Blog do Ari: ‘O futebol tem razões que a própria razão desconhece’

Frase do francês Blaise Pascal se adapta bem ao time pontepretano

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O pensador francês Blaise Pascal foi o criador de uma das mais sábias frases: o coração tem razões que a própria razão desconhece. Pascal, que viveu no sáculo XVII, foi um físico, matemático, filósofo moralista e teólogo. É dele, igualmente, frases que merecem reflexão como ‘não tenho vergonha de mudar de idéia porque não tenho vergonha de pensar’, ou ‘quanto mais conheço as pessoas mais gosto de meu cão’.

Puxando estas tais razões para o futebol, se encaixaria muito bem uma frase do tipo ‘o futebol tem razões que a própria razão desconhece’.

Por que isso? Simples. Se o treinador Dado Cavalcanti, da Ponte Preta, mostra coerência ao sinalizar a saída do volante Adilson Goiano de sua equipe para a partida contra o Luverdense, neste sábado, o tratamento direcionado ao meia Adrianinho é questionável. Ele é ‘imexível’ ou prepara-se clima para posterior mexida?

De fato Adilson Goiano não tem convencido sequer no desarme, tido como o seu ponto forte. Assim, a avaliação de substituição de jogador na posição está corretíssima.

A pergunta lógica e inadiável é por que o meia Adrianinho, igualmente tão mal tecnicamente, é merecedor de nova chance na equipe?

Não atribuam ao treinador pontepretano desconhecimento da matéria. Ele é novo no ramo, mas conhece o traçado na relva, ou pressupõe-se que conheça.

NOVA GERAÇÃO

Acontece que no futebol nem sempre dois mais dois são quatro. A treinadorzada da nova geração – e alguns até mais antigos também – avalia o ‘termômetro’ do grupo de atletas para tomadas de decisões.

Na concepção deles pesa ascendência do boleiro sobre o elenco, identificação com torcedores e aspectos psicológicos que possam envolver uma mexida. Então, por temeridade de se tomar decisão impactante, coloca-se na balança prós e contra e aí geralmente prevalece à hesitação.

Caso se confirme aquilo que a mídia divulgou na tarde desta quinta-feira, com base no treino de conjunto dos jogadores pontepretanos, a constatação será dois pesos e duas medidas.

A incoerência de Dado nos dá o direito de elucubrar e supor que a liderança de Adrianinho no grupo de atletas tenha peso para que permaneça na equipe, até porque o reserva Léo Citadini pede passagem.

É praxe no futebol que profissional em estágio de ambientação ao novo clube – caso do recém chegado Dado Cavalcanti -, evite rota de ‘colisão’ no elenco até que tenha plena radiografia.

Prefiro profissional do tipo ‘aqui mando eu’. Exemplos: Cilinho, Telê Santana e Emerson Leão. Comando é comando; subalterno é subalterno. Claro que tudo com o devido respeito que todos merecem.

Esta conversa de ‘bom vestiário’ não passa de balela. No futebol, até entre titulares prevalece clima divergente, quanto mais no restante do grupo. O jeito é administrar situações com profissionalismo: direitos e deveres do atleta.

É assim na maioria das profissões. Nos meus 36 anos no meio jornalístico sempre tive rusgas com companheiros de trabalho. Nem por isso até desafetos declarados remavam contra a empresa.

Assim também deve ser no futebol. Ou então os incomodados que se retirem.