ESPECIAL FI! Dirigente transforma time paulista no ‘Circo dos Horrores’

O Tanabi virou piada ao contratar Túlio Maravilha, Viola, Cabañas e por último Gessé

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Tanabi, SP, 22 (AFI) – Que Viola, Túlio Maravilha e o paraguaio Cabañas foram bons atacantes isso ninguém discute. Porém, além desta semelhança há outra que os três têm em comum: todos atuaram pelo modesto Tanabi, time da Segundona Paulista (Quarta Divisão Estadual), e que virou piada Nacional nos últimos anos.

Tudo começou em 2011, quando por alguma loucura ou falta de candidatos o Tanabi elegeu Irineu Alves como presidente. Desde então o dirigente priorizou o marketing do clube e deixou de lado o sonho de ascender no futebol paulista. Pouca qualidade em campo e muita desorganização nos bastidores.

0002048191276 imgTúlio Maravilha fez 7 gols pelo Tanabi

Em 2012, o plano de Irineu começou a ser colocado em prática. Isso porque no mês de abril anunciou a contratação de Túlio Maravilha, ídolo do Botafogo e que na época ainda estava em busca do seu milésimo gol. Sua passagem foi meteórica, já que atuou em apenas cinco partidas e marcou sete gols – todos em amistosos.

Na época, apesar do pouco tempo no Tanabi, todos do clube ficaram contentes com a repercussão da contratação. Para o marketing ótimo, mas para o futebol profissional péssimo. Túlio não ajudou o clube a ficar com o acesso na Segundona, embora tenha chegado ao clube ciente de que não permaneceria até o final do campeonato.

Até tu, Viola?
Irineu Alves tornou-se um presidente “mandrake”. O futebol do clube nunca foi prioridade, mas levar o Tanabi às manchetes dos jornais era como se fosse um título. Por isso, depois de Túlio Maravilha quem assinou com o time foi Viola, tetracampeão com a Seleção Brasileira e que fez história em Santos, Corinthians e Vasco.

Sua apresentação foi cômica. Viola pegou uma bicicleta e foi pedalando até a sede do clube. Isso para mostrar que estava bem fisicamente. Lá foi apresentado ao restante do elenco e contou um pouco de suas historias no futebol. Ao contrário de Túlio, o atacante jogaria a Segundona e inclusive balançaria as redes.

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O que poucos se lembram é que ao lado de Viola, o Tanabi também apresentou o volante Cristian Silva, irmão do lutador de MMA e campão do UFC, Anderson Silva. Na ocasião o tetracampeão disse que Cristian abriria a ‘caixa de ferramenta’ dentro de campo para protegê-lo. Piada pronta e que só arrancou um sorriso amarelado do presidente Irineu Alves.

Naquele mesmo ano outro jogador que já tinha feito história no futebol vestiaria a camisa alviverde: Marco Antônio Boiadeiro, vice-campeão Brasileiro com o Guarani e que defendeu Corinthians, Cruzeiro e Seleção Brasileira. Boiadeiro estava há 13 anos parado. Só jogando futebol amador. Até que recebeu e aceitou o convite para atuar, aos 47 anos de idade, na Quarta Divisão. Seu contrato foi de apenas três meses.

Irmão de Ganso e o aventureiro Cabañas
As loucuras do presidente do Tanabi ainda não haviam acabado. Em 2014 o dirigente foi atrás do paraguaio Cabañas, que em 2010 levou um tiro na cabeça e desde então vinha se recuperando. Os quilinhos a mais não significaram nada ao clube, que acertou sua contratação e, de novo, voltou a ficar conhecido nacionalmente.

Cabañas foi recebido pelos dirigentes ainda no saguão do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. E de lá concedeu sua primeira entrevista como jogador do Tanabi. O que é triste para um jogador como ele, que fez historia no América do México e calou o Maracanã ao decretar a eliminação do Flamengo na Libertadores de 2010. Mas, de alguma forma o paraguaio gostaria de retornar ao futebol.

Em meio ao ‘fuzuê’ da chegada do paraguaio, quem também desembarcou no ‘Circo Tanabi’ foi o irmão de Paulo Henrique Ganso, o meia Jonnathan Caldeira. Novamente o clube virou notícia. O contrato assinado foi firmado por 3 meses, já sabendo que o clube não teria forças para se classificar na primeira fase da Segundona.

Dito e feito. Faltando três rodadas para o término da primeira fase, o Tanabi já está eliminado e tem uma das piores campanhas da competição. Em seis jogos foram cinco derrotas, um empate e nenhuma vitória. Uma campanha vexatória, mas que tem a cara de que o comanda.

Cabañas não pode estrear e Gessé conhece ‘sumpaulo’
Embora tenha sido anunciado como reforço, Cabañas não pôde ser inscrito na Federação Paulista de Futebol (FPF) para atuar na Segundona. Tanto é que só foi entrar em campo pelo Tanabi no último final de semana, num amistoso contra o Grêmio Barueri. O jogo terminou 2 a 2, e o paraguaio desperdiçou pênalti nos acréscimos.

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Na oportunidade, outra figura que atuou foi Gessé, jogador que ganhou destaque na internet ao fazer um gol do meio de campo pelo Atlético Acreano, do Acre. Depois do feito ele apareceu no programa Globo Esporte e virou a ‘menina dos olhos’ do apresentador Tiago Leifert. O mesmo elaborou uma campanha para que Gessé concorresse ao Prêmio Puskas, que elege o gol mais bonito da temporada. Sonho do apresentador-comediante.

O engraçado é que Gessé veio atuar pelo Tanabi em apenas uma partida. O Atlético Acreano tem contrato com o jogador até julho, por isso apenas o emprestou para formar dupla com Cabañas. Parceria essa que traduz o que, hoje, é o Tanabi. Muito oba-oba e pouco resultado, que é o que o torcedor espera.

Cabañas dificilmente permanecerá no Tanabi. Inclusive tem proposta para defender o Foz Iguaçu, na Segunda Divisão Paranaense. Todo o elenco deve ser dispensado após o término da primeira fase, uma vez que o calendário terá acabado. Fruto de mais uma péssima administração de um dirigente do interior de São Paulo.