Blog do Ari: Quando Campinas voltará a revelar autênticos dirigentes de futebol?
Marco Eberlin foi o último membro de diretoria da Ponte que conhecia o riscado
Marco Eberlin foi o último membro de diretoria da Ponte que conhecia o riscado
Revelar bons jogadores ficou difícil para o futebol campineiro por ‘ene’ motivos. Se no passado eram raros os clubes que trabalhavam bem as categorias de base, Ponte Preta e Guarani tinham cuidado especial com os infantis, juvenis e juniores, e por aqui ‘brotavam’ jogadores de qualidade.
Aí veio a Lei Pelé pra chutar o balde de vez, matando a galinha de ouro dos pequenos clubes. Hoje, o garoto qualificado é disputado por empresários ainda no nascedouro para o futebol e o destino é grandes clubes e até alguns do exterior.
Há tempos Campinas deixou de revelar dirigentes que conhecem bola rolando e as mumunhas do futebol. De certo o último com estas aptidões foi Marco Antonio Eberlin, vice-presidente de futebol da Ponte Preta até a década passada.
Eberlin, cujo berço no futebol foi a várzea campineira através do Alvorecer, deu um salto gigantesco a partir do momento em que chefiou o Departamento Amador da Ponte.
Hábil, procurou se aproximar de pessoas conhecedoras do riscado, foi armazenando conhecimentos e posteriormente os colocou em prática.
A Ponte Preta já teve dirigentes qualificados e abnegados. Jorge Ferreira dos Santos, Armando Martins de Oliveira, Geraldo Camargo (o Camarguinho), Luiz Antonio Campagnone e Peri Chaib são exemplos típicos.
Eles jamais ‘tomavam dribles’ de treinadores que sequer sabem dar treinos, que não têm leitura de jogo e que enrolam incautos da bola com palavras bem encaixadas.
Daquela leva, Peri Chaib transportou para o profissionalismo a malícia do futebol amador a fim de não ser enganado por trapalhões do meio.
GUARANI
Quanto ao Guarani, outrora foi um clube extremamente organizado e com um presidente de visão extraordinária, caso de Jaime Silva, que alavancou obras sociais e no Estádio Brinco de Ouro entre as décadas de 50 e 60.
É necessário que se reconheça o salto de qualidade do clube dado pelo então presidente Leonel Martins de Oliveira na década de 70, e a sequência melhor ainda através da dupla Ricardo Chuffi e Michel Abib – presidente e vice respectivamente -, num período em que passaram pelo clube dirigentes como Vilmar Serra e Sidnei Pavan.
Antonio Tavares Júnior assumiu a presidência em 1980 e foi incompreendido e criticado inclusive pelo colunista aqui. A história mostra, entretanto, que foi o responsável pela construção de quatro quintos do Tobogã e uma série de obras sociais no clube.
O último presidente de registro no Guarani foi o ousado Beto Zini, que montou equipes competitivas sem o dinheiro do Clube dos 13, mas sempre disputava as primeiras colocações de campeonatos regionais e nacionais.
Foi na gestão Zini que o clube revelou a última safra de destacados dirigentes que integraram o grupo TABA (Torcedores Amigos Bugrinos Associados), entre eles Fernando Pereira, Milton Fernandes Alves, Raul Celestino Soares, Samuel Rossilho, André Ciarelli e José Roberto Pizatto, que em diferentes departamentos prestaram relevantes serviços ao clube.
ERROS & ERROS
Depois disso inexplicavelmente o Guarani não contou com um dirigente sequer de expressão. Pelo contrário: Leonel Martins de Oliveira voltou ao clube desatualizado e teve péssima gestão.
Marcelo Mingone e Álvaro Negrão, que o substituíram, não têm histórico de homens do futebol e não souberam desenvolver mecanismo para frear a galopante dúvida do clube.
Diante do quadro exposto, a questão é a seguinte: quando Campinas voltará a revelar autênticos dirigentes de futebol?
O dia em que isso acontecer Guarani e Ponte Preta não vão mais jogar tanto dinheiro no ralo por incontáveis equívocos de contratações de jogadores e membros de comissões técnicas.





































































































































