Sem rival, Horley Senna é aclamado presidente do Guarani

Com ajuda da Magnum, o dirigente tenta reerguer o Bugre

Com ajuda da Magnum, o dirigente tenta reerguer o Bugre

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Campinas, SP, 11 (AFI) – O Guarani escolheu o novo presidente para os próximos dois anos e meio. Candidato único no pleito deste sábado, Horley Senna foi aclamado para ocupar o cargo máximo na diretoria do Bugre. Ele ficará no cargo até março de 2017. Ele entra na vaga que era de Álvaro Negrão, que renunciou a presidência em setembro.

Horley havia sido derrotado nas últimas três eleições para presidência. Alternativa da oposição nos últimos anos, ele ganhou importância nos bastidores na reta final da Série C. Com a parceria da Magnum, pagou salários atrasados e premiações que mantiveram o Bugre vivo com chances de classificação até a última rodada.

Horley Senna, no centro, entre seus pares e disposto a terceirizar o futebol do Guarani

Horley Senna, no centro, entre seus pares e disposto a terceirizar o futebol do Guarani

Como primeiro ato presidencial, Senna deve confirmar a “terceirização” do futebol em troca de apoio financeiro da Magnum. A expectativa é a montagem de um time competitivo para a disputa da Série A2 do Campeonato Paulista, a partir de fevereiro do ano de 2015, e da Série C do Campeonato Brasileiro. .

Nos próximos dias, o Guarani deve confirmar a nova diretoria de futebol. Lucas Andrino será o diretor de futebol e homem forte. Isto é certo. A expectativa, no entanto, é se Sérgio do Prado permanecerá no clube. Ex-Palmeiras, ele chegou ao clube antes do início da Série C, mas não teve um bom trabalho

Assis Eurípedes de Oliveira, Carlos Aparecido Queiroz, Luiz Carlos de Almeida Silva e Ozéias de Jesus dos Santos também foram aclamados como membros do Conselho de Administração ao lado dos remanescentes, Gustavo Moura Tavares e Luiz Antonio Carreira Torres.

CRISE
Em dois anos este é o quarto presidente do Guarani. Antes de Horley Senna, tentaram comandar o clube o veterano Leonel Martins de Oliveira, que presidiu o clube nos anos 70 e 80, depois Marcelo Mingone, de família tradicional na cidade, e Álvaro Negrão.

Negrão assumiu o clube após a destituição de Mingone e ficou menos de um ano cargo. Ele viu alguns pequenos grupos opositores inviabilizarem o que parecia ser a única alternativa para sanar com as dívidas estimadas em R$ 200 milhões, entre ações trabalhistas e encargos fiscais: a venda parcial ou total da área do Estádio Brinco de Ouro, pouco mais de 80 mil metros quadrados perto da região central de Campinas.

Um dos projetos era vender, para uso imobiliário, os arredores do Brinco, que seria destruído e em seu lugar construído um estádio bem menor, com capacidade de cerca de 20 mil torcedores. Mas este e outros projetos foram todos derrubados pelo conselho deliberativo, o que também inviabilizou qualquer “aceite” a eventuais propostas para a negociação.

HISTÓRIA
O Guarani brilhou no final dos anos 80 e 90 com o presidente Luiz Roberto Zini. Ele entregou o cargo, com problemas de saúde, em 1999. A partir daí, a administração ficou nas mãos de José Luiz Lourencentti, que além de não ter conhecimento na administração acabou se enfraquecendo com a Lei Pelé. Na época, a grande receita do Guarani, como dos clubes do Interior, era obtida com a venda de jogadores.

A administração Lourecentti “enterrou” o clube em ações trabalhistas e em dívidas até 2006. Mais recentemente, outros dirigentes tentaram resolver estas questões, como o ultrapassado presidente Leonel Martins de Oliveira, que também caiu, através de um impeacheament histórico.

Ainda mais perto, outro dirigente que presidiu o clube foi Marcelo Mingone, que trabalhou na base do clube com o próprio Leonel Martins. Na verdade, Mingone foi eleito sob a alcunha de Leonel Martins, segundo a oposição, para “encobrir a sujeira que havia ali dentro”. Quando se viu perdido politicamente, Leonel fez uma manobra e colocou Mingone na presidência. Ele presidiu o clube por um ano e meio, conquistando como melhor resultado o vice-campeonato paulista de 2012 – perdendo para o Santos de Neymar.

Mas logo em seguida, Mingone também perdeu apoio político e fez algo pior ainda praticamente negociando os principais jogadores revelados no clube. Desta forma, teria “faturado” perto de R$ 5 milhões. O dirigente insistiu sempre em desmentir tal acusação dos opositores. Pouca gente acreditou na versão dele.