Blog do Ari: Brasil, ainda bem que futebol é jogado e lambari pescado
Alemanha é ligeiramente favorita pelo histórico nesta Copa e vasto repertório de jogadas
Começa nesta terça-feira em Belo Horizonte as definições sobre finalistas da Copa do Mundo
Por onde você anda perguntam-lhe ou você ouve a pergunta endereçada a terceiros sobre quem ganha a partida entre Brasil e Alemanha a partir das 17h desta terça-feira, em Belo Horizonte.
Pergunta desnecessária a brasileiros, até porque o coração fala mais de que a razão. A questão correta seria a busca de argumentos que fundamentam eventual vitória do Brasil, que o leve à final desta Copa do Mundo.
Tem gente que aposta no treco chamado tradição, considerando que comumentemente o Brasil leva vantagem nos confrontos sobre a Alemanha. É a velha argumentação de que a camisa brasileira pesa.
Aí vem outro e diz que a torcida brasileira vai empurrar o time e fazer a diferença. Em termos de seleção ajuda um pouco, mas é bem diferente de confrontos entre clubes. Os selecionados são compostos de boleiros calejados com barulho alheio e sabem que o campo de jogo é extremamente seguro. Portanto…
Um terceiro e inconvincente argumento é que os jogadores brasileiros vão se superar por causa da ausência do atacante Neymar.
Esta é a típica conversa pra boi dormir. Até parece que jogador de futebol não dá ‘tudo de si’ em uma partida de Copa de Mundo. Só diminui o ritmo se orientado pra se precaver de forte calor, quando se sugere administrar vantagem de placar, e quando não tiver mais condições físicas. Do contrário, os caras se matam em campo pra tentar ganhar jogo. É indispensável qualquer conotação motivacional.
Apesar dos injustificáveis argumentos, o Brasil pode vencer sim, embora a Alemanha esteja cotada como ligeiramente favorita.
Por que apenas ligeiramente? Porque ninguém deve ignorar a bola parada do Brasil, apesar do alto e eficiente miolo de zaga da Alemanha. Chile e Colômbia já provaram deste veneno.
A imprevisibilidade do futebol pode implicar em uma tarde desastrosa dos alemães e aí os brasileiros tirarem proveito.
Expulsão de jogador em Copa do Mundo é coisa natural, até porque jogadores têm hábito de colocar força desproporcional nas disputas e choques mais fortes são previsíveis.
Logo, um alemão expulso ainda no primeiro tempo de certo muda totalmente a história da partida.
Desconsiderando as imprevisibilidades do futebol, baseando-se apenas na lógica pelo retrospecto das duas equipes nesta Copa, e dimensionando bem as perdas irreparáveis do atacante Neymar e do zagueiro Thiago Silva, as chances de classificação são ligeiramente maiores para a Alemanha, e não dá pra esconder isso.
Qual o motivo? O time alemão é mais compacto e se distribui num espaço que raramente excede 40 metros de distância da primeira a última linha. Isso equivale dizer que quando chega ao ataque com vários jogadores, a defesa se posiciona na altura do meio de campo.
Aí você contra-argumenta que o Brasil deve fazer uso do contra-ataque, e há quem diga que a defesa alemã é lenta e marca em linha.
A compactação dos jogadores alemães permite sempre a sobra de um deles quando exigidos em jogadas de velocidade. Os zagueiros Hummels e Boateng beiraram a perfeição no quesito desarme sem o recurso de faltas.
De mais a mais, quem poderia puxar contra-ataques em velocidade no time brasileiro?
Neymar seria o ‘cara’. Difícil imaginar Oscar desempenhando a função. Bernard, se escalado, pode até levar a bola, mas falta continuidade, conexão com Fred. William? Seria uma opção mais como organizador e não como definidor.
A opção mais comentada para uso do treinador Luiz Felipe Scolari, o Felipão, seria a formatação com três volantes, para fechar os espaços do adversário.
Teoricamente seria a opção mais válida, pois assim Felipão apostaria em ‘uma bola’ na tentativa de vencer o jogo, ou arrastá-lo para prorrogação e pênaltis.
Neste raciocínio, a tendência seria maior volume de jogo dos alemães, e não se tem plena segurança se Dante, escalado como substituto de Thiago Silva na zaga, dará plena conta do recado.
Diante do quadro exposto, considerando-se o aproveitamento do jogo aéreo da Alemanha em lances de bola parada com avanços dos zagueiros grandalhões, e o extenso repertório de jogadas deste amadurecido time – que busca pacientemente brechas para definição de jogadas ofensiva -, o jogo é uma incógnita para os brasileiros.
Então, ficamos assim. Como futebol é jogado e lambari pescado, tudo pode acontecer.





































































































































