45º Curso para Treinadores do SITREFESP foi um grande sucesso

O ex-presidente do Sindicato, José de Souza Teixeira, homenageado com o nome da Turma do Curso, esteve na abertura e encerramento do evento

Na última semana do mês de maio, o Sindicato dos Treinadores Profissionais de Futebol do Estado de São Paulo (SITREFESP), presidido por Wladimir Rodrigues dos Santos

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São Paulo, SP, 12 (AFI) – Na última semana do mês de maio, o Sindicato dos Treinadores Profissionais de Futebol do Estado de São Paulo (SITREFESP), presidido por Wladimir Rodrigues dos Santos, realizou o 45º Curso para Treinador de Futebol, turma José de Souza Teixeira. A coordenação do curso coube a José Nogueira Júnior, Bebeto Stival e Emílio Miranda.

Estiveram presentes ao longo das aulas os dirigentes do Sindicato como o vice-presidente Emílio Miranda, Ivan Manoel de Oliveira (Badeco), Assadur Chadalakian, Oscar Amaro, Cleverson Rocha, José Nogueira Júnior, Bebeto Stivel e a Indiamara, a primeira mulher a fazer parte do Sindicato dos Treinadores.

O ex-presidente do Sindicato, José de Souza Teixeira, homenageado com o nome da Turma do Curso, esteve na abertura e encerramento do evento e também dirigiu importantes palavras aos alunos. O evento começou na segunda-feira à noite, no auditório da Federação Paulista de Futebol, depois prosseguiu com aulas teóricas e práticas no auditório e campo de futebol, respectivamente, do CEPEUSP, na Cidade Universitária e o encerramento se deu no auditório do Novotel Center Norte.

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O evento, com duração de cinco dias, começou com uma palestra do treinador da Seleção Sub-17, Caio Zanardi e depois prosseguiu ao longo da semana com trabalhos na terça, quarta e quinta-feira, em dois períodos, e encerramento na sexta-feira no Novotel Center Norte.

Na palestra de abertura Caio Zanardi falou da sua atuação à frente da Seleção Brasileira Sub-17, desde a preparação na cidade de Itu, em São Paulo, até o Campeonato Sul-Americano em que o Brasil conquistou o título. Dissecou, jogo a jogo, como a equipe brasileira se apresentou taticamente, diante dos seus adverários. Zanardi explicou como foram os torneios e jogos amistosos que a equipe realizou sob o seu comando. E depois deixou uma mensagem.

“No trabalho o treinador deve ter persistência, fazer muitos estudos, ter sempre a família junto de si, é preciso ter uma visão global de tudo o que está a sua volta e ter condições de gerir pessoas”. Nesse curso estiveram presentes 90 alunos, sendo que um terço era formado por ex-jogadores de futebol. No grupo estavam ainda um ex-jogador da argentina e outro de Moçambique.

Nesta turma havia ainda uma mulher, Melissa, ex-jogadora de futebol de campo e futsal que defendeu várias equipes do Brasil, da Espanha e da Itália, bem como a Seleção Brasileira. Notavam-se nas aulas ex-jogadores como: Paulo César, lateral que jogou no Brasil e exterior defendendo a Seleção Brasileira, Fluminense, Santos, Paris Saint Germain, entre outros.

Participaram também: Vítor, ex-lateral do Palmeiras; Fabinho, ex-Corinthians; Alex Alves, ex-Juventus, Cruzeiro, Botafogo do Rio; Jamelli, ex-São Paulo, Santos, Seleção Brasileira; Luciano Moraes, ex-Vasco; Tales, ex-Goiás; Pulão, ex-São Paulo; Júlio Santos, ex-Vasco; Douglas, ex-Penapolene; André Veras, ex- São Bernardo; Nivaldo Anardoni, ex-Atlético Paranaense; Cossa, ex-goleiro do Juventus e Júlio Area, ex-Nacional, ex-liga Equatoriana, entre outros.

Os professores Bebeto Stival e Leandro Mehlich fizeram exposições sobre sistemas técnico e tático. Como elaborar um ataque. Como realizar treinos e decidir o momento correto para atacar. Quando atacar utilizando os zagueiros sem se expor.

Na frente os atacantes precisam ser rápidos, precisam estar aptos a decidir as jogadas com calma, frieza e rapidez. Já na defesa, se não há espaço, as jogadas com os zagueiros podem trocar passes de maneira mais lenta. Eles falaram sobre como os jogadores devem trabalhar para decidir o momento da finalização. O time deve ser unido, todos precisam participar o tempo todo. Quando a equipe perder a bola todos tem que pressionar para reavê-la.

Fizeram a explanação no auditório, quando acentuaram que ninguém poderia ter preguiça de trabalhar. Trabalhar os fundamentos, o posicionamento, a coordenação dos movimentos, e a ensinar os garotos, desde cedo a ter uma visão ampla do jogo para que tenham mais facilidade no momento de efetuarem as jogadas. Acentuaram que a orientação aos garotos precisa ser constante e contínua.

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Depois, com a participação dos jogadores Sub-17 da Portuguesa da Vila Mariana, realizaram a parte prática no gramado do CEPEUSP. No período da tarde o professor Agnaldo Vignati falou sobre o “Método Sistêmico”. Explicou sobre a importância da técnica para este método, aumento da velocidade, transições com mais velocidade, evolução dos esquemas táticos, semelhança de princípios de jogo e em seguida apresentou alguns vídeos.

Depois houve a participação do professor Gustavo Jorge que falou sobre a fisiologia do futebol. Explicou qual o papel da fisiologia no elenco principal e nas categorias de base. A detecção de talentos e a metodologia de treinos.

Falou sobre o trabalho neuromuscular, o trabalho de equilíbrio e a ativação muscular. Discorreu sobre a avaliação da capacidade Anaeróbia: capacidade de força, avaliação de salto, padrão de movimento não se esquecendo de mencionar a biomecânica aplicada ao futebol: deslocamento, corrida, mudanças de direção, caminhadas, saltos, chutes, dribles, passes, domínio…

Na parte prática, ele que é contratado do Santos trouxe o preparador físico, também do Peixe, Marcelo Garrafoli para demonstrar na prática o que explicou, utilizando os jogadores sub-17 da Portuguesa da Vila Mariana.

No período da tarde o ex-jogador Orlando Ribeiro de Oliveira, atual treinador do Sub-17 do São Paulo falou sobre táticas e inovações, além de transição e tática ofensiva. Incentivou os alunos a iniciarem o trabalho em escolinha, com garotos, pois nesse instante aprende-se muito.

Esclareceu que se no local em que se está atuando não há boas condições de trabalho, se esforcem, usem a imaginação. Explicou que o São Paulo, onde trabalha, é um clube diferenciado. Ele tem ótimas condições de trabalho.

Disse que o aquecimento com os meninos deve ser de 5 minutos. Um aquecimento com movimentação livre e indicou o treinamento técnico como um instante para apurar e perfeiçoar a capacidade técnica de cada garoto como: o domínio, o passe, a condução de bola, as finalizações, o drible e o cabeceio.

Também apontou o trabalho voltado para melhorar os lançamentos, os cruzamentos, o tempo de bola, os chutes de curta e longa distância sem esquecer de chamar sempre atenção nos treinos do setor que não está com a bola para que todos os atletas fiquem atentos ao jogo o tempo todo e tomar muito cuidado com os contra-ataques.

O preparador físico José Roberto Poetella, agora no Penapolense, também ministrou aula no 45º Curso para Treinadores de Futebol. Fez uma comparação ao trabalho que se fazia há 30 ou 40 anos e o que se realiza hoje nos clubes de futebol.

Segundo Portella, houve uma mudança radical na maneira de se preparar um elenco com acentuada evolução, especialmente na participação do preparador físico que antes tinha 70% de participação final na equipe. Portella disse ainda que as vezes era o treinador de goleiros, às vezes era o responsável pela parte nutricional, etc e que hoje cabe a ele apenas 30% da responsabilidade, pois só cuida apenas do condicionamento físico do elenco.

Há três ou quatro décadas uma comissão técnica era formada em média por quatro profissionais. Hoje, nos principais clubes, são mais de 30. O técnico Estevam Soares, que fez o Curso do Sindicato dos Treinadores Profissionais de Futebol em 1994, discorreu sobre o tema “Como analisar taticamente uma equipe”. Falou da organização, do planejamento, do trabalho que o técnico precisa realizar.

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Afirmou que a Udinese, da Itália, são 50 pessoas trabalhando na Comissão Técnica da equipe de futebol. São Profissionais com funções específicas, definidas como aquele que cuida de analisar as regiões de marcação, os pontos fortes e fracos dos adversários, função dos seus jogadores, posicionamento ofensivo, características ofensivas, características individuais, transição, pressão na bola, retorno e recomposição defensiva, tipos de marcação, bola parada e tantos outros itens foram alguns pontos observados por Estevam Soares.

A análise da equipe adversária com utilização de vídeos ou no local onde esse adversário se apresenta também foi um ponto importante destacado por Estevam Soares na sua explanação aos alunos. Já o treinador Fernando Diniz, uma das revelações como técnico de futebol, também esteve falando no Curso para Treinadores. Diniz é reverenciado por muitos como um treinador ousado, que gosta de jogar pra frente, buscando o ataque com seguidos toques de bola.

Explicou que uma equipe de futebol tem que ser organizada. E para isso precisa de tempo para implantar um sistema de jogo. Ponderou que exige que os jogadores que fazem parte da sua equipe sejam disciplinados taticamente, que obedeçam as ordens e que sejam corajosos, independentemente de qual seja o placar.

Recomendou que é preciso trabalhar muito, treinar intensamente, aprimorando o passe e valorizando com eficiência a posse de bola. Salientou que o treinador precisa passar confiança, precisa explicar de maneira fácil o que deseja que cada atleta realize dentro do sistema tático. E disse que um dos segredos de uma equipe é que os jogadores devem ter paciência e precisam jogar com consciência e agressividade.

No encerramento do 45º Curso para Treinadores de Futebol, organizado pelo Sindicato dos Treinadores Profissionais de Futebol do Estado de São Paulo, o presidente da entidade Wladimir Rodrigues, que já havia falado aos alunos na abertura dos trabalhos, também se dirigiu aos quase 100 alunos que instantes depois receberiam o Certificado de Conclusão do Curso.

Edmundo Trevisan, do Projeto Pedra Azul, abnegado e incentivador do futebol feminino, falou das atividades da modalidade que agora tende a crescer com a presença do Dr. Marco Aurélio Cunha, convidado pela CBF para trabalhar na Coordenação desse setor na Entidade.

José Nogueira Júnior sorteou vários produtos dos patrocinadores do Curso e também convidou alguns ex-jogadores profissionais para falar a respeito das aulas que haviam assistido ao longo da semana.

Nogueira felicitou a todos e recomendou que colocassem em prática aquilo que haviam aprendido, que trabalhassem muito para vencer na carreira e recomendou ainda que estudassem bastante. Finalizando a sua exposição anunciou que na última semana do mês de novembro, deste ano, um novo curso será ministrado pelo Sindicato.