Editoral FI: Farah deixa o futebol. Para entrar para a história. Agora virou um mito

Futebol Interior já elogiava o revolucionário Farah em sua despedida no futebol. A história provou a verdade

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Campinas, SP, 17 (AFI)- Ao deixar a presidência da Federação Paulista de Futebol (FPF) em 2003, EDUARDO JOSÉ FARAH, já tinha escrito seu nome na história do futebol paulista e brasileiro. E na sua despedida foi enaltecido, como merecia, pelo Portal FUTEBOL INTERIOR. A história provou que ele estava certo, tanto que depois de dez anos Marco Polo del Nero assume o comando da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) dando cabo à hegemonia carioca.

O triunfo de Marco Polo é fruto direto da luta e dos ideais implantados por FARAH à frente da FPF.

Confira o Editorial do Portal Futebol Interior em 2003. E 11 anos depois veja como o tempo tratou de mostrar e comprovar a verdade. É só lembrar os fatos e ver as fotos.

FARAH DEIXA O FUTEBOL. PARA ENTRAR PARA A HISTÓRIA.

Como ele escreveu, de próprio punho, em sua carta aos presidentes de clubes, está encerrado o “ciclo Farah”.

0002048189171 imgFarah com dirigentes na década de 80

O ex-presidente do Guarani Futebol Clube que foi advogado militante no TJD, membro do TJD, Presidente do TJD, Diretor Administrativo da FPF e, finalmente, Presidente da FPF, está deixando o poder.

Da maneira como ele sempre disse que faria e vinha anunciando há pelo menos três anos.

Eleito por aclamação em outubro do ano passado, com mais de duzentos clubes e Ligas presentes na sede da entidade, Farah sai num momento em que pedem que ele fique.

Como Leônidas da Silva, no São Paulo. E Pelé, na Seleção Brasileira e no Santos.

Ele tem os seus motivos e acha que faz o correto e na hora certa.

Não é, entretanto, a opinião de muita gente importante neste país. Farah pode se surpreender nos próximos dias.

Quando assumiu a FPF em 1988, depois de uma renhida disputa com Nabi Abi Chedid, os cofres da entidade não dispunham de recursos nem mesmo para pagar o 13o. salário dos funcionários.

Chedid nunca se conformou com a derrota nas urnas e impetrou nada menos que 17 liminares para impedir que Farah assumisse.

A FPF chegou a sofrer uma Intervenção Federal.

Quando julgadas no mérito, Farah ganhou todas as ações na Justiça.

Três meses após vencer o pleito, Farah começou finalmente a trabalhar.

Dezesseis anos depois, a FPF, que então mal arrecadava para cobrir sua folha de pagamento, possui hoje 26 milhões de reais em caixa!

Não parece mal para um país em que as empresas sofrem uma crise aguda de liquidez e para um futebol que está, literalmente, à beira da falência.

É desnecessário enumerar todos os inesquecíveis campeonatos paulistas realizados na administração Farah.

E o que ele fez para torná-los ainda mais atraentes.

Shows nos intervalos das partidas, distribuição grátis de vale transporte, lanche e refrigerantes nos estádios, venda antecipada de ingressos, sorteios de automóveis nos estádios, oferta on line de ingressos, proibição de torcidas organizadas nos mesmos, com seus mastros de bandeiras que se transformavam em verdadeiras armas mortíferas.

Pense em algo para promover o espetáculo futebol.

A FPF já realizou.

Suas múltiplas ações voltadas para quem vai ver os jogos ao vivo deixam o festejado Estatuto do Torcedor como peça semelhante aos papiros da era pré-Cristo, encontrados no Mar Morto.

É possível um Futebol Profissional rentável?

Pergunte aos clubes paulistas, que chegaram a receber cotas de 600 mil reais para um time grande entrar em campo!

E mais a renda do jogo.

Prêmios?

0002048189177 imgMustafá Contursi, ex-presidente do Palmeiras, e Farah

A FPF já pagou quatro milhões de reais para um campeão paulista! Quatro milhões de reais, você não leu errado não!

Mais do que muitos clubes grandes recebem hoje para disputar um deficitário campeonato brasileiro de oito meses de duração.

Quando a CBF, o Ministério dos Esportes e a Rede Globo precisaram de alguém para ressuscitar o Torneio Rio-São Paulo, quem foram buscar?

Farah.

Que, em um só ano, pagou cotas de 5 milhões de reais aos participantes e nove, nove milhões de reais ao campeão, o Corinthians.

O que ele ganhou com isso?

O esmagamento do Campeonato Paulista e um pé na bunda dos clubes do Rio, da CBF e da própria Rede Globo que não permitiram que um segundo Torneio Rio-SP, remodelado, fosse disputado.

E o Governo Fernando Henrique e o representante do Ministério dos Esportes, José Luiz Portela, tão “interessado” no torcedor e na remodelação do futebol brasileiro, assistiram ao desmanche do Calendário Quadrienal do esporte, passivamente.

Um calendário que o próprio Governo e o Ministério do Esportes tinham criado oito meses antes!!??

Farah havia vendido por 75 milhões de reais os direitos do Torneio Rio-São Paulo entre os clubes das duas maiores cidades do país.

Era preciso estancá-lo. Ele, na prática, era quem estava dando um jeito no futebol.

Davam-lhe um produto moribundo, sem atrativos e ultrapassado e ele conseguia fazê-lo ser rentável e muito.

Este Farah era mesmo um perigo.

0002048189179 imgMarin e Marco Polo: carona de FARAH para chegar à CBF

Imagine se, por descuido, lhe entregam a organização do Campeonato Brasileiro.

Ele, com uma competição destas nas mãos, faria os campeonatos europeus, tão decantados em prosa e verso por uma imprensa esportiva facciosa e muitas vezes mau caráter, parecerem eventos amadores.

Então, paremos Farah, antes que seja tarde.

Castrou-se o Rio-São Paulo. E como recompensa permitiu-se à volta do Campeonato Paulista encaixotado em pouco mais de dois meses de duração.

Um verdadeiro escárnio com o campeonato mais organizado e rentável do país para os clubes.

Relembrando acontecimentos tão recentes, olhando através da janela de sua sala na sede da FPF as ruas e avenidas que se abriram no bairro da Barra Funda, onde antes existiam campos de várzea, ao redor da fábrica de vidros Santa Marina, Farah deve ter pensado:

“Já fiz a minha parte. Os números, os fatos, as conquistas estão aí e falam melhor do que eu. É hora de buscar novos desafios”.

E é isto o que ele está fazendo.

Deixando como fruto de sua gestão além de um excelente superávit em caixa, um edifício de primeiro mundo, inteiramente pago com recursos próprios e que enriqueceu o patrimônio dos clubes do futebol de São Paulo.

Outorgando ao futebol mundial inovações como a dupla arbitragem, o spray demarcador de barreiras, a parada técnica, as sete bolas em jogo, a mundialmente inusitada pré-temporada dos árbitros, todo início de ano, a revelação de excelentes árbitras de futebol e sua valorização, a numeração fixa dos jogadores, a divulgação de tabelas e regulamentos com mais de três meses de antecedência, a abertura de mercado de trabalho para jornalistas com dois programas de TV, um de rádio, jornal e revista mensais, entre tantas outras iniciativas.

0002048189176 imgMarco Polo e Reynaldo Carneiro Bastos: substitutos preparados

Como última atitude a formação de lideranças, aptas a substituí-lo como Reynaldo Carneiro Bastos e Marco Polo Del Nero. O que se não é único, é raro em nosso futebol.

Enfim, Farah está saindo com a cabeça erguida porque realizou mais do que qualquer outro dirigente esportivo brasileiro. Em todos os tempos.

Deve-lhe ser reconfortador saber dos resultados da pesquisa que este site realizou desde domingo e que lhe dá uma vitória consagradora junto ao público, quando se indagava aos internautas se Farah deveria ficar ou ir embora.

Certamente devem enchê-lo de orgulho as manifestações de presidentes de clubes, jogadores e treinadores pedindo que ele continue, mesmo com a decisão tomada.

Por tudo o que realizou, só uma coisa Farah ficou devendo.

Ele merecia críticos de melhor nível e menos pulhas!

Críticos tão inescrupulosos que não se dignam a registrar dados históricos e incontestáveis, como os mencionados aqui.

Falsos guardiães dos bons costumes, esta imprensa pilantra, por exemplo, nunca noticiou que no seu primeiro ano de mandato Farah afastou definitivamente 150 árbitros, moralizando a arbitragem no Estado de São Paulo. Numa limpeza exemplar, jamais ocorrida desde 1942, quando a FPF foi fundada.

Só este gesto concreto valeu mais para o futebol do que milhares de linhas de baboseiras escritas (muitas vezes mal escritas) e que levavam do nada ao lugar algum.

Mesmo dispondo de tantas canais de divulgação, a FPF de Farah também nunca alardeou a parceria que fez com o Governo Mário Covas, subsidiando campanhas que tiraram milhares de meninos da rua e provavelmente lhes salvou a vida. Estão aí os anais da Secretaria de Estado à disposição dos que desejem conhecer as ações sociais que a FPF empreendeu nos últimos 16 anos.

0002048189172 imgDona Josefina e os filhos Jorge e Eduardinho

Farah agora, provavelmente, deverá encontrar um pouco mais de espaço para si mesmo.

Sorte de Fina, a companheira de 45 anos, de Elena, Eduardo, Zezinho e Eliana, os filhos; de Camila e Vitória, as netas, que poderão contar mais com o marido, o pai e o avô.


Os clubes?

Bem, os de São Paulo pelo menos, também terão tempo de sobra.

Para entoar, por exemplo, os versos de Mestre Ataulpho Alves:

“Eu era feliz. E não sabia”.