Triste! Noroeste deixa de ser clube tradicional do interior e chega ao fundo do poço
O Norusca foi rebaiaxado para a Segundona com a derrota no último sábado para o Tupã
As esperanças acabaram. Com a derrota por 3 a 1 para o Tupã, neste sábado, o Noroeste está oficialmente rebaixado para o Campeonato Paulista da Segunda Divisão (Quarta e última divisão do futebol paulista). Quem acompanhava o Noroeste até o início de
Bauru, SP, 07 (AFI) – As esperanças acabaram. Com a derrota por 3 a 1 para o Tupã, neste sábado, o Noroeste está oficialmente rebaixado para o Campeonato Paulista da Segunda Divisão (Quarta e última divisão do futebol paulista). Quem acompanhava o Noroeste até o início desta década, jamais pensaria que o clube bem administrado pela família Garcia, sobretudo Damião Garcia chegaria até o fundo do poço. Administrações ruins, dívidas e escolhas erradas levaram um dos clubes mais antigos e tradicionais do interior paulista ao caos.
Damião Garcia deixou saudades no NoroesteFundado no dia 1º de setembro de 1910 (mesmo dia que o Corinthians), o Noroeste tornou a cidade de Bauru conhecida não só pelo famoso lanche que leva queijo, presunto e tomate, mas também pelo futebol. Profissionalizado em 1948, o Norusca, como é carinhosamente chamado pelos torcedores e imprensa, chegou à elite pela primeira vez em 1954, após conquistar a 2ª Divisão no ano anterior.
Na elite, o time conseguiu se tornar tradicional, por montar esquadrões competentes que faziam frente a grandes clubes como São Paulo, Palmeiras e Corinthians. Criado em Bauru, o próprio Rei do Futebol, Pelé, dava entrevistas indicando um carinho especial pelo Noroeste. Em 1966, porém, o time bauruense não resistiu e acabou rebaixado.
De volta à elite na década de 1970, o Noroeste ganhou ainda mais notoriedade e inclusive disputou a Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro. Na época, o clube estava com tanto prestígio, que conseguiu contratar o ponta-direita Jairzinho, o “Furacão da Copa de 1970” e um dos maiores ídolos da história do Botafogo. As boas campanhas durariam até 1981, quando voltou a ser rebaixado para a Segundona e não conseguiu mais formar grandes times, vivendo uma fase “ioiô”, subindo e descendo da elite do Campeonato Paulista.
A entrada da Família Garcia
O Noroeste só voltaria a chamar a atenção novamente quando a família Garcia, sobretudo Damião Garcia, assumiu a gestão do clube. Com um apoio de uma grande empresa de papelaria e informática por trás, o time teve uma ascensão meteórica e conseguiu o acesso em 2004 da Série A3 para a Série A2. No ano seguinte, mais um acesso e o retorno para a elite. Em sua reestreia no Paulistão, o Norusca fez bonito e terminou na 4ª posição, com um time comandado pelo experiente Paulo Comelli e que trazia jogadores experientes, como o meia Hernani (ex-São Paulo e Ponte Preta) e promissores, como Otacílio Neto (Ex-Corinthians e Bahia) e Lenílson (Ex-São Paulo e Vitória).
Título da Copa Paulista de 2012, o último suspiro do NoroesteA fase era tão boa, que o Noroeste ganhou o apelido de “Maquininha Vermelinha”, chegando a disputar a Série C do Campeonato Brasileiro. Em 2007, mais uma boa campanha e o sétimo lugar no Estadual. Um ano depois, o time ainda foi vice-campeão do interior, perdendo a final para o Grêmio Barueri. O time ainda conquistaria a Copa Paulista de 2012, sob o comando do então promissor, Moisés Egert.
A saída da Família Garcia e a derrocada
Com a saída de Damião Garcia, Aniz Buzalaf assumiu o clube e aí começou a derrocada. O dirigente brigou com jogadores, os humilhando perante a imprensa, não pagou os salários e levou o clube a mais 40 aç]ões trabalhistas.
Em 2013, já no Campeonato Paulista da Série A3, o conselho do Noroeste votou pela saída do incentivo vindo do principal patrocinador, trazido por Damião Garcia ao time e com isso o dirigente deixou o comando do Norusca. Mesmo com o título da Copa Paulista no ano anterior, o Noroeste não soube valorizar o seu elenco e começou a acumular dívidas. Sem apoio de patrocinadores fortes, restou apostar em jogadores e comissão técnica desconhecida.
No começo até deu certo. O Noroeste chegou a ficar entre os primeiros colocados no início da Série A2, mas conforme a competição foi apertando, a crise veio à tona. O time despencou na tabela de classificação, não conseguia atrair técnicos, recorreu ao gerente de futebol Luciano Sato no comando do time e acabou rebaixado para a Série A3.
O rebaixamento foi o pior dos problemas do time bauruense. Afogado em dívidas, correu o risco de encerrar as suas atividades e só foi salvo graças a um aporte financeiro vindo do atual presidente do clube, Emílio Brumatti e do investidor Toninho Gimenez, que futuramente demonstrariam que não tinham a mesma competência de Damião Garcia para gerir o clube.
O Noroeste já começou a temporada de 2014 de forma errada. A ideia era montar um time forte para a disputa da Copa São Paulo de Futebol Júnior e assim usar esta base para a disputa da Série A3. O técnico tanto do profissional como do Sub-20 seria Luciano Sato, o mesmo gerente de futebol que caiu com o time um ano antes. Aconteceu o esperado por todos, menos pela diretoria. O time de Bauru fez uma péssima campanha na Copinha, não classificando para a Segunda Fase e sem um grande destaque que pudesse ajudar o time de forma mais plena na Série A3.
Os erros na Série A3
Endividado, com um elenco pequeno e fraco, só um milagre salvaria o Noroeste do rebaixamento para a Segundona. O objetivo desde o início era a manutenção na Divisão, mas uma série de erros na gestão levaram o time a ficar durante toda a competição na zona de rebaixamento.

Já era claro que Luciano Sato não era o técnico ideal para o Noroeste. Gerente de Futebol, ele era obrigado a acumular funções e não conseguia separar o joio do trigo em um elenco tão fraco. Sem sequer avisar o então técnico, o presidente Emílio Brumatti contratou Ney Silva, um técnico sem identificação com a torcida e que desde que assumiu o time, só arrumou intrigas no vestiário. Sem clima, ele também foi demitido e Jorge Saran, que já tinha trabalhado no clube, veio para ser a “salvação”.
Nem o ex-dirigente do Noroeste conseguiu dar jeito na crise tamanha que tinha virado o Noroeste. Ciente e que não poderia ajudar, pediu demissão e deu lugar a Vitor Hugo, o técnico que tinha levado o Norusca a elite em 2004.
Com o experiente técnico no comando, o Noroeste ainda conseguiu respirar, mas não tinha como fazer um milagre em um time tão fraco, endividado e em crise. Deu o que já era previsto. Triste para o futebol paulista, triste para o Noroeste, mas mais uma vez, um clube tradicional chegou ao fundo do poço por administrações ruins, erros de gestões e de escolhas. Será o fim do centenário Noroeste? O apaixonado pelo futebol paulista espera que não, mas muita coisa, muita coisa mesmo precisa ser mudada.
Os tradicionais que chegaram na Segundona
Não é a primeira vez que um time tradicional chega até a última divisão paulista. Vale lembrar que só na temporada atual estão disputando a competição o União São João de Araras, primeiro clube-empresa do Brasil e que conseguiu dois títulos brasileiros (Série C em 1988 e Série B em 1996), a Portuguesa Santista, três vezes terceira colocada no Paulistão (última vez foi em 2003), o XV de Jaú (presença constante na elite na década de 1970) e o Nacional (um dos clubes fundadores da Federação Paulista de Futebol).
Todos esses trazem consigo um fator em comum: administrações ruins que os levaram até o fundo do poço. Após chegar na Segundona, a volta se torna mais complicada, vide a Briosa, que caiu na Série A3 em 2010 e até hoje, quatro anos depois, ainda não conseguiu retornar.
Prejudicados pela Lei Pelé
Muitos destes clubes sofreram com a Lei Pelé, uma lei elitista e regulamentada no final dos anos 90. Isso porque a lei foi madrasta com os clubes do Interior, com excelência na formação de jogadores. Sem a sua principal receita, que vinha da venda dos passes dos atletas, os clubes ficaram com receitas baixas. E demoraram para encontrar soluções.
Alguns deles deram sorte e arrumaram presidentes com dinheiro e sem medo de aplicá-los no clube, como a Ponte Preta há quase duas décadas dependente do empresário Sérgio Carnielli. Alguns tiveram que se recorrer a empresários e investidores, mas a maioria caiu no “conto do vigário” e nas mãos de aproveitadores, quase sempre impunes. Nesta onda, alguns clubes tradicionais despencaram, o Juventus e a Portuguesa Santista que disputaram a elite na primeira década do século 21.





































































































































