Especialistas criticam previsões de receita de Andrés Sanchez para o Itaquerão

O ex-presidente do Corinthians tenta passar informações ilusórias através de um porta-voz na imprensa

Andrés Sanchez utilizou sua mais recente conquista na imprensa esportiva, recém transformado em seu novo amigo de infância para contestar aqueles que, segundo ele, duvidam da auto suficiência financeira do Estádio Itaquerão.

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São Paulo, SP, 17 (AFI) – Andrés Sanchez utilizou sua mais recente conquista na imprensa esportiva, recém-transformado em seu novo amigo de infância e porta-voz, para contestar aqueles que, segundo ele, duvidam da auto-suficiência financeira do Estádio Itaquerão.

O curioso é que ninguém da oposição corintiana ou mesmo da situação, com quem Sanchez está rompido, deu qualquer entrevista a respeito.

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Todos esperam a inauguração do Itaquerão e seu futuro para ver no que vai dar. Sanchez, que anda muito nervoso, pelas últimas atitudes, parece estar vendo fantasmas embaixo da cama e convenceu o seu novo porta-voz (cuidado com o emprego, Olivério Jr!) a divulgar suas otimistas previsões de receitas para o Itaquerão.

O novo porta-voz é o mesmo que há cerca de dois meses, depois de visita ao Itaquerão, escreveu uma coluna dizendo-se maravilhado com os “banheiros com descarga elétrica do Estadio”. (sic)

Não é estranho, portanto, que o porta-voz, mesmo confessando candidamernte não ser bom com números, tenha mandado para frente as previsões alucinantes de receitas do Estádio fornecidas por Sanchez. Jornalismo de primeira, como se vê.

O Portal Futebol Interior resolveu consultar alguns experts do mercado e saber a opinião dos mesmos a respeito dos “50 milhões de lucros por ano, no mínimo” que Sanchez promete que o Itaquerão vai alcançar.

As previsões de Andrés Sanchez sobre as receitas futuras do Itaquerão não fazem sentido para especialistas ouvidos pelo FI.

“Na verdade não dá para fazer uma análise porque os indicativos fornecidos pelo ex-presidente são tão amadores que chega a ser constrangedor falar a respeito dos mesmos”, diz Avelino Cortellini, Administrador de Empresa e Professor, proprietário da Marca Consultoria, empresa que já estruturou 30 shopping centers e diversos empreendimentos imobiliários de grande porte em mais de 25 anos de mercado.

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Cortellini, que reúne em seu currículo consultoria a empreendimentos também no exterior, explica:

“Não há referenciais no Brasil que possam ser utilizados como ponto de partida para projeções de receitas de estádio. Ponto. Via de regra, estádios entre nós, dão prejuízo. Uma exceção de estádio de futebol rentável é o Morumbi, preferido das grandes atrações musicais que visitam o país. Mas, mesmo assim, sua receita líquida, que é superior aos gastos com sua manutenção, representa um retorno modesto no balanço oficial do clube. O que quer dizer: jamais o São Paulo, mesmo com um estádio consolidado, conseguiria quitar uma dívida de 1 bilhão de reais a longo prazo, o que acarreta custos financeiros altos, além do valor principal, contando apenas com o retorno obtido pelo estádio. Com o Corinthians não é diferente. Empreendimentos do porte do Itaquerão para terem sucesso, dependem de funding definido antecipadamente. A pessoa responsável pelo estádio não tem este recurso e provavelmente nem saiba do que se trata”.

Para Cortellini é o que vai acontecer com o Itaquerão:

“Não há mágica que feche a conta. Mostrem a qualquer formando de economia os números: 1 bilhão de reais a pagar (mais os serviços, ou seja, os juros); e, de outro lado, aquilo que um estádio como o Itaquerão pode gerar de receita. Para ajudar, vamos considerar juros subsidiados de 8% ao ano. Mesmo assim a dívida dobra em 12 anos. O seu entrevistado vai lhe dizer o óbvio: o business não pára em pé”.

Para Paulo Tessari, da Tess Consultoria, expert em análise do projetos financeiros, que tem entre seus clientes, simplesmente o Banco Mundial, vai mais longe:

“O que li são números jogados sem qualquer responsabilidade. E é tudo tão primário que as receitas são consideradas como se obedecessem a uma performance linear. Não há referência à matriz de risco, parece conversa de botequim”.

O que também chamou a atenção dos especialistas ouvidos foi o fato de o responsável pela implantação do Itaquerão afirmar, a pouco mais de dois meses da Inauguração do estádio, que não tem condições de fornecer o custo final da obra.

“4 milhões de lucro por partida jogada no Itaquerão? E dizer que vai pagar o estádio com esta fonte de renda? O que transparece é que nem a empreiteira, nem o Fundo dono do estádio têm interesse em fornecer informações a respeito do projeto”.

Não se pode esquecer (fato ocultado na divulgação das possíveis receitas) é que, se elas não atingirem o valor necessário para o Corinthians reaver o estádio, mesmo assim estas receitas irão diretamente para o Fundo, proprietário do empreendimento.

O Corinthians poderá, então, gerar indefinidamente receitas que não lhe pertencerão e não serão suficientes para quitar o seu débito com o Fundo. Coisa de gênio financeiro, como se percebe. Ou seja: o Corinthians entrou com o terreno, as garantias, pois o Parque São Jorge está penhorado, com a marca e não é dono do estádio!!

“É uma verdadeira caixa preta. Se fosse um empreendimento particular, ok, tinha que se respeitar o sigilo comercial. Mas sendo um estádio que está utilizando a marca Corinthians para se alavancar, o básico exigível é que se tenha um mínimo de transparência. O que se lê é que o responsável pelo estádio não tem nenhum interesse em mostrar os números. Ou então está simplesmente perdido e o business foge completamente de seu poder de entendimento. Ele demonstra ser uma pessoa extremamente limitada ao se expressar de maneira geral e, no caso do estádio, em particular”.

Para o professor Adriano Machado, dono da Plane, conceituada empresa especializada em Avalação de Ativos Intangíveis, as previsões de receita do business são “uma coisa sem pé nem cabeça”.

“Ora, a construção não tem um orçamento? Não há planilhas mensais? Não se sabe hoje o quanto exatamente já se gastou. Se nem estes dados, que são elementares em qualquer negócio estão disponíveis, como levar em conta previsões para um, dois e até 12 anos?. Realmente, vocês me desculpem mas não há o que considerar a respeito”, diz um dos três especialistas ouvidos pelo FI.

Conclusão: trabalho duro pela frente, porta-voz!