Guarani impulsionou o Palmeiras na busca pelo título Paulista de 1959, entenda!

O goleiro Valdir Joaquim de Moraes afirmou que a vitória contra o bugre foi fundamental na briga contra o Santos

O goleiro Valdir Joaquim de Moraes afirmou que a vitória contra o bufre foi fundamental na briga contra o Santos

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São Paulo, SP, 23 (AFI) – Em 1959, o Palmeiras fazia a última final de Campeonato Paulista diante do Santos. O Alvinegro era o favorito, mas o Verdão fez páreo duro, “peitou” o time de Pelé e saiu com a taça, após três jogos sensacionais no Estádio do Pacaembu. Na época, o campeonato era disputado por pontos corridos, mas ambas as equipes terminaram com 63. A alternativa foi criar uma decisão e o Peixe acabou morrendo na praia. O que poucos sabem, porém, é que o Verdão poderia ter ficado pelo caminho muito antes, quando visitou a cidade de Campinas e ficou pertinho, pertinho, de cair no Brinco de Ouro da Princesa contra o Guarani. Essa não foi a única vez durante o torneio, que o Bugre “ajudou” o Alviverde.

“O título saiu contra o Santos, mas durante o torneio tivemos muitos momentos que ficaram marcados. O jogo contra o Guarani só engrandeceu a conquista. Foi o que nos fez chegar forte na reta final. Viajamos no dia oito de novembro para Campinas como favoritos, mas acabamos surpreendidos. Sofremos dois gols no primeiro tempo e a situação ficou complicada, o Palmeiras não estava jogando nada. Chegou no intervalo, o Oswaldo Brandão reuniu os jogadores. Esperávamos uma bronca daquelas. Mas, ele não falou nada sobre futebol ou da partida em si. Falou mais sobre sua vida e isso nos contagiou. Voltamos para o segundo tempo com outro entusiasmo, pressionamos o tempo todo e acabamos virando a partida. Foi sensacional, fizemos praticamente o impossível para deixar o Palmeiras na cola do Peixe”, afirmou o ex-goleiro do Verdão, Valdir Joaquim de Moraes, remanescente da final de 1959, em entrevista ao Portal Futebol Interior.

Valdir Joaquim de Moraes sendo homenageado no antigo Palestra Itália

Valdir Joaquim de Moraes sendo homenageado no antigo Palestra Itália

O triunfo por 3 a 2 inflamou os jogadores. O Palmeiras cresceu no torneio e venceu oito dos nove jogos seguintes – nesse meio tempo empatou com a Portuguesa. A invencibilidade caiu na penúltima rodada, quando perdeu o clássico para o São Paulo por 2 a 0. No dia 20 de dezembro de 1959, o Verdão se via fora da disputa pelo título do Campeonato Paulista, até o Guarani aparecer novamente em caminho e resolver dar uma mãozinha. A partida entrou para a história na cidade de Campinas. Nesse mesmo dia, o Bugre parava o Santos de Pelé por 3 a 2 e deixava os torcedores eufóricos.

“Nada deu certo contra o São Paulo. Fizemos um jogo abaixo do normal. Quando acabou, achávamos que não tínhamos mais chances de título – o Peixe dificilmente tropeçava na temporada. Mas, quando chegamos no vestiário, nos informaram que o Santos havia sido derrotado pelo Guarani. A alegria voltou a tomar conta dos jogadores, estávamos vivos na briga e não deixaríamos esse momento escapar. Vencemos o Comercial, goleamos a Ponte Preta e mantemos o mesmo número de pontos do Santos”, falou o tetracampeão brasileiro pelo Palmeiras.

ESTREIA NO VERDÃO E FINAL DIANTE DO SANTOS!
“Vivi bom momentos com a camisa do Palmeiras e minha história nesse clube não poderia ser diferente. Estreei diante do Corinthians e fiz uma partida impecável, vencemos e isso me trouxe uma estabilidade na equipe. Dificilmente eu ficava de fora de um jogo. Depois, vieram inúmeros títulos e esse paulista foi um dos mais marcantes. Conquistamos o Paulista diante de um time temido por todos, mas não pelo Palmeiras. Nós respeitávamos, mas sabíamos que podíamos fazer frente. Era dois gigantes brigando por um título e deu Verdão”, falou, com grande emoção, o ex-goleiro.

Marcos e Valdir, dois dos maiores goleiros da história do Palmeiras

Marcos e Valdir, dois dos maiores goleiros da história do Palmeiras

Na melhor de três, pela final de 1959, Palmeiras e Santos empataram as duas primeira partidas (1 a 1 e 2 a 2). Na terceira, o Verdão acabou vencendo, de virada, com gols de Julinho Botelho e Romeiro. Pelé diminuiu para o Peixe. Valdir enalteceu o elenco recheado de estrelas do Santos, mas não deixou de elogiar os comandados de Oswaldo Brandão, que ficaram marcados na história.

“O Palmeiras tinha jogadores fantásticos. O Botelho foi ídolo da Fiorentina, era um verdadeiro fenômeno. Tínhamos também o Djalma, Carambina. Mas, um time não se faz só de craques. Naquela época, o Zequinha era um jogador batalhador, que roubava a bola e dava lançamentos precisos, lembra um pouco o Dudu”, completou Valdir.

SANTOS X PALMEIRAS 2015
Cinquenta e seis anos depois, o Palmeiras volta encontrar o Santos em uma decisão paulista. Diferente do que aconteceu no passado, o Verdão entra com um leva favoritismo por ter eliminado o arquirrival Corinthians. A primeira final acontecerá neste domingo na Arena Palestra e a confiança é grande para que o Alviverde volte a levantar um título Estadual, algo que não acontece desde 2008.

Palmeiras 1959

Palmeiras 1959

“O Palmeiras voltou para o lugar em que deveria estar, brigando por título. Já trabalhei com Oswaldo é um técnico de extrema experiência e capacidade. Vem realizando um grande trabalho no Palmeiras, que tem também o Valdivia, um jogador diferenciado. Ele pode mudar o rumo de uma partida.Temos também o Fernando Prass, que está em ótima fase e vem honrando a grande tradição de goleiros do Palmeiras, poderia receber uma chance na Seleção”, disse o ex-goleiro.

“O jogo deste domingo será bem complicado. O treinador tem que saber lidar com o time para passar a tranquilidade necessária, fazendo do Palmeiras novamente campeão. Torço para que isso volte a acontece”, completou.