Com estádio vetado, Oeste confirma "mudança" para Osasco

A diretoria rubronegra, porém, garante que não existe possibilidade do clube mudar em definitivo

Como o Estádio dos Amaros não tem a capacidade mínima exigida pela CBF, o Oeste acertou com Osasco Audax para usar o José Liberatti

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Itápolis, SP, 08 (AFI) – O Oeste está de mudança. Mas ela não será definitiva. Como o Estádio dos Amaros está interditado parcialmente pelo Corpo de Bombeiros e não tem a capacidade mínima exigida pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para receber jogos da Série B, a diretoria do Rubrão entrou em contato com o Osasco Audax e recebeu o sinal positivo para utilizar o José Liberatti na Segundona do Brasileiro.

Estádio dos Amaros está liberado pela Polícia Militar para receber apenas 900 torcedores

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O Estádio dos Amaros tem capacidade total para 13.444 pessoas, mas, com a interdição das arquibancadas tubulares, o local pode receber apenas 900 torcedores, segundo o laudo de segurança da Polícia Militar. Como o estádio é municipal, a prefeitura de Itápolis é a responsável por realizar as reformas necessárias – colocar arquibancadas de alvenaria – e já começou a fazer um projeto para saber o quanto será investido nas obras.

Não há, porém, previsão para seu início e muito menos término. Isso demonstra o desinteresse total da administração municipal, que já deveria ter feito estas obras há anos. Isso porque o Oeste tem grande representatividade no cenário estadual e nacional. Se o futebol de Oeste está bem posicionado, na Série B do Brasileiro e agora de volta à elite paulista, a cidade tem apenas 42 mil torcedores e desde 2011 é considerada a maior produtora da laranja do Brasil. Isso mostra força econômica, mas não política.

Zequinha assumiu mandato tampão dia 9 de abril, depois de ter sido vice do prefeito cassado Júlio Mazzo

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LARANJA OU BANANA ?
O atual prefeito é José Luis Kawachi , o Zequinha, do PSDB, e não dá apoio ao time. O mínimo que deveria fazer é construir um estádio decente na cidade, que pudesse além de atender o seu representante maior – o Oeste – também as competições e eventos locais. Tudo leva a crer tratar-se de uma briga política ou picuinhas que atrapalham a cidade.

Era só seguir exemplos recentes, como de Rodrigo Proença, prefeito de Capivari, que buscou recursos nos governos – Estadual e Federal – para ampliar e modernizar a Arena Capivari, visando atender o Capivariano, novo integrante da elite paulista. Ou agora com a prefeitura de Diadema, que prepara ampliação e melhorias no Estádio Inamar para atender ao Água Santa, que subiu da Série A2 e vai disputar o Paulistão em 2016. E também corre atrás de projetos que viabilizem as obras.

Isso nunca se viu em Itápolis, cujo estádio sempre foi muito criticado por seus visitantes por não apresentar as condições mínimas para atender competições de alto nível. O campo é pequeno, gramado em más condições, alambrado mal cuidado, arquibancadas inseguras aos torcedores, iluminação precária e os vestiários são minúsculos.

Na velha sabedoria popular, um antigo morador da cidade e torcedor do Oeste fez um trocadilho engraçado.

“Nós somos a capital da laranja, mas aqui só temos prefeito banana”…

Júlio Mazzo, o Mazinho, foi cassado e nunca mexeu uma palha para melhorar o estádio municipal

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Zequinha foi eleito em eleição suplementar em 1.º de março de 2015. Isso porque no dia 29 de outubro de 2014, a Câmara de Vereadores foi informada pela Justiça Eleitoral de que os registros eleitorais do então prefeito Júlio Mazzo e seu vice, José Luís Kawachi, foram cassados pela publicação de propaganda institucional no Semanário do Município no período eleitoral de 2012, o que foi considerado conduta vedada pela Justiça, com base no artigo 76, inciso VI, alínea “b”, da lei 9504/97.

O ex-prefeito Mazinho também era suspeito de cometer algumas irregularidades, até mesmo de superfaturamento numa festa junina. E nunca se preocupou em melhorar o Estádio dos Amaros, mesmo com o Oeste levando o nome da cidade para todo Estado e Brasil.

LOGÍSTICA MAIS FÁCIL
Após acertar os últimos detalhes com o Osasco Audax para utilizar o José Liberatti durante a Série B, a diretoria do Oeste agora começa a montar a logística visando a estadia dos jogadores na cidade de Osasco durante todo o campeonato.

As viagens também serão “encurtadas” porque Itápolis fica distante 365 quilômetros de São Paulo, de onde há voos para todos os pontos do país.

“Acertamos com o Osasco Audax para utilizar o José Liberatti já que o Estádio dos Amaros deve passar por reformas para atendermos as exigências da CBF. Agora, vamos buscar moradia para os jogadores e seus familiares, que ficarão em Osasco durante esse período”, explicou o diretor de futebol Mauro Guerra ao Portal Futebol Interior.

Os dirigentes rubronegros, porém, garantem que não existe nenhuma possibilidade do Oeste deixar Itápolis e mudar de vez para Osasco:

“Assim que for possível, nós vamos voltar para Itápolis”.

A estreia rubronegra na Série B será nesta sexta-feira, contra o ABC, às 19h30, no Frasqueirão. Depois, na segunda rodada, no dia 16 de maio, o Oeste vai atuar pela primeira vez no José Liberatti, em Osasco, diante do Vitória.