E agora, Nobre? Quem salva o Verdão?
À deriva, sem norte, Palmeiras se debate fragilmente enquanto afunda cada vez mais na areia movediça que a diretoria criou
Não era o Cruzeiro, líder da competição. Nem o São Paulo ou qualquer outro time que está lutando pela ponta da classificação. O algoz do pobre Palmeiras era o Goiás
Não era o Cruzeiro, líder da competição. Nem o São Paulo ou qualquer outro time que está lutando pela ponta da classificação. O algoz do pobre Palmeiras era o Goiás, time que vem brigando por posições intermediária, e que estava desfalcado de alguns jogadores, além do técnico. Mesmo assim o que se viu foi um chocolate humilhante no Palmeiras, como se jogasse um time de homens contra um time de meninos, muito semelhante à derrota da Seleção Brasileira para a Alemanha na Copa do Mundo.
Particularmente, assisti apenas ao primeiro tempo, o suficiente para entender o Palmeiras está se debatendo desesperadamente enquanto afunda cada vez mais nessa areia movediça criada
pela própria diretoria. Dorival Júnior, o técnico que chegou para salvar a pátria alviverde, pouca ou nenhuma culpa tem. É um técnico, não um milagreiro de plantão. E pode ainda até salvar o time da degola, porque conhece futebol. Mas não tem ovos para essa omelete.
O jornalista Juca Kfouri já pediu a cabeça de Paulo Nobre, presidente do Palmeiras, em seu Blog. E sugeriu, ironicamente, que Brunoro fosse o técnico do time em campo. Não acho que a o dirigente vá renunciar. Investiu (mal) muito dinheiro nesse elenco e precisa reabastecer o próprio caixa. Não vai sair antes de recuperar (com todos os juros e dividendos) cada centavo mal aplicado no time. E é evidente que Brunoro não vai dirigir o time.
Pessoalmente, continuo achando que, de tudo que foi feito de errado desde o começo da competição, as duas piores decisões tomadas foram as demissões de Kleina e de Gareca. Nessa ordem. Kleina não é gênio, mas não é pior que a média dos técnicos do campeonato. E tinha o time nas mãos. Conhecia as deficiências da equipe e havia declarado que o Palmeiras jogaria para manter-se na Série “A”. A diretoria achou pouca a ambição do treinador. Imaginou que poderia ir mais longe, depois de vencer a série “B”. Dispensou Kleina. Trouxe a opção “C” dos planos que traçara para recolocar o time entre os grandes. Ricardo Gareca.
O que fizeram com Gareca foi ainda mais vergonhoso. Chamaram o bom profissional, deram carta branca para contratações, trouxeram novamente as opções “C” da lista oferecida pelo treinador, e depois, sem chance para que Gareca pudesse ter tempo de organizar o grupo e mostrar a que veio, cobraram resultados, amarelaram, e demitiram o rapaz. Ficaram com o espólio de jogadores indicados pelo argentino. Jogadores que Gareca conhecia bem e dos quais poderia tirar algum leite. Para Dorival, esses atletas não passam de pedra.
A conclusão simples é a seguinte: o Palmeiras pode até não cair. Mas merece. E se caísse com Gareca, teria minha defesa, pois representaria a aposta a longo prazo em um novo projeto. Mas agora, é apenas o naufrágio desesperado de um barco sem nenhum rumo.
Pode não cair, porque há muito equilíbrio na parte de baixo da tabela de classificação. Duas ou três vitórias consecutivas podem fazer a diferença. Mas o maior candidato à degola é o glorioso alviverde, no ano de seu centenário. É a consequência de decisões equivocadas, tomadas por razões perversas, por dirigentes que se acovardam ou simplesmente não enxergam a realidade tal como ela é. Felizes devem estar Kleina e Gareca. Não por se livrarem desse perrengue nas últimas rodadas do campeonato. Mais por se livrarem dessa diretoria, equivocada (para dizer o mínimo) sem rumo e que não representa a glória e a história da Sociedade Esportiva Palmeiras.





































































































































