Silvio Gumiero: O Palmeiras e os contratos de produtividade

Só servem para clubes médiso e pequenos ou para jogadores ascendentes ou ainda em busca de espaço

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Pagar pouco ao funcionário e dar bônus conforme o resultado alcançado, é o que as empresas mais querem nos dias atuais. Esse método de remuneração conduz o colaborador a dar mais de si em prol dos lucros. Isso só é válido para as médias e grandes empresas, porque necessitam do aval dos respectivos sindicatos, o que dificulta para as pequenas.

A revista inglesa The Economist acaba de divulgar um artigo sobre a estagnação da produtividade brasileira há 50 anos, em virtude de que o trabalhador brasileiro é preguiçoso e ineficiente. Eu não concordo com esses adjetivos mas que a produtividade no Brasil é baixa, é uma verdade. Alguns veículos de comunicação brasileiros e o Governo Federal estão contestando a revista por causa da matéria.

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No futebol, há muitos anos, o XV de Piracicaba-SP através do seu presidente na época, Romeu Ítalo Rípoloi, adotou esse critério de pagar pouco aos seus jogadores e dar premiações polpudas com as vitórias. Deu resultado e o XV foi disputar o título do Campeonato Paulista com o Palmeiras e acabou sendo vice-campeão. Agora o Palmeiras está implantando essa filosofia. O seu presidente Paulo Nobre, homem de negócios, está levando avante dessa forma, os contratos com os seus jogadores e até com o treinador Gilson Kleina.

O método é interessante e é aceito por jogadores sem expressão, por aqueles que estão começando e outros em fim de carreira. Cito como exemplos, Tiago Alves, Rodolfo e Lúcio. Alan Kardec e Weslley são jogadores diferenciados nas suas posições e não estão aceitando assinar seus contratos dessa forma.

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O empréstimo do Alan vence em junho e o Benfica, detentor do seu direito econômico, quer 4 milhões de euros pela liberação. O Palmeiras até que topa pagar esse valor, mas o que está sendo negociado é o seu salário incluindo a produtividade. E se ele se machucar e ficar um bom tempo inativo, como é que vai ser?

Já Weslley tem contrato até fevereiro de 2015 e a partir de agosto ele pode assinar um pré-contrato com outro clube. O Palmeiras deve 21 milhões de reais ao Angeloni, presidente do Criciúma-SC, porque ele avalizou a dívida palmeirense a favor do Verder Bremem da Alemanha e acabou pagando a conta. Só com muito dinheiro é que o Palmeiras vai encontrar substitutos para os dois.

Agora é hora do Paulo Nobre, que já avalizou pessoalmente uns 80 milhões de dívidas, usar o bom senso e fechar contratos com o Alan e o Weslley. É o ano do centenário e da inauguração da Allianz Park. Esses dois eventos valem o esforço financeiro para ficar com esses dois jogadores.