Adeus a Dalmo Gaspar, uma história que começou no Guarani
Ele se projetou no grande Santos das décadas de 50 e 60 e faleceu nesta segunda-feira
Adeus a Dalmo Gaspar, uma história que começou no Guarani
Nove de abril de 1966, um sábado à tarde. Foi a primeira e única vez que fiquei frente a frente com Dalmo Gaspar, sentado nas cadeiras vitalícias do Estádio Brinco de Ouro ao lado do meia Américo Murolo – que usava óculos -, ocasião em que ambos assistiam à partida preliminar.
Naquela tarde o Guarani ganhou do Juventus por 1 a 0, gol do centroavante itapirense Cristóvão, em partida válida pelo primeiro turno do Torneio João Mendonça Falcão.
Seria demais lembrar a escalação correta do time bugrino e por isso recorri ao site jogosdoguarani.com e constatei que a formação foi esta: Dimas; Deleu, Dalmo, Belluomini (Cidinho) e Diego; Nenê e Américo Murolo; Ademir, Nelsinho, Cristóvão (Odair) e Vicente. O treinador era Godê.
O Dalmo daquele time bugrino é sim Dalmo Gaspar, falecido nesta segunda-feira em Jundiaí aos 82 anos de idade.
Foi no Guarani que Dalmo desabrochou para o futebol e o Santos veio buscá-lo em 1957, com estréia no dia 26 de outubro na vitória sobre o Palmeiras por 4 a 3, no Estádio do Pacaembu.
Ainda recorrendo ao site jogosdoguarani.com, a constatação de que em 1957 Dalmo atuava como lateral-direito do Guarani e participou do amistoso em que seu clube foi goleado pelo Flamengo por 5 a 2, no Estádio Brinco de Ouro, num time que tinha Nicanor, Dalmo e Waldir II; Joe, Sálvio e Waldir I (Henrique); Friaça (Edgarzinho), Vilalobos (Fifi), Romero, Benê e Jansen.
Cabe o registro porque Dalmo teve duas passagens pelo Guarani e poucos bugrinos se deram conta disso.
A biografia dele é concentrada na passagem pelo extraordinário elenco do Santos, onde atuou de 1957 a 1964.
PARADINHA
A história coloca Dalmo como inventor das paradinhas nas cobranças de pênaltis, gesto atribuído a Pelé, que na prática apenas o copiou.
Quem confirmou isso foi o então ponteiro-esquerdo Pepe, companheiro de Dalmo no Santos.
Com ou sem paradinha, este lateral-esquerdo entrou para a história do alvinegro praiano como autor do gol de pênalti que deu vitória à sua equipe por 1 a 0 sobre o Milan em 1963, na terceira e decisiva partida do Mundial Interclubes.
Aquele jogo do bicampeonato foi realizado no Estádio do Maracanã no dia 16 de novembro, num time formado por Gilmar; Lima, Mauro e Dalmo; Zito e Calvet: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.
Como Pelé desfalcou a sua equipe na terceira partida, em decorrência de contusão, o treinador Lula (já falecido) deixou a incumbência de cobrança de pênalti para Dalmo e Pepe. “Quando teve o lance, fomos até a bola e senti firmeza muito grande nele”, revelou Pepe sobre o companheiro.
“Um jogador aplicado como o Dalmo merece estar na história”, acrescentou o ponteiro-esquerdo, que diferentemente do lateral pegava forte na bola também em cobranças de pênaltis, com histórico de ter furado redes adversárias.
E Pepe contou que Dalmo sempre foi titular quer na lateral-direita, quer como volante e ora retornando à zaga, posição de origem. Lula, entretanto, o adaptou à lateral-esquerda.
A despedida de Dalmo do Santos ocorreu em agosto de 1964, na vitória sobre o Juventus por 2 a 1, no Estádio da Rua Javari.
CHUTEIRA DE BORRACHA
Dalmo foi o primeiro jogador brasileiro a utilizar chuteira de borracha no país. O presente foi dado por Pelé em uma das excursões do Santos ao exterior.
O final da carreira de atleta ocorreu como zagueiro central do Paulista de Jundiaí, sua cidade natal, onde também se aposentou como funcionário público e chegou a integrar a equipe de esportes da Rádio Cidade Jundiaí – AM 730, como comentarista.





































































































































