Fato inédito na Arena Barueri: time dá W.O. na Série D por falta de salários

Jogadores do Barueri não foram ao jogo porque não aceitaram cheques e promessas de pagamentos atrasados. Decisão inédita tem base legal.

Jogadores não foram à Arena Barueri em prosteto contra a diretoria

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Barueri, SP, 15 (AFI) – A Série D do Campeonato Brasileiro começou com um W.O nesta sexta-feira. Sem salários há quatro meses de direitos de imagem e dois meses em carteira, o elenco do Grêmio Barueri se recusou a entrar em campo contra o Operário-MT, nesta noite, na moderna Arena Barueri, e o time paulista foi considerado perdedor pela arbitragem após não aparecer no duelo. O fato é inédito no futebol brasileiro.

A possibilidade disso acontecer foi divulgada, com exclusividade, pelo Portal FUTEBOL INTERIOR, quarta-feira, e graças à ação efetiva do Sindicato dos Atletas do Estado de São Paulo – Sapesp – e de seus advogados, os irmãos Thiago e Filipe Rino. Este é um fato que deve intimidar muitos maus dirigentes e também muitos “picaretas” que vivem de golpes em clubes de futebol.

O “Caso Barueri” já era esperado e indicado pelo Portal FI. Alberto Ferrari é um empresário, um dos sócios da Academia K2, que, como tantos outros, acha que entende de futebol, mas se perdeu com a gestão do futebol do clube. É mais um exemplo de empresário que investe errado, se assessora muito mal e descarta profissionais competente e do ramo. Uma pena que mancha o nome da cidade, localizada na região metropolitana de São Paulo, e que já representou o Estado de São Paulo no Brasileirão.

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NEGOCIAÇÕES FURADAS

Durante a tarde desta sexta-feira, os dirigentes do Barueri se reuniram com o elenco para tentar reverter a decisão. Os jogadores, no entanto, se permaneceram irredutíveis em meio a ofertas de renegociação da dívida e decidiram não ir para o jogo. Os membros da diretoria pediram para que os jogadores esperassem até o próximo dia 20 para tomar qualquer medida drástica.

Por volta das 18 horas, o presidente do clube, Alberto Ferrari, apareceu no CT para tentar renegociar os vencimentos. O mandatário, que estava hospitalizado durante a semana para uma cirurgia da retirada de apêndice, levou um cheque com 50% do valor da dívida, mas como medo de calote, os jogadores não aceitaram o acordo e não saíram da concentração.

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Advogado Felipe Rino

“Hoje foi escrita uma importante página na história do futebol brasileiro. Uma página triste, mas um marco do renascimento do nosso futebol”, afirmou o advogado Felipe Rino, representante do elenco do Grêmio Barueri, contratado pelo Sindicato dos Atletas do Estado de São Paulo – Sapesp.

W.O CONFIRMADO
Como o jogo estava marcado para às 19 horas, a delegação do Operário seguiu para a Arena do Barueri e entrou em campo normalmente, junto com o trio de arbitragem. Após esperar 30 minutos, o árbitro Rafael Traci-PR confirmou o W.O e decretou o time mato-grossense com três pontos. E com o resultado de 3 a 0, como está no regulamento e na lei.

“Tivemos que fazer nossa parte. Viemos até o estádio e cumprir nosso papel. É uma coisa triste, mas fizemos nosso papel”, confirmou o presidente do Operário, Geovani Bannegas.

O Grêmio Barueri vive situação crítica também dentro de campo. O time paulista está na lanterna do Grupo A6 sem nenhum ponto. Enquanto o Operário chegou aos nove e encostou no Tombense-MT na briga pela primeira posição. Os dois times têm nove pontos, mas o time mineiro leva vantagem no saldo de gols: 6 a 5.