Série D: Justiça trabalhista 'prende' jogadores no Ipatinga. Entenda!

Esse bloqueio proíbe a movimentação financeira do clube, ou seja, nenhum jogador pode ser vendido ou comprado

A ‘Justiça Comum’ interveio de novo no futebol brasileiro. A 4ª Vara do Trabalho de Coronel Fabriciano bloqueou os diretos econômicos e federativos dos jogadores do Ipatinga-MG

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Ipatinga, MG, 17 (AFI) – A ‘Justiça Comum’ interveio de novo no futebol brasileiro. A 4ª Vara do Trabalho de Coronel Fabriciano bloqueou os diretos econômicos e federativos dos jogadores do Ipatinga na Série D do Campeonato Brasileiro. O Juiz responsável pela decisão é Uilliam Frederic D’Lopes Carvalho.

Esse bloqueio proíbe a movimentação financeira do clube, ou seja, nenhum jogador pode ser vendido ou comprado. Segundo o presidente Jaider Moreira, em entrevista exclusiva ao Portal Futebol Interior, o Ipatinga irá recorrer. “Com certeza vamos recorrer, a justiça não pode impedir os jogadores de trabalhar! Mas, ao contrário do que está sendo veiculado, os atletas podem rescindir o contrato, afinal a decisão proíbe movimentação financeira”, comentou.

Jaider Moreira é o presidente do Ipatinga na Série D do Campeonato Brasileiro

Jaider Moreira é o presidente do Ipatinga na Série D do Campeonato Brasileiro

Já eliminado no Grupo A4, o clube mineiro cumpre tabela nesta sexta-feira, às 16h, contra o Vitória da Conquista. Antes de começar a Série D, diretoria e jogadores estavam apalavrados sobre a rescisão de contratos caso o time não desse continuidade à próxima fase da competição. Como as vitórias e a classificação não vieram, a diretoria manterá a palavra.

Muitos atletas já estavam com propostas em mãos e se assustaram com a decisão judicial da Vara Trabalhista. Segundo Jaider, essa não é a primeira vez que isso acontece no futebol brasileiro. “Essa não é a primeira vez que isso acontece no Brasil, sabe? É que o Ipatinga é o alvo da vez. Mas é claro que pretendemos pagar a dívida, assim que o dinheiro entrar faremos isso”, concluiu.

‘A dívida’ que Jaider Moreira se refere são os R$ 236 mil para Mazola Júnior, ex-treinador do Ipatinga. O técnico e seu auxiliar, Felipe Moreira, abriram um processo trabalhista em 2013 contra o clube mineiro.

BOM SENSO

Em sua página na rede social, o Bom Senso F.C., entidade mobilizada por jogadores e ex-jogadores interessados em melhorar o futebol brasileiro, soltou uma nota sobre o caso. O ‘post’ trata a ação judicial da 4ª Vara do Trabalho de Coronel Fabriciano é inconstitucional, já que proíbe os atletas de trabalharem. Confira na íntegra o comunicado:

O Bom Senso FC se solidariza com os jogadores do Ipatinga FC/Betim que por decisão da Justiça do Trabalho mineira tiveram cerceado o direito ao livre exercício da profissão.Trata-se de mais um verdadeiro gol contra os direitos do trabalhador!

Na tentativa de garantir o pagamento da dívida trabalhista do clube, a decisão judicial bloqueou não só os direitos econômicos, como também os direitos federativos dos 39 atletas vinculados ao Ipatinga FC/Betim, impedindo a transferência dos atletas e, por consequência, privando os jogadores do direito à livre escolha de onde e para quem trabalhar. Os princípios da liberdade, da dignidade da pessoa humana e da autonomia da vontade, basilares de nosso ordenamento jurídico, foram literalmente jogados para escanteio.

É inacreditável mas novamente, os atletas, principais vítimas da má gestão dos clubes de futebol ‘profissional’ , levam uma bola nas costas! Já os dirigentes, estes sim responsáveis diretos pelo surgimento de dívidas impagáveis, são os principais beneficiados, porque além de não serem pessoalmente penalizados, recebem como bônus da ‘justiça’ a garantia de perpetuação do trabalho de uma equipe inteira de atletas profissionais.

O caminho escolhido pela Justiça do Trabalho, além de um retrocesso, claramente não é a solução. Não é punindo o trabalhador que vai se resolver a questão. Qual a culpa dos atletas? Por que puni-los? E se não receberem seus salários? E se receberem melhor proposta profissional? Por que não punir os dirigentes?

Claramente, essa situação só irá mudar quando os dirigentes finalmente passarem a ser responsabilizados por seus atos de gestão. Precisamos que a Lei seja aplicada, precisamos urgentemente que o art. 27 da Lei Pelé seja colocado em prática e que os dirigentes passem a responder solidariamente, com seus bens, pelos atos de gestão temerária. É preciso avançar e não retroceder! É preciso aplicar a lei e não voltar no tempo!

Vamos acompanhar de perto a entrada dos atletas no campo dos Tribunais Superiores, e ecoaremos à torcida para que consigam reconquistar o livre exercício do trabalho, direito fundamental estabelecido na Constituição Federal.

Bom Senso Futebol Clube

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