Ex-pedreiro, talismã do São Bento vive sonho com acesso

Jogador passou por momento de dificuldades no início da carreira, mas deu a volta por cima

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Sorocaba, SP, 15 (AFI) – Há alguns anos, o servente de pedreiro Marcos Paulo Santos Nascimento saiu de sua casa, no bairro Sideral, na periferia de Belém-PA, atrás de um sonho: ser jogador profissional. No domingo, dia 13 de abril de 2014, no Estádio Sílvio Salles, na cidade de Catanduva, depois da vitória por 2 a 1 do São Bento sobre o Catanduvense, que selou o acesso do time sorocabano à elite do futebol paulista, Markinho celebrava o primeiro passo rumo à realização de seu sonho, com lágrimas suas, de seus pais e do quatro irmãos.

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Mais do que isso, ganhou desde o jogo contra o Santo André, um apelido carinhoso do torcedor do centenário azul e branco: talismã. Um apelido que foi repetido há mais de duas décadas por outro jogador carismático, revelado no mesmo São Bento: Pedro Francisco Garcia, Tupãzinho, que virou xodó da torcida corintiana ao marcar o gol do primeiro título brasileiro diante do São Paulo, em 1990.

“Fiquei muito honrado com a comparação da torcida e da imprensa com o Tupã. Conheço a história dele, e a importância dele para o São Bento e Corinthians, e estou muito feliz por esse momento que estamos vivendo e que culminou com esse acesso para a primeira divisão. Agradeço a Deus a tudo que está acontecendo comigo, assim como ao Paulo (Roberto) e a diretoria confiou em mim”, disse.

Pedreiro
Markinhos é filho do pedreiro João Carlos, 49 anos, e de Maria Judith, 48. De família humilde, teve dividiu uma pequena casa na periferia de Belém com quatro irmãos: Paula Thais, 27, Rafael Miller, 26, Carlos Maurício, 29 e Pâmela Rafaela 17 anos.

“Em Belém eu ajudava meu pai como ajudante de pedreiro. Rra muito difícil a vida lá, pois muitos garotos tem um sonho de ser jogador de futebol. Graças a Deus consegui vir pra São Paulo e hoje estou ajudar meus pais e minha família”, explicou.

“Minha mãe não queria que eu jogasse bola. Eu tinha medo de chegar no meu pais para pedir para ele deixar eu treinar, pois eu e meu irmão ajudávamos ele como servente. Depois de criar coragem eu falava e ele liberava”, recordou o novo talismã.

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Vida dura
Markinhos lembra que como toda periferia de cidade grande, a vida é dura com problemas de educação, saúde etc. E para quem quer ser jogador, mais ainda.

“Lá (em Belém-PA), só tem três times, Paysandú, Remo e Tuna Luso, mas nenhum me deu a oportunidade, tive que jogar na escolinha do Cruz Azul, do seu Hailton e da dona Wilma, que era treinadora. Eles me ajudaram muito no começo. Aliás, hoje em dia quem não tiver empresário fica muito difícil”, recorda Markinhos.

Sonho
Além de jogar em um grande clube do futebol brasileiro, Markinhos revela que tem outros sonhos a realizar e que vai lutar por eles. “O meu grande sonho agora é conseguir dar de presente para minha mãe, lá em Belém uma boa casa. Meu pai está sempre que pode aqui em São Paulo e fala pra minha mãe do orgulho de ver o filho jogar no futebol aqui” contou o jogador.

Depois de não ter chances nas avaliações do Paysandu, Markinhos foi para a Inter de Limeira e trabalhou com o treinador Luiz dos Reis. Voltou ao Pará, mas não teve chances no Paysandu, quando o treinador Edson Vieira o trouxe para o Taubaté. De lá seguiu para a Votuporanguense, onde foi campeão da Segundona e posteriormente para o São Bento. Ficou no elenco com Paulo Roberto e neste ano conseguiu o acesso com o São Bento.

Futuro
Markinhos disse que ainda não definiu seu futuro. “Estamos descansando e celebrando o acesso até agora. Vamos conversar com a diretoria do São Bento, um clube que gostei de trabalhar, com pessoas de bem e se pudesse optar, gostaria de ficar por aqui, até porque tem uma grande torcida que incentiva a gente. Mas vamos aguardar. Fico muito feliz de ter feito os gols mais importantes da história do São Bento., mas temos que aguardar pois depende da diretora do clube também”, finalizou.