Camarões deu espaços para Neymar decidir, mas o Brasil tem defeitos
Volante Fernandinho ajudou a melhorar a qualidade do meio de campo brasileiro
Volante Fernandinho ajudou a melhorar a qualidade do meio de campo brasileiro
Ninguém aplica goleada por acaso por mais fraco que seja o adversário. Analisando por este prisma, a Seleção Brasileira cumpriu bem o seu papel na derradeira partida da primeira fase desta Copa do Mundo ao vencer Camarões por 4 a 1 na tarde desta segunda-feira, em Brasília.
O principal mérito do time brasileiro foi saber explorar a vulnerabilidade da defesa africana que marca em linha e o descuido do treinador de Camarões – o alemão Volker Finke – que não programou marcação individualizada sobre o talentoso atacante Neymar como fez o México, que, de quebra, ainda colocou outro jogador na sobra.
Pois Neymar encontrou generosos espaços até para esnobar de adversários com a bola nos pés, e por isso correu risco desnecessário de ser vítima de entrada desleal. Fez bem o treinador Luiz Felipe Scolari, o Felipão, de preventivamente sacá-lo do jogo pra evitar o pior na metade do segundo tempo.
Os dois gols marcados por Neymar ainda no primeiro tempo deram a tranqüilidade pra se corrigir parcialmente o desajustado meio de campo brasileiro.
E por que desajustado? Primeiro a insistência descabida de Felipão em escalar o volante Paulinho, nitidamente fora de forma. Assim, o mínimo que Fernandinho fizesse, ao substitui-lo no intervalo, já significaria ganho e, por conseqüência, fixação como titular.
Pode-se dizer que o passe de Fernandinho foi melhor e ainda acabou premiado com a marcação de um gol. Defensivamente? Claro que não foi pior de que Paulinho, mas o problema no setor é estrutural.
As obrigações do meia Oscar e o atacante Hulk de cercarem espaços dos adversários no meio de campo têm sido infrutíferas. Ambos não têm tomado bola de ninguém e isso provoca sobrecarga aos volantes, obrigando principalmente Luis Gustavo a se desdobrar. O que se vê são equipes adversários trabalhando a bola neste buraco no meio de campo e só se esbarra ofensivamente pela postura do miolo de zaga brasileiro.
DANIEL ALVES
Esta instabilidade na ‘meiúca’ inibe os laterais Daniel Alves e Marcelo de atacarem seguidamente, como faziam em outras ocasiões.
É necessário que se ressalte que Camarões concentrou as principais jogadas ofensivas pelo lado esquerdo e isso obrigou Daniel Alves a ficar preso na marcação e encontrar dificuldades para o desarme. Mas é preciso ser ressaltado o esforço dele.
Não nos precipitemos com citações de que Fernandinho corrigiu o posicionamento defensivo na cabeça da área do Brasil, porque no segundo tempo foi visível o desgaste físico de Camarões, e as suas jogadas de ataque já não se desenvolviam com a velocidade da fase inicial.
Bem que Felipão deveria buscar outra alternativa para o lugar do ineficiente Hulk. O problema é que Ramirez mais uma vez teve atuação discreta e o recomendável seria uma oportunidade ao também volante Hernane.
Evidente que não se pode mexer por atacado, senão teria lógica buscar alternativas para os lugares de Oscar e Fred, cujos rendimentos não têm sido satisfatórios.
Assim, o time do Brasil tempera jogadores que ratificam a qualidade como Thiago Silva, David Luís, Júlio César, Luiz Gustavo, Neymar e lampejos de Marcelo, com outros que ainda precisam render mais.
Portanto, a goleada sobre Camarões ajuda a devolver confiança àqueles que estão devendo melhor rendimento, assim como renova a energia positiva do torcedor brasileiro.
Cabe ao crítico, entretanto, a neutralidade para apontar o crônico problema no meio de campo, porque agora, nas oitavas-de-final, o jogo contra o Chile é vital. Ganhou passa, perdeu cai fora.






































































































































