Blog do Ari: Que falta faz aquele campinho esburacado de outrora!
Décadas passadas, a insistência de dribles resultava em mais habilidade à molecadinha
Falta de novos talentos deixa o futebol feio
Nada contra propostas que defendem implementações de centros de treinamentos de futebol para as categorias de base como ‘ferramenta’ para facilitar o surgimento de novos talentos.
Estou convicto, entretanto, que ressentimos mais daqueles campinhos de terra batida e esburacados em que a molecadinha participava de peladas diárias.
A molecadinha de algumas décadas pegava em enxadas e limpava terrenos de 250m ou 300 m quadrados. Depois fincava duas traves de bambus ou separava dois tijolos identificados como espaço do gol, e colocava bolas de borrachas pra rolar.
De certo os jovens de hoje dirão que aquilo era de um terrível mau gosto, mas não era. Se aquelas oscilações de terreno tiravam a bola da direção pretendida para o passe, a recompensa era a insistente opção do drible.
Na época, os pés da molecadinha parecia ímã diante de uma bola revestida de ferro, tal a facilidade de caminharem bem grudados.
Torção de tornozelo por causa de campinhos esburacados? Raramente. Risco sempre maior era voltar pra casa todo ralado e sem a ‘tampa’ do dedão por causa daquele ‘rapadão’.
De tanto se habituar aos campinhos esburacados o moleque ampliava a habilidade e isso tinha um tremendo reflexo quando o trocava pelo campão gramadíssimo, que parecia um tapete.
Pernas do moleque daquela época eram ‘flexíveis’ para escalar muros altos ou desaparecer em pontas de abacateiros em alguns segundos.
Como os campinhos feitos a enxadas desapareceram em centros urbanos bem desenvolvidos e o moleque de hoje prefere a perna dura sem se desgrudar do vídeo games, a conseqüência tem sido o futebol feio mostrado por aí. E sem tendência de mudança.





































































































































