Série C: Guarani se reúne com Justiça do Trabalho e espera acerto até final de julho

Horley Senna, presidente do Bugre, esteve no TRT para tentar acelarar a venda do Brinco de Ouro

Horley Senna, presidente do Bugre, esteve no TRT para tentar acelarar a venda do Brinco de Ouro

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Campinas, SP, 30 (AFI) – O tempo corre e o Guarani usa as armas que tem para manter viva a negociação pela venda do Estádio Brinco de Ouro, em Campinas, e a sobrevivência do clube. Nesta terça-feira, o mandatário do time campineiro, Horley Senna, se reuniu com Lourival Ferreira dos Santos, presidente do 15º Tribunal de Regional do Trabalho, para tentar apressar o acordo.

Horley Senna e Roberto Graziano, parceiros na venda do Brinco de Ouro

Horley Senna e Roberto Graziano, parceiros na venda do Brinco de Ouro

“Saímos satisfeitos, fomos levar a situação de momento que passamos. Ele mostrou que está por dentro e nos garantiu que o caso do Guarani não se arrastará. Por isto, a perspectiva é de ser resolvida em breve, até o final de julho”, afirmou o presidente bugrino.

A venda do Brinco de Ouro está travada desde que o Ministério Público do Trabalho entrou com um pedido de exceção de suspeição contra a juíza titular da 6ª Vara do Trabalho, diretora do Fórum Trabalhista de Campinas e responsável pelo Núcleo de Execução, Ana Cláudia Torres Vianna.

Entre as medidas do MPT está o pedido de afastamento da juíza, por suspeita de tomar a decisão sem imparcialidade. A outra é a correção de algumas irregularidades encontradas na audiência pública. Entre elas, estaria ao fato de a magistrada não ter dado a devida atenção à empresa arrematante, a Maxion, principal concorrente da Magnum, parceira do Guarani.

O fato aumenta o descontentamento do Guarani, que verá sua dívida trabalhista aumentar por este período e não poderá contar com os aportes financeiros da Magnum para manter o futebol, além de não conseguir pagar os salários dos funcionários, atrasados há quatro meses em alguns casos.

RELEMBRE
No dia 30 de março, a Justiça do Trabalho aceitou a oferta da Maxion de R$ 105 milhões, que se dispôs a pagar 30% do valor total à vista – algo em torno de R$ 31,5 milhões. O restante será pago em 12 parcelas de R$ 6,1 milhões. Antes do leilão, a juíza Ana Claudia Torres Vianna declarou que não aceitaria menos que R$ 126 milhões, valor mínimo imposto para que o leilão ocorresse. Porém, a Maxion foi única empresa a fazer uma oferta.

O terreno do estádio – a área tem em torno de 80 mil metros quadrados, localizado na região nobre da cidade, no bairro Jardim Proença -, está em penhorado desde 2011 por dívidas que, na época, ultrapassavam os R$ 50 milhões com a Justiça do Trabalho. Hoje, somente as dívidas trabalhistas executadas já chegam a R$ 70 milhões. Estima-se que a dívida total do clube gira já supere os R$ 250 milhões.

No último dia 18 de março, três empresas ofertaram muito abaixo do valor mínimo estipulado pela Justiça e, por isso, a juíza Ana Claudia Torres Vianna recusou. Na época, o Grupo Magnum, parceira do Guarani no início do ano, ofereceu “apenas” R$ 55 milhões, enquanto um grupo de empresários de Jaboticabal ofertou menos ainda, R$ 45 milhões. A Lances Negócios Imobiliários foi a empresa que tinha feito a maior oferta, que girava em torno de R$ 60 milhões.

A empresa Maxion Empreendimentos Imobiliários deve utiliza o terreno do Brinco de Ouro para a construção de algo adequado as necessidades de Campinas. O grupo ainda conversará com a Prefeitura para uma definição, já que a decisão tomada pela juíza Ana Claudia Torres Vianna não tem validade imediata. A diretoria do Guarani disse que irá recorrer à Justiça para que o leilão seja anulado.

O poder público tem mostrado disposição para auxiliar o Bugre no caso. Como o município detém duas das cinco matrículas do Brinco, promete embargar o leilão caso haja prejuízos ao clube. A Câmara dos Vereadores também criou uma comissão para acompanhar o caso de perto.

No início do mês de abril, a Justiça do Trabalho recusou uma oferta do Grupo Sena, que pretendia pagar R$ 220 milhões pelo terreno do Brinco. Valor duas vezes maior que a oferta a arrematação da Maxion. O problema é que, para depositar o dinheiro, a empresa exigia que a Prefeitura liberasse as duas matrículas pertencentes ao município. A proposta acabou rejeitada pela juíza Ana Cláudia.

O departamento jurídico alviverde já havia entrado com um pedido de embargo logo depois da juíza ter “batido o martelo” em favor da Maxion Empreendimentos Imobiliários no leilão e o caso se estendeu. Com as ameaças e travar a venda, o presidente do Bugre, Horley Senna, e empresário Roberto Graziano, dono da Magnum, apresentaram aos juízes Ana Cláudia Torres Viana e Carlos Eduardo Oliveira Dias uma proposta para quitar as dívidas trabalhistas e ter posse novamente do estádio.

A oferta bugrina, que conta com condicionantes e precisaria ser aprovada pela Prefeitura de Campinas, gira em torno de R$ 81 milhões – sendo R$ 21 milhões à vista e mais 44 parcelas de R$ 350 mil, além dos R$ 44,5 milhões que estão presos na Justiça Federal devido ao leilão realizado no dia 27 de novembro, quando a Magnum, a pedido de Horley Senna, arrematou o Brinco de Ouro da Princesa.

As propostas foram apresentadas aos conselheiros do Bugre e os sócios votaram em favor do Grupo Magnum. Sendo assim, a empresa comandada por Roberto Graziano se reuniu novamente com a Justiça do Trabalho e apresentou um plano de pagamento aos credores. As dívidas executadas giram em torno de R$ 60 milhões. O acordo feito é que os credores que tem direito a R$ 100 mil receberão 100% dos direitos, enquanto os que têm dívidas acima de R$ 100 mil embolsarão 90% das dívidas. O pagamento acontecerá após a decisão sobre qual empresa ficará com o estádio.