boaventura: O que era para ser uma grande festa virou um pesadelo
Promessas e omissões das partes envolvidas desencadearam as manifestações afora no Brasil
O que era para ser uma grande festa no País considerado o do futebol, está se tornando um verdadeiro pesadelo para a sociedade civil brasileira com a realização da Copa do Mundo e ou eventos promovidos pela entidade maior do futebol mundial, a FIFA.
Campinas, SP, 10 – O que era para ser uma grande festa no País considerado o do futebol, está se tornando um verdadeiro pesadelo para a sociedade civil brasileira com a realização da Copa do Mundo e ou eventos promovidos pela entidade maior do futebol mundial, a FIFA.
Foram por conta de promessas e omissões das partes envolvidas na realização deste grandioso evento que desencadearam as inúmeros manifestações populares pelo Brasil afora. Estas que tiveram seu clímax antes, durante e depois da Copa das Confederações no último ano. De certa forma também podemos atribuir o ingresso nestes protestos de indivíduos que muito pouco, mas muito pouco mesmo contribuíram beneficamente.

É verdade também que muito se falam na redução da diferença social entre as classes sociais com a implantação das “Bolsas” disso e daquilo, que pouca funcionalidade apresentam. Porém, não é a realidade social de nosso País, que sofre sem ter alternativas viáveis de melhorias. O maior exemplo é o futebol, pelo qual intitulam ser o esporte do povo.
CUSTO ALTO
Só esqueceram de dizer que povo é este que acompanha este esporte na atualidade. Enquanto o nosso salário mínimo tem como remuneração a quantia de R$ 724,00 / mês, o ingresso mais barato do Campeonato Paulista da Série A1 custa R$ 60,00, ou seja, o custo de qualquer partida do Paulistão terá a importância de pouco mais de 8% deste salário. Algumas perguntas ficam no ar e precisam ser respondidas: – Será que este mesmo cidadão terá condições financeiras suficientes de retornar pela segunda vez a um estádio? Nestas condições ele terá uma sobrevivência digna?
Outro registro que podemos fazer é em relação ao custo exagerado praticado pelas instituições esportivas para com seus profissionais envolvidos na prática, administração e gestão deste esporte. Salários exorbitantes e fora da nossa realidade são oferecidos a eles, fazendo com que isso de alguma maneira demonstre um choque cultural entre classes muito gritante e fora do comum.
A simplicidade e a humildade do povo brasileiro vem sendo “comprada” com promessas estapafúrdias para que interesses maiores e de terceiros possam seguir seu planejamento sem maiores transtornos. Onde estão as obras de mobilidade urbana, investimento na infraestrutura dos mais diversos meios de transportes, segurança, melhoria da saúde pública, bem como o financiamento da iniciativa privada, conforme acordo com a toda poderosa FIFA, para estruturar o Brasil e assim receber a Copa do Mundo. Onde estão? Acredito que devam ter tomado aquele remédio famoso para curar a memória dos brasileiros.
DESREPEITO COM O CIDADÃO
Enfim, em todo este processo o que pudemos perceber foram o desrespeito com o cidadão brasileiro e os processos mais mirabolantes para agilizar a realização do Mundial e evitar atritos com a FIFA, sem se importar de que forma seriam realizados. Resultado: muitos protestos de cunho social, vandalismo e mortes, principalmente, nas construções das modernas Arenas.

Não serei hipócrita em dizer que a Copa do Mundo não seria bem aceita em nosso País e que também nos colocaria novamente no mapa do futebol mundial, mas é evidente que não estamos preparados para receber este evento. Ficou notória as nossas fragilidades sociais. Enquanto muitos estão no auge, outros tantos milhares brigam dia pós dia por sua sobrevivência de maneira, até de certa forma, desumana e sem padrão “FIFA”. E assim o futebol foi escolhido como válvula de escape para que a sociedade pudesse gritar por suas necessidades.
Infelizmente nesta segunda-feira, 10, tivemos mais um capítulo triste da nossa “Guerra Civil” camuflada, com a morte do cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes do Rio de Janeiro, que no Centro daquela cidade estava cumprindo suas obrigações profissões e acabou sofrendo as consequências dos nossos gritantes problemas, que os “Doutores” fazem vista grossa e com uma retórica invejável transmitem o que chamam de “Tudo sob controle”, quando na verdade está quase tudo precisando de controle.





































































































































