Uma derrota maiúscula dos novos “Meninos da Vila”

Se todos fossem iguais a vocês, que maravilha viver...

As palavras do técnico Oswaldo de Oliveira após o jogo soaram como música para os ouvidos de quem gosta de bom futebol. “Meu time vai continuar jogando assim, de forma insinuante. E se de cada oito partidas perdermos uma, estarei muito satisfeito”.

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Foi uma tarde mágica. Principalmente para o bom e bem treinado time do Penapolense. Narciso, ex-jogador que fez história no Santos, agora no comando do time de Penápolis, fez até “aviãozinho”, lembrando o velho Lobo, Zagallo. E não era para menos. O Penapolense goleava o time mais instigante do Campeonato Paulista, o Santos, dos novos “Meninos da Vila”.

Mas foi uma tarde mágica não simplesmente pela vitória do Penapolense em si. O que tornou tudo mais especial foi o resgate da ousadia. As palavras do técnico Oswaldo de Oliveira após o jogo soaram como música para os ouvidos de quem gosta de bom futebol.

“Meu time vai continuar jogando assim, de forma insinuante. E se de cada oito partidas perdermos uma, estarei muito satisfeito”.

É assim mesmo. Quando existe ousadia, existe o risco.

Guardada as devidas proporções, minhas lembranças trouxeram vivas as imagens de uma tarde em Sarriá, na Copa do Mundo de 1982. Ah, que belo time montou o mestre Telê Santana! Júnior, Falcão, Zico, Sócrates…. Todo mundo tratando a bola com carinho, encantando os torcedores do mundo todo.

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Mas naquela tarde, também mágica, o bom “Sobrenatural de Almeida”, personagem criado pelo impagável Nelson Rodrigues, encarnou na pele do até então obtuso Paolo Rossi. Foram três gols desse jogador consagrado em apenas uma partida na vida. A capa do Jornal da Tarde no dia seguinte, com um garoto aos prantos nas arquibancadas do Sarriá, ficaria imortalizada. Assim como imortalizado ficaram o ousado Telê e sua seleção que jogava o fino da bola e mesmo assim (ou até por isso mesmo) foi surpreendida.

São casos muito cirúrgicos onde o futebol imita a vida. Um poeta disse uma vez que “ou a vida é uma grande aventura, ou ela nada é”. E uma aventura necessita ousadia e riscos assumidos. Querido leitor, assim, quando a vida lhe der uma goleada, por favor, não desista. Continue ousando.

Os novos “Meninos da Vila” possuem uma reputação a manter. O Santos tem sido prodigioso em apresentar ao Brasil e ao mundo safras de bons meninos formados, quase sempre, na base e que depois alçam grandes vôos pelos clubes europeus. Uma tradição que vem de uma time inesquecível que tinha um menino chamado Edson, de apelido Pelé.

O tempo trouxe outros grandes times de garotos, com Juari, Pita e companhia em 78. Mais recentemente, Diego e Robinho e ainda ontem Ganso e Neymar. Você sabe que vem coisa boa quando os meninos entram em campo como quem vai jogar uma pelada no campinho do bairro.

Não é à toa que o Santos levou as duas últimas Copas São Paulo de Futebol Júnior. Por isso, vem mais por aí, com Cittadini, Stéfano Yuri, Lucas Otávio. Os torcedores vão se acostumando com Geuvânio, Gustavo Henrique, Gabriel, o Gabigol. Meninada que joga com alegria e pra cima dos adversários, com as bençãos de Oswaldo de Oliveira.

Não é uma derrota que deve tirar o trem-bala desses bons garotos do trilho. Oswaldo de Oliveira sabe muito bem disso e tratou de colocar as coisas no eixo. Elogiou o bom time do Penapolense, que soube, num dia mágico, se aproveitar das poucas fragilidades do adversário e, com um jogador a mais em boa parte do jogo, aplicar um placar maiúsculo no grande Santos. Mas Oswaldo também reforçou os pontos positivos de seu time e deixou claro, em alto e bom tom: “meu time continuará com suas características ofensivas”.

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Certíssimo!

No cenário do covarde futebol de resultados que vimos no último Campeonato Brasileiro, o Santos volta a ser uma lufada de brisa fresca no mofado quarto escuro por onde anda escondida e acanhada nossa bolinha pequena ultimamente.

E que Felipão possa ter a mesma coragem de Oswaldo e do mestre Telê, e possa ousar para mostrar o que de melhor temos em nossos campos. Nosso melhor e autêntico futebol só será resgatado quando novamente se vestir da alegria de Dadá Maravilha, do despojamento de Garrincha, do improviso de Pelé, da ousadia de Zico, do jeito moleque de Robinho e Neymar. O que fica para a história é a mágica. Não apenas os resultados.

Deixem os meninos jogarem!