Blog do Ari: Guarani só perdeu ao liberar a sua casa para a Nigéria
De prático vai restar apenas o novo gramado do Estádio Brinco de Ouro
O finado jornalista Brasil de Oliveira ensinava aos discípulos que não se deve ser oportunista e chutar ‘cachorro morto’. Na linguagem simplificada, o velho Brasa advertia que cabe ao cronista não esperar o desenrolar dos fatos para criticar.
Como jamais me posicionei favorável à liberação do Estádio Brinco de Ouro como casa dos nigerianos no período pré e durante a Copa do Mundo, faço questão de recapitular a coluna publicada no dia 15 de janeiro passado.
‘O Guarani ficou de ‘rabo preso’ com a Prefeitura de Campinas por causa da dependência da aprovação do projeto do novo viário no entorno do Estádio Brinco de Ouro. Logo, jamais os seus dirigentes cogitariam negar o pedido para que a seleção nigeriana faça uso de suas dependências para preparação no período pré e durante a realização da Copa do Mundo.
Se num primeiro momento a cessão de sua casa aos africanos parecia um negócio vantajoso, à medida que os fatos foram esclarecidos a conclusão que se chega é nem tudo é mar de rosa.
SÓ O GRAMADO
Dias atrás [naquela ocasião] o diretor geral do Guarani, Marcos Ortiz, esclareceu nas rádios de Campinas que das obras a serem realizadas no Estádio de Ouro, para recepcionar os nigerianos, vai sobrar ao clube apenas um novo e qualificado gramado.
Obras de adequação no salão social do Guarani – que será transformado num comitê de imprensa – não serão aproveitadas posteriormente. Pelo projeto de transformação do Brinco de Ouro aquelas paredes vão ruir, assim como os espaços das vitalícias, sociais e cabeceiras.
Evidente que a vinda da seleção da Nigéria a Campinas trará projeção à cidade, agitará o turismo local, o comércio lucrará e vai robustecer politicamente homens do primeiro escalão da Prefeitura de Campinas.
E o Guarani? Fará as suas andanças em cidades da região para mando de seus jogos no Campeonato Paulista da Série A2, inicialmente no acanhado campo do municipal de Paulínia. Consequentemente, o seu torcedor não terá o conforto de sua casa.
E quem supunha que a vinda da Nigéria fosse resultar numa verbinha da Fifa ao Guarani se enganou. Não entra nadinha aos cofres do clube.
Portanto, na contabilidade só prejuízo; na política o lucro que os cartolas tanto sonharam’.
O texto da época foi este. Hoje, acrescentaria que o prejuízo é contábil e técnico. Numa Série A2 tão fraca conforme conferimos, mesmo com time limitado as chances de acesso do Guarani, jogando em seu estádio, seriam infinitamente maiores.





































































































































