Tombamento do Brinco no Condepacc pode atrapalhar sobrevivência do Guarani
Autor do pedido de tombamento, Sérgio Galvão Caponi garantiu que iria solicitar retirada do pedido por conta da repercussão negativa
Tombamento do Brinco Ouro no Condepacc pode atrapalhar sobrevivência do Guarani, com negociações com Magnum e Maxion
Campinas, SP, 22 (AFI) – Não há nada tão ruim que não pode piorar no Guarani. Não bastasse todo o imbróglio envolvendo a disputa entre Magnum e Maxion, o Estádio Brinco de Ouro voltará a ser alvo de polêmica. Nesta segunda-feira, foi publicado no Diário Oficial de Campinas que o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) aprovou o pedido de tombamento do estádio. Fato que pode tirar as duas empresas interessadas na aquisição no terreno da jogada.
De acordo com o secretário de Cultura de Campinas, Claudiney Rodrigues Carrasco, confirmou que o estudo de tombamento, feito pela Coordenadoria Setorial do Patrimônio Cultural (CSPC) será julgado na quinta-feira, às 10 horas. O julgamento ocorrerá após aprovação do pedido por Sérgio Galvão Caponi, que garantiu não ser torcedor nem de Guarani e nem de Ponte Preta.
“A reunião vai ser nesta quinta-feira, é uma reunião extraordinária, a última do semestre, para julgar o caso. Só foi julgada a abertura de processo. Qualquer cidadão pode chegar ao CONDEPACC e pedir a abertura de processo de tombamento de qualquer imóvel da cidade, isso é um ato público”, destacou carrasco à Radio CBN Campinas.
A aprovação do tombamento do Brinco de Ouro é vista com maus olhos pela diretoria bugrina. Afinal, o imóvel tombado poderia ver seu valor derrubado, além de provavelmente afastar Magnum e Maxion, que teriam limitações quanto à construção de futuros empreendimentos no local. O dinheiro da venda ou do arremate do Brinco é visto como a única salvação do clube, que ostenta uma dívida total que ultrapassa a casa dos R$ 250 milhões
PEDIDO RETIRADO
Depois de ver o pedido de tombamento repercutir negativamente, Sérgio Galvão Caponi garantiu, na CBN Campinas, que iria retirar o pedido de tombamento. Nesta terça-feira, a expectativa é de que haja novidades sobre o caso, mas como o pedido já foi divulgado no Diário Oficial, o julgamento deve ser realizado, mesmo que seja apenas para votação favorável ao arquivamento.
“Todos estão empenhados, como eu estou, em respeitar um patrimônio cultural da cidade de Campinas, não é um patrimônio físico. O que a gente quer é que exista essa reverência a um time da maior importância como o Guarani tem. Eu admiro e gosto do Guarani, me sinto identificado, como cidadão campineiro, com o Guarani Futebol Clube”, afirmou, meio confuso, completando em seguida: “Eu vou retirar o pedido”.
MARTÍRIO SEM FIM
O pedido de tombamento no Condepacc é só mais um capítulo desta longa novela que se tornou a negociação do terreno do Estádio Brinco de Ouro. Na semana passada tudo levava a crer, que o leilão que culminou no arremate da Maxion por R$ 105 milhões seria cancelado. Desta forma, o Bugre ficaria livre para selar o acordo – obscuro, diga-se de passagem – com a Magnum, que é visto pelo clube como o menos prejudicial.
O problema é que o Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou, na quinta-feira passada, com um pedido de exceção de suspeição contra a juíza do 15ª Tribunal Regional da Justiça do Trabalho, Ana Cláudia Torres Vianna. Desta forma, ela ficou impedida de decidir qual será o futuro da casa bugrina. Entre as medidas do MPT está o pedido de afastamento da juíza, por suspeita de tomar a decisão sem imparcialidade. A outra é a correção de algumas irregularidades encontradas na audiência pública. Entre elas, estaria ao fato de a magistrada não ter dado a devida atenção à empresa arrematante, a Maxion, principal concorrente da Magnum.
Na sexta-feira, a magistrada comandaria uma audiência na qual anunciaria se manteria ou não a decisão do leilão do 30 de março, quando o Grupo Maxion arrematou o Brinco de Ouro por pouco mais de R$ 105 milhões. A tendência era que Ana Cláudia cancelasse o leilão e aceitasse a oferta de compra da Magnum, pelo menos valor. Isto porque a empresa parceira do Guarani havia chegado a um acordo com credores trabalhistas na última semana e pagaria imediatamente os cerca de R$ 60 milhões de dívidas trabalhistas executadas.
O pedido de afastamento e correição parcial feito pelo MPT deve ser julgado por desembargadores do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) no prazo de 30 a 40 dias. Fato que aumenta o descontentamento do Guarani, que verá sua dívida trabalhista aumentar por este período e não poderá contar com os aportes financeiros da Magnum para manter o futebol, além de não conseguir pagar os salários dos funcionários, atrasados há quatro meses em alguns casos.
RELEMBRE
No dia 30 de março, a Justiça do Trabalho aceitou a oferta da Maxion de R$ 105 milhões, que se dispôs a pagar 30% do valor total à vista – algo em torno de R$ 31,5 milhões. O restante será pago em 12 parcelas de R$ 6,1 milhões. Antes do leilão, a juíza Ana Claudia Torres Vianna declarou que não aceitaria menos que R$ 126 milhões, valor mínimo imposto para que o leilão ocorresse. Porém, a Maxion foi única empresa a fazer uma oferta.
O terreno do estádio – a área tem em torno de 80 mil metros quadrados, localizado na região nobre da cidade, no bairro Jardim Proença -, está em penhorado desde 2011 por dívidas que, na época, ultrapassavam os R$ 50 milhões com a Justiça do Trabalho. Hoje, somente as dívidas trabalhistas executadas já chegam a R$ 70 milhões. Estima-se que a dívida total do clube gira já supere os R$ 250 milhões.
No último dia 18 de março, três empresas ofertaram muito abaixo do valor mínimo estipulado pela Justiça e, por isso, a juíza Ana Claudia Torres Vianna recusou. Na época, o Grupo Magnum, parceira do Guarani no início do ano, ofereceu “apenas” R$ 55 milhões, enquanto um grupo de empresários de Jaboticabal ofertou menos ainda, R$ 45 milhões. A Lances Negócios Imobiliários foi a empresa que tinha feito a maior oferta, que girava em torno de R$ 60 milhões.
A empresa Maxion Empreendimentos Imobiliários deve utiliza o terreno do Brinco de Ouro para a construção de algo adequado as necessidades de Campinas. O grupo ainda conversará com a Prefeitura para uma definição, já que a decisão tomada pela juíza Ana Claudia Torres Vianna não tem validade imediata. A diretoria do Guarani disse que irá recorrer à Justiça para que o leilão seja anulado.
O poder público tem mostrado disposição para auxiliar o Bugre no caso. Como o município detém duas das cinco matrículas do Brinco, promete embargar o leilão caso haja prejuízos ao clube. A Câmara dos Vereadores também criou uma comissão para acompanhar o caso de perto.
No início do mês de abril, a Justiça do Trabalho recusou uma oferta do Grupo Sena, que pretendia pagar R$ 220 milhões pelo terreno do Brinco. Valor duas vezes maior que a oferta a arrematação da Maxion. O problema é que, para depositar o dinheiro, a empresa exigia que a Prefeitura liberasse as duas matrículas pertencentes ao município. A proposta acabou rejeitada pela juíza Ana Cláudia.
O departamento jurídico alviverde já havia entrado com um pedido de embargo logo depois da juíza ter “batido o martelo” em favor da Maxion Empreendimentos Imobiliários no leilão e o caso se estendeu. Com as ameaças e travar a venda, o presidente do Bugre, Horley Senna, e empresário Roberto Graziano, dono da Magnum, apresentaram aos juízes Ana Cláudia Torres Viana e Carlos Eduardo Oliveira Dias uma proposta para quitar as dívidas trabalhistas e ter posse novamente do estádio.
A oferta bugrina, que conta com condicionantes e precisaria ser aprovada pela Prefeitura de Campinas, gira em torno de R$ 81 milhões – sendo R$ 21 milhões à vista e mais 44 parcelas de R$ 350 mil, além dos R$ 44,5 milhões que estão presos na Justiça Federal devido ao leilão realizado no dia 27 de novembro, quando a Magnum, a pedido de Horley Senna, arrematou o Brinco de Ouro da Princesa.
As propostas foram apresentadas aos conselheiros do Bugre e os sócios votaram em favor do Grupo Magnum. Sendo assim, a empresa comandada por Roberto Graziano se reuniu novamente com a Justiça do Trabalho e apresentou um plano de pagamento aos credores. As dívidas executadas giram em torno de R$ 60 milhões. O acordo feito é que os credores que tem direito a R$ 100 mil receberão 100% dos direitos, enquanto os que têm dívidas acima de R$ 100 mil embolsarão 90% das dívidas. O pagamento acontecerá após a decisão sobre qual empresa ficará com o estádio.





































































































































