Blog do Ari: O que dá pra melhorar neste time da Ponte Preta?

Time volta a mostrar erros de partidas anteriores apesar da vitória

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Extremamente pertinente a pergunta que o repórter José Henrique Semedo, da Rádio CBN-Campinas, fez ao treinador Osvaldo Alvarez, o Vadão, da Ponte Preta, após a vitória por 1 a 0 sobre o Linense na noite desta quarta-feira. em Campinas.

– Dá pra tirar mais deste time da Ponte?

Ético como sempre, Vadão disse que sim. Convenhamos que não dá pra tirar muito mais do que isso que se vê hoje. Uma jogada ensaiada aqui, uma adaptação acolá, e uma entrada de jogador que ainda não estreou – como o lateral-esquerdo Carleto – pode revigorar um pouquinho a equipe.

O certo é que falta um pouco de tudo neste time pontepretano. E a discussão certamente ganharia profundidade se o zagueiro Diego Sacoman não salvasse duas reais chances de gols do time de Lins, ambas provocadas por erros crassos do lateral-esquerdo Magal, que deu a bola de presente a adversários.

Pior é que sem o mínimo constrangimento Magal ainda conjugou o verbo no plural, em entrevista à Rádio Brasil de Campinas: “O importante é que soubemos superar…”

‘Soubemos’ vírgula. Além de quase comprometer o time pontepretano nos lances citados, Magal não acrescentou absolutamente nada no apoio ao ataque. Falta confiança ou condição técnica para dar continuidade às jogadas. Aí faz o passe lateralmente ou recua a bola.

ADEMIR E SILVINHO

Calma, não é só Magal o problema. Individualmente Silvinho e Ademir tiveram atuações lastimáveis, e desta vez não se pode dizer que a bola não chegou ao ataque.

É natural que Ademir, recém lançado no time principal, oscile de produção. Quanto a Silvinho, está explicado o porquê foi prescindido no elenco do São Paulo.

Como qualquer atacante mais centralizado é dependente de jogadas pelas beiradas do campo ou bom abastecimento de meias, o desempenho de Alemão foi prejudicado. E ao se irritar da situação igualmente errou nas poucas vezes que participou do jogo.

Acrescente que o passe do improvisado lateral-direito Ferrugem não tem sido bom, e isso implica em perda de jogadas ofensivas.

ADRIANINHO

Pra completar aquilo que foi elencado como desarranjo, não se iludam com um ou outro lançamento de trinta metros do meia Adrianinho. A incidência de erros dele com a bola nos pés tem sido altíssima. Quem duvidar basta assistir ao teipe do jogo. E isso se arrasta desde o ano passado. Logo, um bom banco de reservas seria o caminho mais justo. Assim, entraria circunstancialmente no time no transcorrer das partidas.

Arriscar quem como meia? Se a procura é por um organizador, que se adiante o polivalente Fernando Bob, jogador de bom passe, dinâmica na evolução das jogadas e capacidade para escapar de um adversário através de um drible e clarear a jogada.

O recuo de Alemão, transformando-o num meia-atacante para chegava com a bola à área adversária é outra alternativa. Talvez ele e Bob possam ser fixados como meias, com vantagem de se ganhar em pegada no meio de campo.

Tudo está ruim? Claro que não. Muita boa a atuação do volante Bruno Silva, quer desarmando, quer cobrindo o lado direito do campo. A dupla de zaga foi bem, com César e Sacoman, e o goleiro Roberto praticou defesa extremamente difícil no final da partida.

TÁTICA

Sobre a parte tática do jogo? A Ponte mostrou disposição e tomou iniciativa de ataque.

Com os erros já elencados, só ameaçou pra valer através de cabeçadas de Bruno Silva, uma delas convertida em gol após cobrança de escanteio, e outra em que a bola tocou no pé da trave.

Era de se esperar que o Linense saísse da toca no segundo tempo, após placar adverso. Aí o treinador Vadão pensou em povoar o meio de campo com a entrada do volante Bida no lugar de Alemão, sugerindo que os velozes Silvinho e Ademir pudessem puxar os contra-ataques.

Ambos não fizeram isso e muito menos Rossi que entrou no lugar de Ademir. Logo, a bola não parava no ataque pontepretano e o Linense chegou a pressionar no final da partida.

Só pra arrematar: acho que dificilmente alguém poderá contestar que o cartão amarelo provocado por Alemão, naquele carrinho desnecessário, lembrou muito os tempos do catimbeiro atacante Serginho Chulapa. Lembram-se como ele cavava uma suspensãozinha para evitar viagens longas? Então, qualquer semelhança seria mera coincidência?