Blog do Ari: Ponte precisa criar alternativas para ajuste de seus atacantes
Ponteiros isolados têm sido absorvidos pela marcação adversária
O principal mérito do treinador Dado Cavalcanti, da Ponte Preta, nestes jogos iniciais do Campeonato Brasileiro da Série B, é ter incutido nos atletas a mentalidade de um time competitivo. E esta voluntariedade foi preponderante para que a equipe conquistasse vitória por 1 a 0 sobre o Boa Esporte, na tarde deste sábado em Campinas.

O time só correu e não jogou bem? Não é bem assim. Comparativamente ao rendimento diante do Paraná, é preciso que se acrescente o futebol convincente do volante Élton, reconhecer que dentro de seu estilo de apenas passar a bola o meia Adrianinho teve bom índice de acerto, e dele não se pode cobrar futebol mais participativo porque foge de suas características.
Quem elenca produção individual de atletas tem que obrigatoriamente citar a facilidade de o lateral-direito Daniel Borges levar a bola ao ataque, mas excetuando-se o tirambaço do meio da rua em que a bola explodiu no travessão, e Cafu conferiu o gol no rebote, Daniel ainda precisa calibrar o pé nos cruzamentos.
Além destes ganhos, verificou-se ainda a repetição do rendimento aceitável dos zagueiros César e Gilvan, o lateral-esquerdo Bryan correspondeu apenas na marcação, e novamente o volante Juninho se agigantou na partida.
Ora, com tantos elogios porque a Ponte Preta ganhou do Boa Esporte apenas de 1 a 0 e criou poucas reais chances de gol?
OPÇÕES OFENSIVAS
O quebra-cabeça de Dado Cavalcanti é buscar alternativas para que o trio ofensivo seja coadjuvado com chegadas de meio-campistas e laterais num processo de jogadas combinadas.
Dado CavalcantiO time atua no modelo antigo de dois pontas abertos que, lançados, tentam fazer jogadas pessoais e perdem a maioria.
Alexandro foi mal pela segunda vez consecutiva, praticamente absorvido pela marcação.
Como o lateral Bryan raramente faz a ultrapassagem e Adrianinho não tem características de encostar para ‘fazer um dois’, visando penetração à área adversária, uma vez bem marcado Alexandro tem desaparecido.
Do lado direito o atacante Cafu até que alia bom balanço e velocidade, mas tem perdido bolas fáceis.
Ele também precisa trabalhar jogadas coletivamente, inclusive em combinações com Daniel Borges.
Não bastasse isso, o atacante Edno, quando enfiado entre zagueiros tem rendimento menor, como ocorreu diante do time mineiro.
Ressalta-se, entretanto, que este trio ofensivo é participativo ao marcar saída de bola do adversário, assim como recua até o meio de campo para a marcação.
SOMATÓRIA DE PONTOS
Se o importante para o torcedor pontepretano foi a somatória de pontos e o objetivo de o time ganhar confiança, a meta inicial é atingida e observa-se a aproximação do pelotão de cima na tabela de classificação.
Apesar disso, Dado Cavalcanti sabe perfeitamente que vai precisar de ajustes ofensivos durante a trégua da Copa do Mundo, inclusive condicionando o garoto Rossi para que, circunstancialmente, seja outra opção de explosão nas partidas.
Esta liga ofensiva implica em sucessivas trocas de posições de Daniel Borges e Cafu, a expectativa de que Bryan possa se soltar e conduzir mais a bola em vez de optar por passes de média e longa distância, a chegada à frente de Elton e, sobretudo, a clara necessidade da contratação de um meia estilo moderno, condutor de bola, que finalize e seja mais participativo. A rigor, a única posição em que não há reposição no elenco, após serem testadas todas as alternativas.
Adrianinho poderia ser uma opção de banco dependendo do termômetro da partida. Léo Citadini está em cotação inferior ao garoto Rodolfo, que entrou bem diante do time mineiro.
NEDO XAVIER
No futebol, novos dirigentes se impressionam facilmente com meia dúzia de palavras rebuscadas de alguns treinadores e acham que o sujeito é o ban-ban-ban, quando na prática sabe pouca coisa de bola rolando e de comando de grupo.
Reafirmo o testemunho de que o treinador Nedo Xavier é talhado à montagem de equipes que marcam bem, às vezes até individualmente.
Nunca lhe dão bons ovos, mas ele sabe preparar a omelete. E isso se repete agora com o time do Boa Esporte, que além da rigorosa marcação ainda trabalha a bola, mesmo que lentamente.
O que se questiona neste time de Nedo é por que o habilidoso Pedrinho ficou no banco e entrou apenas no segundo tempo? Foi dele a única jogada perigosa do time mineiro, quando enfileirou três adversários e finalizou fraco para a defesa do goleiro Roberto.





































































































































