Lusa, pesos e medidas

Portuguesa cai para a série “C” e Corinthians se safa de perder quatro pontos por escalar jogador irregular

​Não está muito distante. A polêmica dos quatro pontos perdidos pela Portuguesa de Desportos por escalar irregularmente o jogador Héverton

0002050039414 img

Não está muito distante. A polêmica dos quatro pontos perdidos pela Portuguesa de Desportos por escalar irregularmente o jogador Héverton ainda dói na lembrança dos seus fanáticos torcedores, como meu amigo Paulo, da Panetteria Di Capri. Mas quem pensava que a facada do STJD iria cicatrizar em breve, se enganou. Ladeira abaixo, a Lusa vai agora disputar a Série “C” no próximo ano.

Sem brilho e sem motivação, o time da Portuguesa fez uma das piores figuras de todos os tempos, num campeonato em que sua melhor classificação foi um pífio 16º lugar. Segurou e continua segurando a lanterna e com um bom número de rodadas de antecedência já está matematicamente rebaixada, para profunda tristeza de sua gloriosa torcida. E para muitos outros torcedores de outros clubes que, como eu, tem a “Burrinha” como seu segundo clube de coração.

Triste. A Portuguesa jogará a Série C do Campeonato Brasileiro em 2015

Triste. A Portuguesa jogará a Série C do Campeonato Brasileiro em 2015

Numa situação parecida, o Corinthians escalou o jogador Petros na 13ª rodada do Brasileirão deste ano, ainda em andamento. Havia um conflito de datas na regularização do contrato do atleta. Mas o STJD decidiu pela inocência do clube e não o puniu com a perda dos quatro pontos – mais multa de R$ 100 mil que caberiam caso fosse confirmada a irregularidade. Dizem os especialistas que neste caso o STJD acertou a mão. Contudo, a pergunta que fica no ar é: se o réu fosse um clube menor e a perda dos pontos beneficiasse um “grande” do Brasileirão, a decisão teria sido a mesma?

Apenas lembrando, a perda dos pontos da Lusa beneficiou diretamente o Fluminense, que, em campo, seria o clube rebaixado ao final do certame. O Flu ficou na série “A” e a Lusa, apesar de espernear, afundou na dificílima série “B”, e agora, um degrau abaixo, vai conhecer a batalha campal da Série “C”, de onde o Guarani FC, de Campinas, ex-campeão Brasileiro, ainda não conseguiu se erguer também neste ano.

É triste ver o time que já nos brindou num passado recente com Dener, Enéas, Marinho Peres e Djalma Santos na situação atual. É evidente que muito da culpa é da própria direção, que permitiu, amiúde, que a situação desmoronasse de vez depois da queda para a série “B”. Mas é verdade também que torna-se cada vez mais difícil aos clubes menores sonhar com algum lugar mais próximo do sol dentro da elite do Campeonato Brasileiro. Chegar onde chegou o Guarani FC na década de 70 é praticamente impossível nos dias de hoje.

Djalma Santos brilhou com a camisa da Portuguesa

Djalma Santos brilhou com a camisa da Portuguesa

Aos clubes menores não basta vencer em campo, com elencos infinitamente mais modestos e sem o forte apoio financeiro que recebem os grandes. É preciso lutar com esses pesos e medidas diferenciados que costumam ser menos severos com os grandes clubes que apoiam a cúpula administrativa do futebol brasileiro. São 20 os clubes que disputam a série “A”. Mas entre eles, somente pouco mais de meia dúzia terão chances reais de chegar ao final entre os melhores. Os eleitos são aqueles que figuram no seleto grupo que reúne os dois grandes do sul, os dois grandes de Minas Gerais e os grandes São Paulo e Rio. Ao restante cabe lutar por lugares no meio da tabela da classificação e suar muito para não ser rebaixado. É assim a triste realidade do nosso futebol.

Assim, assistimos à derrocada da Portuguesa, da mesma maneira que já aconteceu com o Bugre campineiro, fruto da somatória de administrações desastrosas com a perversa estrutura de nosso futebol como um todo. Parece que a goleada que tomamos na Copa do Mundo ainda não acabou…