Sócios do Guarani votam em proposta da Magnum e "batalha" pelo Brinco vai se arrastar

Um total de 151 associados compareceram à Assembleia, sendo que 147 votos foram favoráveis à empresa Magnum. Houve 4 abstenções e a Maxion não recebeu votos

Se depender do sócios do Guarani,o Grupo Magnum é quem ficará com o terreno do Estádio Brinco de Ouro. A Maxion não recebeu voto algum.

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Campinas, SP, 08 (AFI) – Se depender do sócios do Guarani,o Grupo Magnum é quem ficará com o terreno do Estádio Brinco de Ouro. Na noite desta segunda-feira, o Bugre apresentou em uma Assembleia Geral de Associados as propostas das duas empresas envolvidas. E com votação maciça a empresa de Roberto Graziano superou a empresa gaúcha Maxion, do Grupo Zaffari.

Associados decidiram a favor de Roberto Graziano, da Magnum, assim como desejava presidente Horley Senna

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Um total de 151 associados compareceram à Assembleia, realizado no salão social do Brinco de Ouro. Nada menos que 147 votos foram favoráveis à empresa MMG, que pertence ao Grupo Magnum. Ainda foram registradas quatro abstenções. Curiosamente, a Maxion não recebeu voto algum.

Agora, fica a expectativa sobre o parecer da juíza Ana Cláudia Torres Vianna, que está à frente do processo trabalhista que resultou no leilão do Brinco. Na quarta-feira, ela apresentará toda situação, inclusive as propostas, aos credores. Tudo indica que a opinião destes últimos influenciará nos próximos passos da Justiça Trabalhista.

COMO FICA?

Após este encontro na Justiça, Guarani, Maxion e Magnum ficarão no aguardo sobre o próximo passo da juíza. Baseada em todos os encontros, ela deverá ficar entre duas situações: confirmar a arrematação da Maxion por R$ 105 milhões e negar os embargos de arrematação em primeira instância; ou então anular o leilão e aceitar a proposta da Magnum.

Independente de qual decisão será tomada, a tendência é de que esta batalha jurídica se arraste por anos. O próprio advogado da Maxion, Darcio Marques, confirmou em entrevista ao jornal Todo Dia, recentemente, que se o leilão for anulado, a “paciência da empresa irá terminar”. Neste caso, o grupo retiraria a proposta feita no último dia 19 e levaria a briga às últimas instâncias. Se a decisão for pela manutenção do arremate, o Bugre pretende continuar tentando os embargos de arrematação.

PROPOSTAS

Juíza do Trabalho Ana Cláudia Torres Viana vai decidir se a vontade dos associados bugrinos será mantida

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Em assembleia no último dia 19, representantes dos dois times apresentaram suas propostas. A Maxion, embora já tenha arrematado o Brinco por R$ 105 milhões, se colocou a disposição em ajudar o Bugre. O Grupo Zaffari se compromete ajudar na construção de uma arena para 12 mil torcedores, com possibilidade de ampliação. Além disso, viabilizaria a construção de um centro de treinamentos e uma sede social, no mesmo terreno do novo estádio.

Além disso, o clube campineiro ainda receberia um aporte mensal de R$ 350 mil pelo período de 18 meses. Este dinheiro e o valor para a aquisição do terreno do novo complexo, sairiam dos R$ 105 milhões utilizados para a arrematação do Brinco. Isso também não agrada aos credores, que pretendem ver as dívidas abatidas integralmente dos R$ 105 milhões.

No caso da Magnum, a proposta foi de pagar as dívidas trabalhistas – as executadas giram em torno de R$ 60 milhões e chega a R$ 100 milhões considerando os valores ainda não executados -, construção de centro de treinamento no terreno da Rodovia dos bandeirantes e uma sede social no terreno onde é o atual CT. Um estádio para 10 mil lugares seria construído se sobrar dinheiro, em um terceiro terreno.

O grupo também daria um aporte financeiro de R$ 350 mil mensais por 10 anos, na forma de patrocínio. Este foi o ponto que seduziu o presidente Horley Senna, já que o clube teria um capital para manter o futebol por uma década. O problema é que todo este investimento viria dos 14% do Valor Geral da Venda (VGV) que a empresa destinaria ao Bugre. Eis o problema. Não há um valor concreto. A previsão é que o VGV possa chega a R$ 2,3 bilhões, mas não há garantias.

MAIS DO LEILÃO

No dia 30 de março, a Justiça do Trabalho aceitou a oferta da Maxion, que se dispôs a pagar 30% do valor total à vista – algo em torno de R$ 31,5 milhões. O restante será pago em 12 parcelas de R$ 6,1 milhões. Antes do leilão, a juíza Ana Claudia Torres Vianna declarou que não aceitaria menos que R$ 126 milhões, valor mínimo imposto para que o leilão ocorresse. Porém, a Maxion foi única empresa a fazer uma oferta.

Disputa entre Magnum e Maxion pelo Brinco de Ouro deve se arrastar por anos

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O terreno do estádio – a área tem em torno de 80 mil metros quadrados, localizado na região nobre da cidade, no bairro Jardim Proença -, está em penhorado desde 2011 por dívidas que, na época, ultrapassavam os R$ 50 milhões com a Justiça do Trabalho. Hoje, somente as dívidas trabalhistas executadas já chegam a R$ 70 milhões. Estima-se que a dívida total do clube gira já supere os R$ 250 milhões.

No último dia 18 de março, três empresas ofertaram muito abaixo do valor mínimo estipulado pela Justiça e, por isso, a juíza Ana Claudia Torres Vianna recusou. Na época, o Grupo Magnum, parceira do Guarani no início do ano, ofereceu “apenas” R$ 55 milhões, enquanto um grupo de empresários de Jaboticabal ofertou menos ainda, R$ 45 milhões. A Lances Negócios Imobiliários foi a empresa que tinha feito a maior oferta, que girava em torno de R$ 60 milhões.

Agora, a empresa Maxion Empreendimentos Imobiliários deve utilizar o terreno do Brinco de Ouro para a construção de algo adequado as necessidades de Campinas. O grupo ainda conversará com a Prefeitura para uma definição, já que a decisão tomada pela juíza Ana Claudia Torres Vianna não tem validade imediata. A diretoria do Guarani disse que irá recorrer à Justiça para que o leilão seja anulado.

O poder público tem mostrado disposição para auxiliar o Bugre no caso. Como o município detém duas das cinco matrículas do Brinco, promete embargar o leilão caso haja prejuízos ao clube. A Câmara dos Vereadores também criou uma comissão para acompanhar o caso de perto.

No início do mês de abril, a Justiça do Trabalho recusou uma oferta do Grupo Sena, que pretendia pagar R$ 220 milhões pelo terreno do Brinco. Valor duas vezes maior que a oferta a arrematação da Maxion. O problema é que, para depositar o dinheiro, a empresa exigia que a Prefeitura liberasse as duas matrículas pertencentes ao município. A proposta acabou rejeitada pela juíza Ana Cláudia.