Blog do Ari: Defeitos & defeitos; a Ponte Preta precisa reformular
Se vitórias enganosas mascararam realidade, goleada para o Santos mostrou tudo
Quando o treinador da Ponte Preta Oswaldo Alvarez, o Vadão, falou, dias atrás, que o elenco precisa de no mínimo oito jogadores para o Campeonato Brasileiro da Série B estava coberto de razão. Em quase todos os compartimentos o time precisa de gente nova para não provocar dissabores ao seu torcedor, como na goleada sofrida para o Santos por 4 a 0, na noite desta quarta-feira no Estádio da Vila Belmiro, pelas quartas-de-final do Campeonato Paulista.
A diferença técnica e física do Santos para a Ponte é gritante e o favoritismo santista estava mais do que desenhado. A equipe ataca bastante e cria várias situações de gols ao longo de partidas. Logo, apenas um adversário com eficiência defensiva tem chances de evitar o pior.

E como esperar eficiência da defesa da Ponte se ela marca a bola e não o adversário? Isso foi citado na coluna até mesmo na vitória diante do Rio Claro e fartamente dissecado na derrota para o Palmeiras.
Eis a questão: Vadão conseguirá reposicionar esta defesa no período preparatório à Série B? Melhor trocar algumas peças. É preferível apostar neste atalho.
No primeiro gol santista, que saiu de cobrança de escanteio, quem estava marcando Cícero? No segundo gol, por que o lateral-esquerdo Magal foi tentar dar o ‘bote’ em Leandro Damião por dentro, desconsiderando que Sacoman já estava no lance. Pior: deixou o seu setor desguarnecido e disso se aproveitou Geuvanio, que antes de marcar ainda aplicou drible seco no zagueiro César.
No terceiro gol Magal ficou parado, só observando Gabriel finalizar. A rigor, o lateral marcou mal e não acrescentou absolutamente nada quando foi ao ataque.
Observem pela televisão que quando o Santos fechou o ‘caixão’, no quarto gol, havia três jogadores da Ponte contra dois do Santos. Ora, Cícero e Diego Cardoso deveriam receber marcação e ainda sobraria um jogador pontepretano. Mais uma vez marcaram a bola e Cardoso só escorou.
BURACOS
Claro que todo contexto do jogo tem que ser analisado e aí observa-se o enorme buraco na marcação no meio de campo pontepretano por falta de jogadores com aptidão de pegada, exceto os volantes.
O meia-atacante Antonio Flávio e o meia Adrianinho marcam? Claro que não. Os atacantes Alemão e Silvinho ajudam na marcação? Pouco. Logo, é evidente que haveria sobrecarga para Bruno Silva e Fernando Bob.
Outro grande problema da Ponte é a falta de qualidade do meio de campo pra frente. Difícil acreditar que as ‘viúvas’ de Adrianinho ainda vão cobrar a escalação dele no time na Série B. Questão óbvia e ululante.
Silvinho oscila muito e abusa da individualidade. Pior é que é desarmado constantemente e com isso provoca contra-ataques ao adversário. Quem joga bola sabe que situação deste tipo irrita companheiros de equipe.
E a permanência de Alemão na Ponte já deve ser questionada porque não é jogador com a cara do clube. Não vibra. Aceita pacificamente a marcação adversária. Ou muda de comportamento, ou deve procurar outro rumo.
Definitivamente não dá pra subscrever Ferrugem como lateral-direito e é questionável se, mesmo retornando ao meio de campo, deveria ter camisa num time com pretensão de se qualificar.
OBJETIVIDADE SANTISTA
O Santos soube explorar os defeitos da Ponte e certamente sequer se incomodou com o pseudo domínio dos pontepretanos em parte do jogo.
Aquela coisa da boleirada da Ponte rodar a bola de uma lateral a outra já no campo ofensivo e se caracterizar pela demora interminável de aproximação à da área adversária era aquilo que os boleiros santistas mais queriam. Assim, sobraria espaço para que pudessem explorar a velocidade no característico estilo vertical da equipe.
Evidente que o Santos voltou a explorar com frequência os lados do campo, como também manteve a compactação. Assim, quando a bola era perdida ficava mais fácil o ‘bote’ imediato na tentativa de recuperá-la rapidamente.
LUCRO
Apesar de tudo, o torcedor pontepretano há de convir que o seu time está no lucro. Do jeito que Vadão pegou este time, despedaçado, já foi além das expectativas.
Que se intensifiquem, portanto, a preparação para o Campeonato Brasileiro da Série B. E sem paternalismo. Se tiverem que ‘rifar’ boleiros improdutivos, não passem vontade.
E que de fato Vadão assuma isoladamente a responsabilidade pelas contratações. Se depender de palpites do protegido supervisor Marcus Vinícius fica difícil projetar reforços qualificados.





































































































































