Roberval Davino analisa futebol brasileiro e vê diferenças com a Argentina

Treinador quer mais compromisso dos atletas e espera mais profissionalismo dos dirigentes

Treinador quer mais compromisso dos atletas e espera mais profissionalismo dos dirigentes

0002050091908 img

Campinas, SP, 01 (AFI) – O técnico Roberval Davino (foto) respira futebol. Ele conhece como ninguém o esporte mais popular do mundo. Mesmo após tantos anos no futebol – como jogador e treinador -, Roberval Davino não descansa. Tanto é verdade que ele uniu o útil ao agradável em sua viagem pela Argentina. O treinador esteve lá com a neta e aproveitou para acompanhar jogos e treinos dos hermanos.

“Tenho amigos no Vélez Sarsfield e aproveitei para unir o útil ao agradável. Passei 15 dias lá e gostei bastante desta experiência. Vi um nível de competitividade muito grande. O que mais me chamou a atenção foi o intercâmbio de clubes, o que eu não vejo no Brasil. O Vélez foi jogar no Peru, tinha time paraguaio na Argentina. Isso é muito bom. Fortalece o futebol. Na minha época de jogador vim para a Argentina com os clubes alagoanos. Antes tinha muito disso. Mas acabou”, explicou o treinador ao site Grande Área.

Roberval Davino não descansa e está sempre atento ao futebol!

Roberval Davino não descansa e está sempre atento ao futebol!

Roberval Davino também valorizou o compromisso dos jogadores em treinos e jogos. Para ele, a disposição de lá é diferente da vista aqui. Outro detalhe que chamou a atenção foi a base, bastante utilizada.

“Na Argentina, os clubes têm grandes condições de trabalho. Toda equipe tem trabalho intenso na base. A base tem diversos níveis, sempre há atenção na garotada. O Brasil se perdeu nisso em algum lugar do tempo. Sem falar no compromisso de cada atleta. Eles treinam para valer”, explicou o estudioso da bola.

Ultrapassados!
No mercado da bola desde que deixou o Paulista após o Estadual de São Paulo, Roberval Davino vê um momento ruim no futebol brasileiro. A análise do comandante é ampla que vai desde os dirigentes, passando por técnicos e jogadores.

“Falta muita coisa no futebol brasileiro. Quem analisa, por exemplo, tem pouco conteúdo. Futebol é estratégia, estudo. Mas quem analisa, quem contrata e manda embora parou no tempo. Perdemos atletas cada vez mais jovens. Sem dinheiro, os clubes vendem e vendem, sem se preparar e sem estrutura. Aqui vivemos de camisas. Falta estudo, treinos, estrutura, análise… Temos mais fofoca do que análise”, enfatiza o comandante de 60 anos.

Roberval Davino voltará a analisar propostas este ano!

Roberval Davino voltará a analisar propostas este ano!

Diante de tudo isso, ele prefere não opinar sobre a manutenção de Dunga na Seleção Brasileira ou a vinda de um técnico estrangeiro.

“É preciso buscar as referências do treinador. É difícil analisar assim. Não dá para saber como é o treinamento, o que é pedido, como é a conversa com os jogadores. Trazer um técnico estrangeiro pode até ser uma alternativa. Mas quem? Tem que ver quem será contratado. A realidade no Brasil é muito difícil. Quem analisou o Gareca no Palmeiras parou no tempo. Quem analisa o Osório? Ele vai durar quanto tempo nesta política nacional?”.

Apesar de tantos problemas e do futebol nacional estar tão abaixo de muitos outros centros da bola, Roberval Davino esboça uma receita para o esporte sair do lamaçal.

“É preciso ter compromisso. Esta é a palavra. Compromisso. Os atletas precisam mudar. Precisam ter outra mentalidade. Vi o nível de treinos e jogos na Argentina. É diferente. É pegado, disputa-se de verdade em treinos e jogos. Esta pegada é vista aqui na América do Sul. Os jogadores brasileiros perdem isso, vão muito cedo para fora. E não estamos mais falando da Europa. Estamos falando de outros centros. É preciso também mudar a parte interna dos clubes. Há muito interesse pessoal e político. Isso precisa ser mudado urgentemente”, finalizou o comandante ao site Grande Área.

Mais de Roberval Davino:
Roberval Davino é autor, com Vinicius Saldanha, do livro “O Rugido do Leão (2006). É treinador e ex-jogador de futebol. Formado em educação física pela Universidade de Alagoas, também é pós-graduado em ciência e técnica do futebol pela PUC-Campinas, além de especialista em ciência do desporto, com ênfase em futebol, pela Universidade Gama Filho-RJ.

O experiente treinador foi presidente da Associação de Atletas Profissionais de Alagoas (1976 a 1981) e dirigiu a Associação dos Professores de Educação Física Alagoana (1982 a 1986). Como técnico de futebol, já comandou mais de 40 equipes.

E nestes anos todos no mundo da bola, o treinador coleciona algumas curiosidades. Em 1999, ele dirigiu o Mirassol na Série A2 e o Araçatuba na Série A1 ao mesmo tempo. Durante a manhã, Davino treinava um time e, à tarde, após 110 km de estrada, treinava o outro. E conseguiu sair vitorioso nas duas equipes: salvou o Araçatuba do rebaixamento à Série A2 e classificou o Mirassol para a segunda fase da competição que disputava.

Ao longo da carreira, ele coleciona títulos no Japão, Estaduais e acessos por Vila Nova, Araçatuba, CSA e Brasiliense, além de títulos e acessos na Série C do Brasileirão com Vila Nova e Remo.