Dívidas trabalhistas, salários atrasados e "sumiço" de verba: bagunça que resultou na queda do Marília
Os jogadores, apesar de todas as dificultades, descartam greve e prometem honrar camisa do MAC
Os jogadores, apesar de todas as dificultades, descartam greve e prometem honrar camisa do MAC
Marília, SP, 02 (AFI) – Um dos times mais tradicionais do futebol paulista, o Marília vive um ano para ser esquecido. Ao longo dos seus 72 anos – fará aniversário no próximo dia 12 -, o MAC teve seu anos de glórias ao conquistar a quarta colocação da Série B do Brasileiro – naquele ano apenas dois conquistavam o acesso -, sem contar o segundo lugar na Série C de 2002. Em 2015, o clube não disputará um torneio nacional já está rebaixado à Série A2, ficando na última colocação do Paulistão, com campanha vexatória. A duas rodadas do fim, disputou 13 partidas e não venceu uma sequer.
Como explicar a campanha pífia do Marília no Paulistão? Tudo começa com uma organização por parte da diretoria do clube, o que claramente o MAC não possui, ou deixou muito a desejar. Lembrando um pouco do passado, em 2014, o clube conquistou um surpreendente acesso à elite do futebol paulista debaixo de dívidas e ameaças de greve. Mesmo assim, os jogadores honraram a camisa e fizeram o inesperado.
A bagunça visando a disputa do Campeonato Paulista 2015 começa aí. Os jogadores ficaram sem os salários de novembro, dezembro e 13° e disputaram a competição à base de promessas. O time já não era um dos melhores e sem entusiasmo acabou pairando o ridículo. Tem, até agora, a pior campanha já vista da competição e não deve mudar. A Série A2 já tem um novo integrante e se continuar assim, o Marília jogará a Série A3 em 2017. Precisa mudar, precisa fazer uma limpa, mas ainda tem muita escondida debaixo do tapete.
DÍVIDAS TRABALHISTAS!
As ações trabalhistas são os principais problemas do Marília para estabelecer as contas em dia, porém, tudo isso foi gerado devido às más administrações passadas. O MAC tem contra si, conforme indicou o relatório emitido pela Justiça de Trabalho de Marília, 275 processos trabalhistas, o que bloqueou parte das Cotas de TV e das rendas do Paulistão 2015.
Diante das penhoras, o MAC ingressou no processo trabalhista nº 132700-86.5.15.0033 cuja tramitação perante a 1º VT de Marília e requereu o concurso de credores trabalhistas, e, liberação de parte da quantia penhorada para que pudesse disputar o Campeonato Paulista de 2015 e consequentemente pagar o salário dos atletas e funcionários. O juízo de Marília acatou o pedido e liberou 50% da cota televisiva, 70% bruto sobre as rendas de jogos na cidade e 70% bruto sobre todos os contrato de marketing, placas de campo e publicidade e patrocinadores.
Com isso, o Marília foi obrigado judicialmente à apresentar cópias do borderôs de partidas e todas vendas de ingressos o percentual bruto de 30% (itens 8.1, 8.2 e 8.3) e depositar na conta judicial no dia seguinte ao jogo,todos contratos de publicidade, placas, marketing e depositar o percentual de 30% em conta judicial (itens 9.1, 9.2 e 9.3), comprovante de recolhimento de INSS e FGTS de todos atletas e funcionários até o dia 15 de cada mês (itens 10.1 e 10.2) e cópias do recibos de pagamentos de salários assinados pelos atletas e funcionários.
Ou seja, caso o MAC não cumprisse regularmente com o pagamento salarial, judicial, depósitos do FGTS e recolhimento do INSS, o juízo afastaria a diretoria da administração do clube e nomearia um administrador judicial, o que acabou não acontecendo.
Durante esse período, foram apresentados dois contratos distintos com o patrocinador RCG, que estão sendo investigados no processo com suspeita de desvio de verbas.
SALÁRIOS ATRASADOS AFETAM RENDIMENTO DOS JOGADORES
A preparação para a disputa do Paulistão iniciou em novembro e junto veio a desorganização. Os jogadores não receberam seus vencimentos e isso acontece até os dias de hoje. No total, os atletas receberam apenas 50% dos salários de janeiro e fevereiro, que gira em torno de R$ 450 mil. Isso foi conquistado, após muita briga nos bastidores e com ajudar do Sindicato dos Atletas.
“O Sindicato está insatisfeito com a situação, já recorrente no MAC nos últimos anos, de atrasos salariais. O que mais deixa margem para dúvidas é que o Márilia recebeu R$1.500.000,00 e pagou apenas 50% de janeiro e fevereiro aos atletas. Com esta situação, não só os atuais atletas estão sendo prejudicados, mas também ex-jogadores que possuem mais de 100 ações trabalhistas e dependem do dinheiro para sustentar suas famílias. O Sindicato esta em cima, levando a situação para todos os órgãos competentes. O que mais nos indigna é o Presidente receber “salário” do clube e de forma adiantada ainda. E esperamos esclarecimentos sobre os dois contratos de patrocínios da RCG com valores distintos (diferença de mais de R$100 mil reais). Estamos na luta pela defesa dos interesses dos nossos atletas”, afirmou o advogado do Sindicato Filipe Rino, em entrevista ao Portal Futebol Interior.
Sim! O Marília reuniu o montante mencionado com arrecadações nas bilheterias – R$ 336,915,00 -, cota de TV e Patrocínio. Desse valor, cerca de R$ 1,1 milhões “desapareceram”, sem muitas explicações, enquanto que os jogadores tentam demonstrar um pouco de gana dentro das quatro linhas, visando conquistas seus respectivos espaços em outras agremiações, mas tendo claramente dificuldade em abater suas dívidas no sustento à família.
Enquanto isso, o presidente Ednaldo de Souza Costa e seu vice Sojinha teriam recebido R$ 5 mil adiantados.No processo n° 1001360-66.2015.8.28.0344 que a SPRIMG moveu contra o MAC para tentar ser reconduzida à direção do clube, um dos documentos juntados pela empresa foi um recibo de adiantamento salarial do Presidente. Ocorre que o Marília é uma entidade sem fins lucrativos e o presidente é proibido de ser assalariado.
Conforme o advogado do Sindicato, no dia em que a gestora foi reconduzida à direção do MAC, reuniu-se com o SAPESP preocupada com a situação financeira do elenco, firmou acordo com o SAPESP, autorizando que a justiça repassasse os valores da Cota Televisiva diretamente aos atletas, sendo protocolado a autorização no processo trabalhista onde a FPF efetua o pagamento. Ou seja, os atletas receberiam seus salários diretamente da justiça, sem risco do clube levantar os valores e não receberem.
Entretanto, o Presidente e o Vice Presidente, ao reassumirem à direção, descumpriram o acordo e pessoalmente efetuaram o levantamento de R$293.454,94 em 19 de fevereiro. Em 19 de março, efetuou um levantamento de R$229.000,00. Em 26 de março houve levantamento de R$16.770,05.
Foi determinado pelo juízo de Marília que o MAC deveria juntar aos autos os contratos de publicidade/patrocínio. O Marília juntou 7 contratos de publicidades para o Campeonato Paulista, no valor total de R$492.000,00.
Igualmente determinado que o MAC juntasse os borderôs das partidas disputadas em casa. Ocorre que o clube juntou apenas alguns no dia 16 de março, esquecendo de juntar o do jogo do Santos FC, que ocorreu dois dias antes.
GREVE DESCARTADA!
Apesar de toda a bagunça, a greve diante do Ituano está descartada. Os próprios jogadores pediram para atuarem, descartando assim qualquer possibilidade de paralisação nos trabalhos. O que fica é a esperança de receberem os pagamentos atrasados, além do mês de março que está à vencer. A partida acontecerá neste sábado, às 18h30, no Bento de Abreu, e terá a promoção de troca de garrafas pets por ingressos.





































































































































