BRASIL: Qual será o legado de sua Copa, Brasil?

Com quase 64 anos de atraso, a Seleção Brasileira tem a chance de ouro de fazer sua torcida comemorar um título em território nacional

Com quase 64 anos de atraso, a Seleção Brasileira tem a chance de ouro de fazer sua torcida comemorar um título em território nacional

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Campinas, SP, 11 (AFI) – Dezesseis de julho de 1950. Aos 34 minutos do segundo tempo, o ponta-direita Ghiggia avança pelo lado direito do campo de ataque. Imaginando que o jogador uruguaio cruzaria em direção ao grandalhão Schiaffino – como fizera em vários momentos do jogo -, o goleiro Barbosa afastou-se da trave esquerda para cortar o cruzamento. Erro fatal. Ghiggia chutou e o arqueiro do Brasil não conseguiu evitar o gol. Naquele final de tarde, 200 mil vozes se calaram no Maracanã. E outros 50 milhões de brasileiros choraram a perda da Copa do Mundo, que já era dada como ganha. Com quase 64 anos de atraso, a Seleção Brasileira tem a chance de ouro – e quem sabe única – de fazer sua torcida comemorar um título em território nacional. E também de impulsionar os 200 milhões de brasileiros a busca a (r)evolução pessoal, coletiva, política, social, entre tantas outras.

Se em 1950 o clima de já ganhou foi apontado como um dos “vilões” daquela Seleção – injustamente ao lado do goleiro Barbosa, é claro -, agora em, 2014 jogadores e, principalmente, a imprensa parecem ter aprendido a lição. Isso, porém, não diminui o otimismo do time brasileiro e do técnico Felipão, que não titubeiam em aponta o escrete canarinho como o favorito ao título. Ao lado, evidentemente, de outros bichos-papões como Espanha, Alemanha e Argentina.

0002050001869 imgO Brasil da Copa de 1950 também era totalmente diferente de hoje. O Brasil do presidente Eurico Gaspar Dutra era rural, com 64% da população vivendo no campo, enquanto hoje ela não chega a 15%. A Capital era o Rio de Janeiro e Juscelino Kubitschek sequer imaginava que a Brasília que idealizou abrigaria tantos corruptos como hoje.

Aquele Brasil tinha metade de sua população analfabeta, que mal sabia pronunciar a palavra a protesto. Tampouco poderia reivindicar, de forma consciente, por melhorias em país que vivia a duras penas a transição do Estado Novo de Getúlio Vargas e o Período Populista. Hoje, embora vivamos a “Era das Futilidades”, a população – impulsionada por internet e redes sociais – começa repetir atos políticos como na época da Ditadura Militar, das Diretas Já ou do Impeachment de Collor. Principal legado da Copa dos gastos bilionários.

Hoje, os alvos são petistas, tucanos e outros bastiões políticos, que transformaram o Brasil em um país emergente, mas a “conta gotas” e na base de uso indevido de dinheiro público. Tais alvos dividem as manchetes dos jornais – dos sites, tecnologia inimaginável em 1950 – com os astros da Seleção. Neymar tem de conviver com à “caça à Dilma”. Felipão precisa dar um chega para lá à crise dos recursos hídricos do PSDB de Aécio e Alckmin. Amarelinha, por muitas vezes, é ofuscado pelos pedidos de CPI do Porto Suape de Eduardo Campos e seu PSB.

A Copa acontece em um momento onde o país vive um estado de ebulição política – certamente causada pelo próprio Mundial. Torcedores do #VaiTerCopa se estranham com a turma do #NãoVaiTerCopa. O fato, porém, é que quando a bola rolar, todo brasileiro – com raras exceções – vai parar, pelo menos por 90 minutos, para torcer pelo Brasil.

0002050001871 imgE o resultado de Neymar, Felipão e companhia poderá ser determinante não só para o futuro futebolístico do Brasil, como também para o futuro da nação. O hexa pode consolidar como o Brasil país do futebol, pagar a “dívida” de 1950, ser a cereja no bolo que vai confirmar o “status” de craque de Neymar, transformar Felipão no mais técnico da Seleção de todos os tempos. Mais do que isso, uma derrota pode mudar até mesmo os rumos políticos do país. Ou alguém duvida que a popularidade de Dilma possa despencar com fracasso nas quatro linhas?

Este é o peso que os 23 comandados de Felipão carregam nos ombros nesta Copa. Peso de uma torcida de 200 milhões de pessoas, de 500 anos de subdesenvolvimento e exploração, peso de uma revolta geral de quem não aguenta mais ter – ou seria não ter? – educação, saúde, segurança, enfim, tantas necessidades básicas deficitárias.

Ao mesmo tempo, estes 23 jogadores terão a esperança, a torcida, o calor humano de 200 milhões, a tradição de uma camisa pentacampeã, a força de quem não desiste nunca, o jeitinho brasileiro, cultura de um país genuinamente do futebol, a ginga de um povo miscigenado, a paixão nacional. Todos predicados, que misturados, nenhuma outra seleção nesta Copa pode contar a favor. E possivelmente nunca contará.

HISTÓRIA
A Seleção Brasileira é a única a participar de todas as edições da Copa do Mundo já realizadas – 20 contando com esta edição – e quase nunca decepciona seus torcedores, tanto que conquistou cinco títulos, sendo a única seleção a erguer o pentacampeonato. A intenção é apagar as exibições decepcionantes dos últimos mundiais (2006 e 2010), quando foi eliminada nas quartas-de-final por França e Holanda, respectivamente.

Nas 19 participações, o Brasil foi eliminado na primeira fase em apenas três oportunidades (1930, 1934 e 1966). A sequência de títulos começou em 1958 na Suécia e depois disso voltou ao lugar mais alto do pódio em 1962, no Chile, em 1970, no México, em 1994, nos Estados Unidos, e também em 2002, na Coréia do Sul/Japão.

Mas um fato curioso e que os brasileiros precisam ficar de olho é quando a seleção enfrentar a Inglaterra. Sempre que elas tiveram em campo, a amarelinha levou a melhor e melhor: terminou com o título da Copa do Mundo. Isso aconteceu em 1958, 1962, 1970 e a última em 2002. A maior goleada do Brasil em uma Copa do Mundo aconteceu em 1950, quando bateu a Suécia por 7 a 1, no Estádio Maracanã, pelas quartas-de-final.

FICHA TÉCNICA

Confederação Brasileira de Futebol

0002050001873 imgO craque: Neymar (atacante, 22 anos) – Logo em sua primeira Copa, Neymar carrega a responsabilidade de liderar o Brasil rumo ao hexa. Aos 22 anos, o jogador é apontado por muitos como o único craque da Seleção. E, pelo menos, os números comprovam isso. Apesar da pouca idade, já soma 31 gols em 49 jogos com a Amarelinha. Outros craques recentes, como Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo, fizeram apena 33 e 34, respectivamente. A esperança do título está depositado nos pés de Neymar. Se ele não brilhar, fica difícil acreditar na conquista.

Olho nele: Willian (meia, 25 anos) – Há menos de um ano, o ex-corintiano não figura em nenhuma das possíveis listas de convocado para a Copa. Lembrado por Felipão no final do ano passado, mostrou o porquê de ter sido contratado pelo Chelsea de José Mourinho. Com personalidade e bom futebol, ganhou a disputa com Lucas e passou Bernardo na fila de reservas. Hoje, é o 12º jogador de Scolari. Mas é bom Oscar não bobear. Se continuar em má fase, Willian pede passagem.

Ranking da Fifa: 3º colocado
Melhor colocação: 5 títulos (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002)
Quantas Copas disputou: 19
Colocação na última Copa:
CT: Granja Comary, em Teresópolis (RJ)
Palpitão FI: Briga pelo título

Time base: Júlio César; Daniel Alves, David Luiz, Thiago Silva e Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho e Oscar; Hulk, Fred e Neymar. Técnico: Luiz Felipe Scolari.

OS 23 CONVOCADOS

Goleiros: Jefferson (Botafogo), Júlio César (Toronto-CAN) e Victor (Atlético Mineiro)

Defensores: Dani Alves (Barcelona-ESP), Thiago Silva (Paris Saint-Germain-FRA), David Luiz (Chelsea-ING), Marcelo (Real Madrid-ESP), Dante (Bayern de Munique-ALE), Maxwell (Paris Saint-Germain-FRA), Henrique (Napoli-ITA) e Maicon (Roma-ITA)

Meio-campistas: Fernandinho (Manchester City-ING), Paulinho (Tottenham-ING), Oscar (Chelsea-ING), Ramires (Chelsea-ING), Luiz Gustavo (Wolfsburg-ALE), Hernanes (Internazionale-ITA), Willian (Chelsea-ING) e Bernard (Shakhtar Donetsk-UCR).

Atacantes: Hulk (Zenit-RUS), Fred (Fluminense), Neymar (Barcelona-ESP) e Jô (Atlético Mineiro).

O PAÍS
Nome oficial: República Federativa do Brasil
Capital: Brasília
População: 201.032.714 milhões de habitantes
PIB: 2,523 trilhões de dólares
Língua oficial: Português
Moeda: Real