ESPECIAL: Palmeiras e Santos faziam a última decisão do Paulistão há 56 anos, relembre!

O Peixe contava com nomes como Pelé, Pepe e Pagão, o trio PPP, enquanto que o Verdão confiava nas defesas de Valdir e pontaria de Juninho Botelho

O Peixe contava com nomes como Pelé, Pepe e Pagão, o trio PPP, enquanto que o Verdão confiava nas defesas de Valdir e pontaria de Juninho Botelho

São Paulo, SP, 21 (AFI) – Palmeiras e Santos foram duas potências das décadas de 60 e 70. A Academia alviverde era o único time cotado para parar o Santos de Pelé e conseguiu o feito em algumas oportunidades, uma delas volta à nossa memória com a aproximação do Clássico da Saudade por uma final de Campeonato Paulista, algo que não acontecia desde 1959. Na ocasião, o campeonato teve seu fim no dia 10 de janeiro de 1960, em três confrontos épicos.

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O palco escolhido foi o Pacaembu. O Paulo Machado de Carvalho recebia jogos dos quatro grandes do Estado, cenário muito diferente do que se vive hoje. Com Morumbi e a Vila Belmiro, além das novas arenas de Corinthians e Palmeiras, o estádio viveu um 2015 vazio, onde recebeu apenas cinco jogos do Paulistão. Em 1959, porém, viu a taça ser erguida e a volta olímpica acontecer um tanto, quanto surpreendente pela imprensa, na época, por jogadores do Palmeiras.

“O Santos era uma equipe que todo mundo temia, mas o Palmeiras não. Nós respeitávamos, mas sabíamos que poderíamos fazer frente. Eram dois gigantes brigando por um título e, deu Palmeiras. Foram três grandes jogos, onde vivi bons momentos, muita tensão, com festa no final. Foi meu primeiro título com a camisa do Palmeiras”, afirmou o ex-goleiro do Verdão, Valdir Joaquim de Moraes, um dos remanescentes do título de 1959, em entrevista ao Portal Futebol Interior.

Djalma Santos, Valdir, Valdemar Carabina, Aldemar, Zequinha e Geraldo Scotto; agachados: Romeu (auxiliar), Julinho Botelho, Nardo, Américo, Chinesinho e Romeiro

Djalma Santos, Valdir, Valdemar Carabina, Aldemar, Zequinha e Geraldo Scotto; agachados: Romeu (auxiliar), Julinho Botelho, Nardo, Américo, Chinesinho e Romeiro

A competição era disputada em pontos corridos. Eram 38 rodadas. Santos e Palmeiras empataram na liderança com 63 pontos. O jeito foi realizar mais um jogo e as equipes ficaram no empate por 1 a 1 (Pelé e Zequinha fizeram os gols). O público contestou o resultado, pois fez com que mais duas partidas fossem realizadas para definir o campeão. Cheiro de armação? Difícil, considerando que ambos os clubes buscaram o gol em todo o momento. Mas, isso ficou apenas como primeira impressão. Depois, os torcedores se concentraram nas duas decisões pela frente.

No mesmo Pacaembu, Palmeiras e Santos empataram por 2 a 2, com show de Pepe, autor dos dois gols do Peixe. Pelo lado do Verdão, Getúlio, contra, e Chinesinho marcaram. Pelé passou em branco, assim como Julinho Botelho, o craque alviverde, deixando tudo em aberto para a partida decisiva.

“Foram três jogos emocionantes, o segundo com um gostinho especial. Acabei marcando os dois gols do Santos, que teve alguns problemas nas finais. Pagão e Jair Rosa Pinto nos desfalcaram nas duas primeiras partidas daí entrou um tal de Coutinho. Para quem não lembra, era um atacante no mesmo estilo de Romário, baixinho e que fazia gols como ninguém, enquanto que o Palmeiras veio completo. O Santos poderia ter saída na decisão com a vitória, mas o Palmeiras fez por merecer. Depois, porém, nos transformamos em uma verdadeira máquina de ganhar títulos”, disse Pepe, o maior artilheiro do Peixe, sem contar Pelé, ao FI.

Time do Santos de Pelé de 1959, ao lado de outros muitos craques

Time do Santos de Pelé de 1959, ao lado de outros muitos craques

O dia 10 de janeiro de 1960 chegou e aconteceu mais um jogo para ser lembrado para sempre. O Santos estava reforçado, o trio PPP (Pelé, Pagão – saiu correndo da lua de mel para jogar -, e Pepe) estava formado, Jair também atuou, mas o Palmeiras acabou levando a melhor. O Rei do futebol abriu o marcador e colocou pressão no Verdão. O Alviverde soube lidar com o todo poderoso Santos e virou o marcador, acabando com qualquer favoritismo do Peixe. Gols de Romeiro e Julinho Botelho fizeram o Verdão campeão Paulista após 8 anos sem taça.

“O Julinho Botelho era um dos maiores ponteiros que o futebol já viu, perdendo apenas para Garrincha. Era excepcional. Dava gosto de jogar contra ele”, afirmou Pepe. “O Palmeiras tinha jogadores fantásticos. O Botelho foi ídolo da Fiorentina, era um verdadeiro fenômeno. Tínhamos
também o Djalma, Carambina. Mas, um time não se faz só de craques. Naquela época, o Zequinha era um jogador batalhador, que roubava a bola e dava lançamentos precisos, lembra um pouco o Dudu”, completou Valdir.

CINQUENTA E SEIS ANOS DEPOIS…
Cinquenta e seis anos depois, Palmeiras e Santos voltarão a realizar uma final de Campeonato Paulista. Desta vez, o Pacaembu ficará de fora e “apenas” dois jogos serão realizados. A primeira decisão acontecerá na Arena Palestra, no próximo domingo, enquanto que a Vila Belmiro será o palco da premiação no dia três de maio.

Muito tempo se passou… O futebol mudou e as equipes estão totalmente diferentes. Um estilo de marcação mais pegado prevalece à técnica e goleadas estão escassas, assim como grandes destaques. Hoje, Valdivia, contestado por muitos, idolatrado por outros, representa a Academia. Robinho e Ricardo Oliveira, o Peixe. Mas, apesar de todas as mudanças, a final é muito aguardada, como no passado e os times, no lugar em que deveriam estar… brigando por títulos, honrando suas respectivas histórias e os mantos que já foram vestidos por Pelé, Pepe, Coutinho, Pagão, Valdir, Julinho Botelho, Djalma Santos e Ademir da Guia.

Palmeiras campeão paulista em 1959

Palmeiras campeão paulista em 1959

Hoje, o Palmeiras aparece com um pequeno favoritismo, muito por ter eliminado o arquirrival Corinthians na semifinal, em cobrança de pênalti. O Santos passou por um São Paulo em crise, mas decidirá no Alçapão. Nos últimos nove anos, o Peixe obteve cinco conquistas, contra apenas uma do Verdão. A decisão, certamente, não terá a mesma técnica na demonstrada em 1959, mas tem tudo para ter a mesma emoção. São dois times gigantes, voltando a brigar por um único título. Temos sim, saudade do time de Pelé e da Academia do Palmeiras, mas ainda somos apaixonados pelo futebol e queremos uma final no mesmo estilo de antigamente, um espetáculo. Que Prass seja um Valdir, e Ricardo Oliveira um Pepe…

Domingo relembraremos do passado, mas com um foco no presente. Santos e Palmeiras, Palmeiras e Santos estão preparados e devem realizar dois jogos do tamanho de suas tradições… Verdão repetirá o feito ou o Santos dará o troco, logo saberemos…

“O jogo deste domingo será bem complicado. O treinador tem que saber lidar com o time para passar a tranquilidade e fazer do Palmeiras campeão”, disse Valdir. “Espero que dê Santos, estarei torcendo, mas a partida será dificílima”, completou Pepe.

*Essa é a primeira de uma série de especiais sobre a decisão entre Palmeiras x Santos pelo Portal FI.

CONFIRA AS FICHAS TÉCNICAS DAS TRÊS PARTIDAS DE 1959:

PALMEIRAS 1 X 1 SANTOS

PALMEIRAS: Valdir de Moraes; Djalma Santos, Valdemar Carabina, Aldemar e Geraldo Scotto; Zequinha e Chinesinho; Julinho Botelho, Américo Murolo, Romeiro e Géo. Técnico: Osvaldo Brandão

SANTOS: Laércio; Feijó, Getúlio e Dalmo; Formiga e Zito; Dorval, Urubatão, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula

DATA: 05/01/1960

LOCAL: Pacaembu

ÁRBITRO: Stefan Walter Glanz (AUT)

GOLS: 1º tempo: Pelé (Santos aos 22′), Zequinha (Palmeiras aos 34′).

PALMEIRAS 2 X 2 SANTOS

PALMEIRAS: Valdir de Moraes; Djalma Santos, Valdemar Carabina, Aldemar e Geraldo Scotto; Zequinha e Chinesinho; Julinho Botelho, Américo Murolo, Romeiro e Nardo. Técnico: Osvaldo Brandão

SANTOS: Laércio; Feijó, Getúlio e Dalmo; Formiga e Zito; Dorval, Urubatão, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula

DATA: 07/01/1960

LOCAL: Pacaembu

ÁRBITRO: Catão Montez Júnior

GOLS: 1º tempo: Pepe (Santos, de pênalti aos 25′) 2º tempo: Getúlio (Santos, contra, aos 3′), Chinesinho (Palmeiras aos 5′), Pepe (Santos, de pênalti aos 35′).

PALMEIRAS 2 X 1 SANTOS

PALMEIRAS: Valdir; Djalma Santos, Valdemar Carabina e Geraldo: Zequinha e Aldemar; Julinho Botelho, Nardo, Américo, Chinesinho e Romeiro. Técnico: Osvaldo Brandão.

SANTOS: Laércio; Urubatão, Getúlio e Dalmo; Zito e Formiga; Dorval, Jair Rosa Pinto, Pagão, Pelé e Pepe. Técnico: Lula.

DATA: 10/01/1960

LOCAL: Pacaembu

ÁRBITRO: Anacleto Pietrobon (SP)

GOLS: 1º tempo: Pelé (Santos, aos 14′), Julinho Botelho (Palmeiras, aos 43′) 2º tempo: Romeiro (Palmeiras, aos 3′).